Top 10: Melhores leituras da década


Uau, já se passaram mais dez anos de leitura! No decorrer desse tempo, minha vida de leitora se modificou sobremaneira, inclusive, foi nesse período que eu passei a falar sobre livros aqui no blog - o que não só proporcionou o aumento vertiginoso da minha constância de leitura, como também me permitiu amadurecer as minhas experiências literárias.

Já estou imaginando que vocês devem estar pensando "mas de acordo com o calendário gregoriano a nova década só terá início no final em 2021"... No entanto, me justifico por ser neste ano o aniversário de dez anos do blog. Essa postagem é também uma forma de fazer algumas indicações bem interessantes para vocês, principalmente, porque há um ou outro livro que não é tão popular, por isso espero que gostem.

E para instigá-los a realizar a leitura não só das resenhas, como também das próprias obras indicadas, deixarei trechos dos meus textos.


"Arthur Conan Doyle recebe o leitor em “O Cão dos Baskerville” com uma narrativa notoriamente diferente dos demais livros da série de romances protagonizados por Sherlock Holmes. Nele, as ambientações lúgubres e as descrições um tanto funestas, transformam o enredo em um protótipo perfeito de história de terror com fundamentos góticos. Embasado em lendas sobre cães infernais e almas com sede de vingança, vemos também o Dr. Watson ser colocado na posição de investigador e não só de narrador."


"Um grande conto. Essa é a frase perfeita para definir esse livro. Principalmente quando poucas horas depois do término da leitura ainda consigo sentir o cheiro de bolo recém-saído do forno emanado através das páginas, bem como, ouvir alguns dos sons vindos da floresta após uma perseguição interminável em busca da lua. Acredito que isso acontece porque apesar do que dizem alguns céticos, há pessoas que realmente conseguem realizar um ato mágico. Sarah Addison Allen, por exemplo, ela certamente faz parte desse grupo, já que com uma escrita repleta de encantos, ela consegue preencher a sua história com detalhes que parecem ter saído de um conto de fadas. As linhas escritas por ela transbordam de um encanto tão sutil que por mais que o leitor tente, se afastar do livro antes do término se torna uma tarefa impossível."


"O sentimento que predomina durante toda a leitura é o pesar. É impossível não sofrer por ela e não torcer para que ela encontre alguma razão que a faça continuar. Sem sombra de dúvidas essa foi uma leitura dolorosa para mim. Estar dentro da realidade dela – ainda que ela consiga esconder coisas extremamente importantes – foi como ter um peso pressionando o meu estômago continuadamente até que eu desse um último suspiro."


"Eu Sou a Lenda se tornou uma experiência no mínimo inquietante para mim. Isso porque fui levada a considerar uma das hipóteses mais aterradoras: e se houvesse apenas um único homem no mundo? Ao que se sabe o medo da solidão é um dos temores mais antigos sentidos pelo homem, é ele que o impulsiona a buscar a interação social (por menor que ela seja). Sem viver em comunidade, o homem está perdido. Afinal, como iria ocorrer o processo de socialização tão necessário para o aprendizado? Como os elementos essenciais de uma cultura lhe seriam transmitidos? E como se todas essas indagações sociológicas não fossem suficientes, ainda temos aquele inquietamento mais simples, mais vigoroso e mais irracional: o ser humano precisa de companhia."


"Durante muito tempo desconheci completamente a história de Chris McCandless. Sua vida e sua morte, me eram tão estranhas quanto distantes. Entretanto, há algum tempo me deparei com o livro "Na Natureza Selvagem" e me senti profundamente impactada com o título. Eu não sabia do que ele tratava e ainda não tinha tido nenhum contato com o autor Jon Krakauer para pelo menos imaginar o que as páginas continham. Diante desse completo desconhecimento, adquiri o livro como um presente de aniversário adiantado, mas ele acabou ficando parado muito tempo na minha estante ainda que me chamasse tantas vezes para uma aventura. E depois de um longa temporada recusando o seu chamado, eu cedi e tive uma das maiores experiências da minha vida proporcionada por uma obra de pouco mais de duzentas páginas.


"Mais do que ser relevante pelo retrato histórico revelado por George Orwell, “A Revolução dos Bichos” demonstra cabalmente a necessidade ser lido ao tratar de forma muito contundente as relações de poder. Isso, porque, o leitor é conduzido de forma precisa por uma narrativa que demonstra que mesmo os melhores ideais podem ser deturpados quando os responsáveis pela sua execução passam a tratar a causa sob o prisma de possibilidade de favorecimento pessoal. Note que a essência da obra não transmite a mensagem de que o ideal nasce ruim, mas sim que um bom ideal pode ser transformado no pior dos pesadelos se não for executado de forma que melhor prestigie a sua essência."


"Sem sombra de dúvidas "O Sol é Para Todos" é uma história forte e que faz o leitor pensar sobre a sociedade que o cerca, bem como, o seu posicionamento diante das situações que a vida lhe cobra atenção. Me sinto profundamente agradecida por ter tido a oportunidade de ler esse livro e conhecer fatos como os que foram narrados nele. Ainda mais porque foi ele que trouxe até mim um personagem impactante como Atticus. Seria maravilhoso se tivéssemos mais pessoas como ele ao nosso redor! O que mais posso dizer além do que já foi dito? Apenas que essa obra pertence aquela categoria difícil de ser encontrada de livros que são capazes de não só mudar, como também, de salvar vidas."


"Orgulho e Preconceito é palco de uma trama extremamente peculiar e bem escrita, onde as relações familiares são o grande mote para que tudo aconteça de forma com que Mr. Darcy e Elizabeth venham a se encontrar durante boa parte da história. Mas engana-se quem acredita que esta história trata apenas de um romance recheado de drama e de amor, pois seguindo a mão paralela a essa, Austen nos leva também a refletir sobre os costumes de uma época extremamente machista e elitista que tem a mulher como um símbolo de perfeição (se assim o considerarmos sob a luz da premissa de que elas deviam ser submissas e subjugadas pelos homens sempre)."


"Se existe um autor que eu sempre faço questão de ter todas as edições dos seus livros é Edgar Allan Poe. Em "Histórias Extraordinárias" há a seleção de dezoito contos que trazem o melhor da obra do autor, especialmente, por oferecer os textos mais famosos, como, por exemplo, "O Gato Preto", "O Coração Delator" e "O Retrato Oval", cujo conteúdo demonstra à perfeição o porquê de ser conhecido como um verdadeiro mestre do horror e que inspira escritores de todas as gerações."


"Repleto de alegorias, “Senhor das Moscas” é portador de uma história intensa que surpreende o leitor pela maneira que o envolve em suas amarras até ele se ver sem saída diante do poder das palavras ali contidas. Aliás, poder é uma palavra realmente importante nesse livro. Pois é retratando o retrocesso de um grupo de crianças até que elas cheguem a um estágio de profundo instinto selvagem que o autor vencedor do prêmio Nobel de Literatura, convida o leitor a observar o desnudar da alma humana – através de uma narrativa simples em sua estrutura, mas macabra em sua finalidade – em busca daquilo que ele considera importante em sua vida, mesmo que seja sob uma óptica distorcida."

Essa foi uma pequena lista com algumas das melhores leituras que fiz nos últimos anos. Não levei em consideração as críticas especializadas a respeito dessas obras, mas sim a minha experiência de leitura com cada título. Agora me contem: quais os títulos que comporiam o Top 10 dos últimos dez anos de leitura de vocês?

--- Isabelle Vitorino ---

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