Resenha: Teto Para Dois por Beth O'Leary

Sou daquelas leitoras que gostam de ler mais de um livro ao mesmo tempo, principalmente porque às vezes olho para um livro na estante e simplesmente surge a vontade de realizar aquela leitura. E foi justamente isso o que aconteceu com "Teto Para Dois". Eu já tinha lido alguns comentários a respeito da obra, mas preferi não me aprofundar porque queria ter algumas surpresas, e tive, muitas por sinal.

Título: Teto Para Dois
Autora: Beth O'Leary
Editora: Intrínseca
Ano: 2019
Páginas: 400
Onde comprar: Amazon | Submarino
Sinopse: Eles dividem um apartamento com uma cama só. Ele dorme de dia, ela, à noite. Os dois nunca se encontraram, mas estão prestes a descobrir que, para se sentir em casa, às vezes é preciso jogar as regras pela janela. Três meses após o término do seu relacionamento, Tiffy finalmente sai do apartamento do ex-namorado. Agora ela precisa para ontem de um lugar barato para morar. Contrariando os amigos, ela topa um acordo bastante inusitado. Leon está enrolado com questões financeiras e tem uma ideia pouco convencional para arranjar dinheiro rápido: sublocar seu apartamento, onde fica apenas no período da manhã e da tarde nos dias úteis, já que passa os finais de semana com a namorada e trabalha como enfermeiro no turno da noite. Só que tem um detalhe importante: o lugar tem apenas uma cama. Sem nunca terem se encontrado pessoalmente, Leon e Tiffy fecham um contrato de seis meses e passam a resolver as trivialidades do dia a dia por Post-its espalhados pela casa. Mas será que essa solução aparentemente perfeita resiste a um ex-namorado obsessivo, uma namorada ciumenta, um irmão encrencado, dois empregos exigentes e alguns amigos superprotetores?

Tiffy está arrasada. Seu namorado, por quem ainda era apaixonada, não só a deixou, como também a colocou para fora do apartamento que dividiam. Desasperada e com quase nenhum dinheiro, ela decide alugar um apartamento em uma sistemática que ninguém acredita que vai dar certo: ela moraria com Leon, um cara que trabalho como enfermeiro no período da noite, e dividiriam a mesma cama - só que em horários diferentes. Confiante que faria as coisas funcionarem, logo Tiffy encontra uma forma de estabelecer uma comunicação com o seu colega de apartamento, porém, aquilo que começa com uma simples troca de recados, logo avança para conversas mais complexas e reveladoras. E como se não bastasse a sua estranha relação com o locatário que nunca viu pessoalmente, Tiffy ainda tem que organizar a bagunça interna deixada pelo seu ex e mostrar a excelente profissional que é.

Leon estava desesperado por dinheiro, por isso não pensou muito quando decidiu que alugaria o seu apartamento durante o período em que estivesse fora. No entanto, seu irmão estava preso por um crime que não cometeu e ele precisava tirá-lo de lá o mais rápido possível, não que o advogado que havia contratado entedesse esse conceito. Então receber Tiffy em sua casa não parecia a ideia mais absurda de todas, ainda que sua namorada não concordasse nada com a ideia. Para deixá-la mais confortável, pediu sua ajuda na intermediação e até aceitou a louca regra de nunca encontrar Tiffy pessoalmente. No entanto, quando ambos começam a trocar mensagens, aquela mulher que antes só parecia uma esquisitona que usava roupas coloridas, começou a ganhar um espaço na sua vida. O que não era nada fácil de conciliar, principalmente quando sua rotina girava em torno de um hospital com pacientes terminais e a sua dificuldade em revelar os seus pensamentos.

Sabe aquelas histórias que começam de maneira despretenciosa, mas que guardam diversas camadas para o seu leitor? Bom, "Teto Para Dois" é exatamente essa caixinha de surpresas. A leitura avança de maneira gradual e permite com que o leitor acompanhe o desenrolar da interação de Tiffy e Leon paulatinamente e muitíssimo agradável. Uma das grandes habilidades da autora é conseguir nos manter conectados mesmo quando tudo parece calmo. Essa é uma habilidade que eu admiro muito nos escritos, já que isso, na maioria das vezes, indicam excelentes cenas de tensão. Acredito que tudo se torna ainda mais agradável por causa dos seus personagens, incluindo os secundários. Isso, porque o desenvolvimento impecável de cada um deles nos faz ansiar por detalhes e aparições, de modo que ao final, a única saída é se conformar o calorzinho no coração por eles.

Todavia, é inegável que a força dos protagonistas foi o que me manteve cativa e não me permitiu desgrudar das páginas até chegar ao fim. Se por um lado temos Tiffy com sua personalidade solar, do outro temos Leon, com o seu jeito taciturno, e essa mistura, que a princípio pode parecer clichê, toma contornos e proporções diferentes na obra de Beth. Muito disso se deve a maneira certeira que a autora explorou as nuances que envolvem os relacionamentos amorosos, principalmente a partir da forma de abordar a sistemática das relações abusivas e os seus reflexos na vida não só da vítima, como também daqueles que estão ao seu redor. Essa, sem sombra de dúvidas, foi uma das particularidades da obra que mais me chamou a atenção durante a leitura, pois apesar de "Teto Para Dois" ser divulgado como um romance fofo, a história está repleta de carga emocional e de questões complexas, atuais e que merecem ser debatidas.

Acerca deste ponto, é importante ressaltar a genialidade da autora ao mostrar as dificuldades enfrentadas por uma vítima de um relacionamento abusivo de caráter psicológico perceber que essa também é uma forma de violência, e que, causa danos que muitas vezes duram uma vida inteira. Sofri junto com Tiffy em todos os momentos de entendimento acerca daquilo que ela viveu, e mais uma vez, fiquei maravilhada com a forma que Beth mostrou a imprescindibilidade de se ter uma rede apoio para enfrentar situações como essa. Por outro lado, o livro consegue também trazer leveza, momentos cômicos e de muito romance, principalmente, nas interações de Tiffy e Leon, e de ambos com os seus amigos. Logo, é incontestável que "Teto Para Dois" é um livro completo e que promove um troca do leitor com a obra capaz de marcá-lo para sempre. Simplesmente, leiam.

A vida costuma ser simples, mas a gente não nota até que ela se torna absurdamente complicada, tipo quando só se fica feliz por estar bem quando se fica doente, ou quando só se fica feliz com sua gaveta de meias-calças quando se rasga um par e não tem nenhuma sobrando.

--- Isabelle Vitorino ---

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