Resenha: Gênese por Karin Slaughter

Estou em um momento da minha vida que oscilo entre adorar leituras leves e querer desesperadamente leituras mais densas. No entanto, às vezes eu quero um meio termo e isso eu encontrei na escrita de Karin Slaughter, uma autora de literatura policial que me surpreendeu trazendo aspectos investigativos e de drama pessoal de excelência.

Título: Gênese
Série: Will Trent #3
Autora: Karin Slaughter
Editora: Record
Ano: 2017
Páginas: 490
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Sinopse: Uma caçada a uma mente doentia que está prestes a dar vazão a toda a crueldade de que a natureza humana é capaz. Quando uma paciente chega à emergência do hospital Grady gravemente ferida, a médica Sara Linton se depara com um mundo de violência e terror. A mulher foi atropelada por um carro, mas, completamente nua, com marcas de tortura pelo corpo, ela parece ter sido vítima de uma mente muito perturbada. A polícia começa a investigação, porém o detetive Will Trent não se dá por satisfeito. Ele logo descobre uma câmara subterrânea que esconde uma revelação macabra: a mulher que deu entrada no hospital não foi a única vítima desse sádico. Com a ajuda da Dra. Linton, Will e a sua parceira, Faith Mitchell, mergulham na caça ao assassino. Quando outra mulher desaparece sem deixar vestígios, a verdade os atinge como um golpe brutal: o esconderijo do assassino foi descoberto, mas ele continua em ação. Agora os três são o único obstáculo entre um louco e sua próxima vítima.

Uma mulher foi atropelada e socorrida para um hospital com diversos ferimentos, porém, as marcas no seu corpo indicavam que ela era uma vítima de torturas perversas e cruéis, que por pouco não a mataram. Ansiando por entender o que aconteceu com ela, Will Trent volta ao local do atropelamento e encontra uma câmara subterrânea nas proximidades que lhe dão um ideia do que a vítima sofreu nas mãos de seu algoz. A perturbação que aquilo provocou no detive alcança um nível ainda maior quando ele encontra outra mulher com ferimentos muitos similares, mas infelizmente essa tivera uma sorte pior do que anterior, já que não teve chances de ser encontrada com vida.

Cada vez mais incomodado com as circunstâncias daquele crime, Will conta com o auxílio da parceira Faith Mitchell, que está passando por um momento delicado da sua vida ao se descobrir grávida e diabética, bem como da Dra. Sara Linton, uma médica enlutada que tenta superar a morte do marido e refazer a sua carreira. No entanto, se antes o interesse era fazer justiça pelas vítimas, tudo ganha novos contornos quando uma mulher diferente desaparece, assim, a consciência de que estão diante de um criminoso em série impulsiona a investigação para que a equipe não só consiga salvar a pessoa desaparecida, como também evitar que seja feita uma nova vítima.

"Gênese" é o terceiro livro da série que acompanha o detetive Will Trent e só posso dizer que, apesar de querer muito saber de outros detalhes do passado dele e de personagens como Faith, a leitura fora de ordem não prejudicou em nada a compreensão da história, já que cada título traz uma investigação diferente. Além disso, a todo o momento a autora lança luz à detalhes da vida dos protagonistas, de modo que já iniciamos a história conhecendo, por exemplo, as dificuldades enfrentadas por Will Trent com a leitura e a escrita, pois, apesar de ser inteligente e possuir habilidades únicas para a polícia, ele sofre pelas suas limitações, o que acaba gerando certa dependência dele com a sua parceira Faith.

E não só isso, a sua infância permeada por um histórico de abandonos deixou-o com cicratizes físicas e psicológicas profundas, que o prendem a um relacionamento tóxico com Angie, uma mulher do seu passado que entra e sai da sua vida quando bem entende. Uma personagem que é uma incógnita para Will, é a Dra. Sara Linton, pois apesar dele sentir uma inegável atração por ela, ele se acha indigno de alguém assim, principalmente por sentir vergonha da sua condição. É interessante observar que esse personagem possui uma tremenda força de vontade e dribla todas as circunstâncias difíceis que estão no seu presente e passado para fazer o seu trabalho com maestria, garantindo que os criminosos sejam responsabilizados pelos seus atos.

Nesse livro, a investigação é conduzida com uma lenta construção do perfil do criminoso por meio da análise dos locais do crimes, dos seus atos criminosos, das personalidades das vítimas e de toda a simbologia por trás de cada descoberta. É uma obra com um bom ritmo e que apresenta novos detalhes para o leitor a cada página, porém, a autora deixa pontas soltas que permitem vislumbrar o criminoso logo no início da história. Confesso que a confirmação de que a pessoa que eu desconfiava era a responsável por tudo, tirou um pouco do brilho do enredo, já que adoro ser surpreendida com essa informação, no entanto, isso foi minimizado com a exposição dos seus motivos e da sua verdadeira personalidade - que é uma das mais aterradoras que já vi.

Sem sombra de dúvidas Karin Slaughter entrou para o rol das minhas autoras favoritas na literatura policial, pois além de fazer uma abordagem criminal de excelência, ela consegue tratar de temas complexos como disléxia, obsessão e as consequências de traumas não tratados no passado. Me encantei com a forma que a autora conduziu a história, deixando sempre um gostinho de quero mais. Inclusive, o sentimento que tive ao final há muito eu não sentia: a de que eu precisava da sequência da série no minuto seguinte. Sim, senhoras e senhoras, certamente vocês irão me ver falando muito mais sobre Will Trent e as tramas investigativas de Slaughter.

Sangue, fluídos, órgãos, tecidos; cada componente construía uma peça do quebra-cabeça. Um corpo não mentia. Os mortos nem sempre levavam seus segredos para o túmulo. - Pág. 172

--- Isabelle Vitorino ---

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