Resenha: A Descoberta das Bruxas por Deborah Harkness

Eu conheci a história de "A Descoberta das Bruxas" por meio da série de TV. Logo após maratonar a primeira temporada, decidi que tinha ler o livro com urgência. No entanto, não encontrei aquilo que eu esperava... O porquê disso, conto na resenha de hoje.

Livro: A Descoberta das Bruxas
Série: Trilogia das Almas #1
Autora: Deborah Harkness
Editora: Rocco
Ano: 2011
Páginas: 640
Onde comprar: Amazon | Livraria Cultura
A professora Diana Bishop foi convencida pelo medo de que é melhor ser humana do que bruxa. Mas quando descobre um antigo manuscrito com a origem de espécies sobrenaturais, fica muito próxima do mundo do qual sempre fugiu. Demônios e vampiros passam a cruzar seu caminho, e o instinto de sobrevivência dessas criaturas faz Diana ser uma presa vulnerável. Até que ela seja capaz de dominar os próprios dons e usar seus poderes.

Diana Bishop é uma jovem professora universitária que decidiu colocar de lado qualquer centelha de magia existente em seu sangue para seguir a sua vida como uma pesquisadora de alquimia. Apesar de ser americana, ela está de volta à Inglaterra para lecionar na sua antiga universidade e construir a carreira que sempre desejou. No entanto, após ter acesso a um livro misterioso na biblioteca do local, coisas estranhas começaram a acontecer. Isso, porque, as bruxas do conciliábulo britânico estavam curiosamente interessadas em suas atividades, e como se isso não bastasse, um vampiro antigo passou a rondar a sua vida, lhe causando um incomôdo que ela era incapaz de explicar, ainda mais quando ele a olhava como se estivesse vendo muito mais do que ela realmente era.

Matthew Clairmont é um vampiro antigo e componente de uma das famílias mais respeitadas no mundo sobrenatural, mas acima de tudo, ele era alguém devotado a pesquisa. Apesar de não pertencer mais ao corpo docente, suas idas à universidade eram repletas de privilégios, o que incluía a solicitação de qualquer livro da biblioteca. Entretanto, a única obra que ele possuía um verdadeiro interesse em examinar era inalcansável, inclusive, até o fátidico dia em que a bruxa o havia tocado, ninguém mais tinha visto o misterioso exemplar. Por isso ele decidiu ficar de olho em Diana até o momento em que o livro fosse solicitado por ela mais uma vez. O seu interesse era unicamente no que poderia descobrir ao examinar a obra, porém, ao observar a fragilidade da bruxa e o quanto ela ignorava o poder que possuía, ele não teve saídas a não ser protegê-la de todos os inimigos que a cercavam.

Em um primeiro momento, eu gostaria de destacar que esse é o tipo de história que me torna sedenta por mais da primeira até a última página. Afinal, temos criaturas misteriosas, cenários deslumbrantes, um livro poderoso - e que está perdido - e, ainda, uma escrita envolvente. Todos esses elementos são tentadores demais para uma leitora como eu, e considerando que eu acabara de assistir a primeira temporada de "A Discovery of Witch", as minhas expectativas não poderiam ser maiores com relação ao que eu encontraria. No entanto, pouco a pouco o meu encanto foi diminuindo a ponto de eu demorar longos três meses para concluir a leitura da obra.

De início, cogitei que o problemas estava comigo, já que uma obra que inspirou uma série tão maravilhosa não poderia ser de todo ruim. E não é, a verdade é que pequenas coisas me desistimularam no decorrer da leitura. A primeira delas está relacionada aos vícios de linguagem da autora, principalmente, pelo uso concomitante da primeira e da terceira pessoa em um mesmo parágrafo. Isso, porque, em que pese o livro tenha sido construído a partir do ponto de vista de Diana, por vezes ela fazia o papel de narrador onisciente e isso deixava a história confusa. Outro ponto que me desagradou foram as diversas páginas dedicadas ao tempo em que ela passou na França, longe não só do cenário londrino, como também do americano. São páginas e mais páginas dedicadas a sua familiarização com o mundo dos vampiros e com cavalgadas pela manhã.

Apesar da prolixidade ser algo que não me incomode, me senti enganada pela autora por diversas vezes, acho que por isso o seriado me encantou mais, a narrativa rápida e focada nos acontecimentos mais relevantes para o desenvolvimento da história se contrapôs de maneira perfeita com a principal qualidade do enredo: a riqueza dos personagens. Bom, se tem algo que Deborah Harkness faz muito bem, esse algo são personagens extremamente envolventes e complexos. Diana, por exemplo, é uma mulher estudiosa e independente, que sempre buscou viver de acordo com os seus desejos, se afastando, assim, de qualquer possível destino que a sua família de bruxas tivesse planejado. Já Matthew, é extremamente refinado e culto, por ser um dos vampiros mais antigos, acaba ingressando em uma jornada onde pretende entender qual o sentido da sua existência. E é justamente por causa disso que Diana e Matthew acabam se encontrando.

Esse encontro nos permite conhecer diversos personagens espetaculares, como Ysabeau e Marcus, a mãe e o filho do Matthew, Sarah e Emily, as tias de Diana, e ainda todas as demais criaturas que surgem no decorrer do livro e que enriquecem ainda mais a trama. Isso, porque, no universo criado pela autora, as criaturas mágicas personificadas em bruxos, vampiros e demônios vivem entre os humanos. Apesar deles não poderem revelar a verdadeira identididade que possuem, podem exercer quaisquer atividades, desde que isso não isso não cause grandes interferências no cenário político e econômico, por exemplo. Para manter tudo em ordem, há um conselho composto por três membros de cada uma dessas classes de seres, inclusive, o irmão mais velho de Matthew faz parte dele. E porque é importante mencionar a existência de regras e de um órgão de controle?

Porque relacionamentos interespécies é terminantemente proibido e isso é justo o que temos com Diana e Matthew, já que embora eles tenham se aproximado pela vontade do vampiro em ter acesso ao livro que Diana retirou da biblioteca, eles passam a se envolver amorosamente e isso provoca uma série de ataques orquestrados por membros tradicionalistas do conselho. Além disso, o fato do livro que a nossa protagonista acessou ter desaparecido há anos e todos ansiarem por saber qual o seu conteúdo, colabora e muito para que outros ataques sejam realizados. As cenas de ação também são bem desenvolvidas, mas ainda são poucas considerando todo o potencial existente na história. Esse ponto, em especial, me deixou mais chateada próximo ao final do livro, já que nem tudo saiu como a autora induziu durante toda a narrativa.

Por tudo o que eu falei, acredito que consegui transparecer exatamente a montanha-russa que vivi lendo "A Descoberta das Bruxas", pois ao mesmo tempo que eu revirava os olhos para certas coisas colocadas pela autora, outras eu me surpreendia com a sua genialidade (em especial, a força de seus personagens e a ambientação rica). Isso tudo me deixou em um impasse tremendo, ainda mais por eu ter amado o seriado, porém, ao fim consegui vislumbrar mais aspectos positivos do que negativos, e mesmo que as minhas expectativas tenha sido quebradas, pretendo continuar lendo a série "Trilogia das Almas" para descobrir mais sobre o misterioso livro que todos querem e a forma com que Diana e Matthew resolverão todas as questões que ficaram pendentes nesse volume. Finalmente, digo que se você gosta de romance, história e fantasia, essa é uma obra que pode conquistar o seu coração, então, na dúvida: leia.

É uma benção e uma maldição, amar a ponto de enlouquecer de dor quando o amor se vai.

--- Isabelle Vitorino ---

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