Resenha: Todo Ar que Respiras por Judith McNaught

Sempre que penso em uma autora capaz de me arrancar suspiros com os seus romances o nome de Judith McNaught aparece em letreiros de néon da minha mente. Infelizmente, durante muito tempo os seus livros não foram tratados da maneira adequada aqui no Brasil, mas eis que desde meados de 2017 a editora Betrand voltou a publicar títulos que há muito estavam esgotadíssimos por aqui. E para celebrar esse momento especial, hoje trago a resenha de um dos livros mais emblemáticos da autora: Todo Ar que Respiras.

Título: Todo Ar que Respiras
Série: Segundas Oportunidades #4
Autora: Judith McNaught
Editora: Bertrand Brasil
Ano: 2008
Páginas: 488
Onde comprar: Amazon
Dona de um restaurante em Chicago, Kate Donovan não poupa esforços para cumprir seus objetivos. Mitchell Wyatt é um empresário de personalidade indomável, herdeiro da expressiva fortuna da família Wyatt. Kate tentou resistir a Mitchell, mas foi em vão. A princípio, deram passagem à timidez, mas com o tempo se entregaram a um turbilhão de emoções novas e mágicas, diferente de todas as experiências que já haviam vivenciado. O cenário da paixão arrebatadora é a ilha tropical de Anguila, território britânico no Mar do Caribe. Mas a plenitude da felicidade chega ao fim quando Mitchell é intimado por sua família a comparecer ao interrogatório sobre o desaparecimento de seu irmão. Insegura, Kate começa a desconfiar do que sabe a respeito de sua misteriosa paixão. Numa história que dosa paixão, mistério, assassinato e psicologia em tom dinâmico e arrebatador, a mestre do romance, Judith McNaught, autora do best-seller Whitney, Meu Amor, instiga leitores do mundo inteiro a conhecer o desfecho dessa eletrizante relação de Kate e Mitchell e das inúmeras intrigas em que se envolvem.

Kate é uma mulher batalhadora e persevarante, que não se deixa abalar diante dos desafios que a vida lhe impõe. É por isso que mesmo estando em processo de recuperação do luto pela perda do seu pai, ela aceita fazer uma viagem romântica para uma ilha no Caribe com o seu noivo. No entanto, o que ela não imaginava era que ao chegar lá seria deixado sozinha e à mercê da tentação personificada em Mitchell, um homem misterioso e extremamente sensual que insiste em entrar na sua vida. O que nenhum deles esperava era que a breve relação significasse mais do que um encontro casual e que os sentimentos despertados naqueles momentos de amor durassem uma vida inteira.

Não me recordo quantas vezes li o livro "Todo Ar que Respiras", mas lembro que eu era uma jovem adolescente quando tive o meu primeiro contato com a história. Meus arroubos juvenis sempre me conduziram de maneira muito eficaz com relação aos meus sentimentos e a minha visão de mundo, acredito que por isso a minha primeira experiência de leitura sobre os acontecimentos que cercaram a vida de Kate e Mitchell não me deixaram plenamente convencidas a respeito da moralidade do início da relação do casal.

Isso, porque, tudo começa com uma traição. Sim, vocês não leram errado, os protagonistas iniciam todo o romance tórrido durante uma viagem, na qual Kate deveria estar com o seu noivo, mas que por razões adversas acaba ficando sozinha em uma ilha tropical. Lembro que na época que li resenhas a respeito do livro, muitas leitoras questionaram justamente esse ponto e eu fiquei elaborando uma tese de defesa para os personagens, porém, não consegui. Mas o fato de não conseguir encontrar uma justificativa plausível para as atitudes de ambos não me impede de encontrar conforto na certeza de que a imperfeição humana vez ou outra nos conduz para situações difíceis e até contrárias ao que acreditamos.

Inclusive, a autora trabalha essa questão moral em Kate, que pensa muito acerca de entrar ou não em uma relação com Mitchell, o que também me deixou mais aliviada. Isso associado as descobertas que inevitavelmente a protagonista faz no decorrer do livro, dá um certo alento no coração. No entanto, as leitoras mais assíduas de Judith McNaught também apontam o livro como sendo um pouco inferior com relação aos demais, o que eu, particularmente, tenho muito dificuldade em aceitar. Isso, porque, em que pese "Todo Ar que Respiras" seja mais condensado que outros livros, consigo visualizar bem a essência da série "Segundas Oportunidades".

Afinal, temos uma protagonista de personalidade forte, e em muitos aspectos à frente do tempo se considerarmos o contexto histórico que a própria escritora cresceu - já que ela tem pouco mais de 70 anos de idade -, um protagonista que consegue mesclar bem a vulnerabilidade emocional com os traumas do passado e uma situação que os leva até o ápice de decidir se são capazes ou não de colocar o amor acima das diferenças e dos equívocos de interpretação. Nesse livro, em especial, temos uma trama até novelesca, já que após tórridas noites de amor e o desencontro do casal, Kate fica grávida e esconde a existência do filho de Mitchell o máximo que pode.

Não vou adentrar sequer no mérito do prejuízo que isso causa a uma criança, pois imagino que vocês possuem uma opinião a respeito do assunto. No entanto, pontuarei que Kate têm alguns bons motivos para tanto e isso, é claro, está ligado ao desencontro que ambos tiveram anteriormente, mas não só isso, acredito que no caso dessa história a autora fez uso desse artifício como forma de justificar o perdão e estimular o reencontro do casal. Ou seja, mesmo que essas questões sejam extremamente relevantes no ponto de vista familiar, no enredo essa situação tem fins mais românticos - o que eu não sei se aprovo de todo modo.

Imagino que vocês devam estar aí do outro lado imaginando o que enxerguei de positivo nessa história que me faz amá-la apesar de todos os defeitos e a minha resposta para isso é muito simples: a autora aborda a fragilidade humana e a sua fraqueza no agir. O que me deixa sempre cativa nas leituras de Judith McNaught é justamente a forma com a qual ela trata dos sentimentos humanos, pois por trás da aparente perfeição, física e social, os seus personagens são falíveis como qualquer pessoa e tomam decisões moralmente erradas e precipitadas, sem que isso desperte no leitor a sensação de ojeriza.

Essa aproximação dos personagens com o leitor é um dos seus maiores talentos, isso, e a forma incrível que ela conta uma história de amor. Logo, o encerramento dessa resenha não poderia ocorrer de outra forma que não eu recomendado para vocês a leitura de "Todo Ar que Respiras", tenho certeza que no decorrer da leitura vocês perceberão todas essas nuances que tornam essa história grandiosa, apesar da aparente sensação de que há questões controvertidas demais no texto da autora para que vocês possam amá-la. Confiem em mim, eu lhes asseguro que ao fechar o livro vocês terão a sensação de que a jornada com esses personagens valeu muito a pena.

O que estou tentando dizer é que há uma quantidade impressionante de química entre nós, mas ontem à noite, na praia ao luar, aqueles nossos poucos beijos talvez tenham parecido... Qual a palavra que não me vem à mente?- Mágicos?- Mágicos chega bem próximo. Pág. 174

--- Isabelle Vitorino ---

Postar um comentário

Obrigada pela visita, dê sua opinião, participe e volte sempre.

- Caso tenha uma pergunta deixe seu e-mail abaixo que respondo assim que o comentário for lido.

- Caso sua mensagem não tenha relação com o post, envie para o e-mail.