6 de março de 2017

Resenha Especial: O Homem Invisível por H.G. Wells

Achara que eu tinha sumido? Pois eu só estava invisível!
Falando nisso, pergunta: Se você se torna-se invisível por um dia, o que você faria?

Pois senta comigo que é sobre o que vamos conversar hoje!

Título: O Homem Invisível
Autora: H.G. Wells
Editora: Zahar
Ano: 2017
Páginas: 200
Onde comprar: Amazon |Saraiva | Submarino
Os habitantes da pacata Iping têm toda razão de não conseguirem falar sobre outra coisa. O desconhecido que se hospedou na pensão local está sempre coberto da cabeça aos pés, com o rosto inteiramente envolto em bandagens. Além disso, chegou trazendo um verdadeiro laboratório portátil e um rastro de mistério, que aumenta ainda mais quando crimes começam a acontecer e quando se descobre que o homem é... invisível! Sucesso desde a publicação, em 1897, O Homem Invisível mistura humor e ficção científica, além de ser também um belo livro sobre solidão, incompreensão e os laços entre o indivíduo e a humanidade. Essa edição, com o selo de qualidade Clássicos Zahar, traz o texto integral, mais de 90 notas, cronologia de vida e obra de Wells e uma instigante apresentação. A versão impressa apresenta ainda capa dura e acabamento de luxo.

Estamos na pacata e pequena cidade de Iping, na Inglaterra, em pleno fevereiro, onde, diferente de nossa amada terra tupiniquim, um forte inverno com muito frio e neve montam um clima desolador. Em meio a tal situação climática, eis que surge na cidade um estranho, que logo se dirige à pensão Coach and Horses. A dona do lugar, a sra. Hall, alegra-se, pois hóspedes no inverno sã raros, ainda mais um que não fica a pechinchar valores. 
Mas tal alegria logo se mostra premeditada. O hóspede em questão, além de ser taciturno, irritado e de poucas palavras, Apresenta-se sem exibir a qualquer parte de seu corpo, com exceção da ponta do nariz, pois todo o rosto encontra-se coberto em bandagens e os olhos tapados com grandes óculos de lentes espelhadas, gerando curiosidades por parte da senhora, que logo deduz que seu novo inquilino sofreu algum grave acidente.
Logo, a medida que o misterioso jovem interage com os membros dessa cidade, todos criam uma antipatia pelo mesmo, que é grosseiro, mal-educado e dado a rompantes de fúria. A coisa torna-se ainda mais misteriosa quando, ao ter acesso a seus itens, o rapaz se isola no salão de hóspedes dando início a seus mirabolantes experimentos. Somado a chegada desse bizarro visitante, coisas estranhas passam a acontecer na cidade, como o roubo à casa do vigário da cidade, onde nem ele nem sua esposa viram alma viva no local, apesar dos barulhos e do óbvio assalto.
A tensão chega ao seu ápice quando descobrimos a verdade: O misterioso não é deformado, mas sim um homem totalmente invisível, brincando assim com as percepções e senso de realidade dos moradores da região.
Meus caros amigos e companheiros do blog estão carecas de saber que é bem mais fácil o segundo advento de Cristo acontecer no exato momento em que você, leitor, se debruça sobre essas palavras do que minha pessoa ter qualquer interesse em ficção científica. Culpem minha inexperiência no ramo científico, minha falta de curiosidade ou mesmo minha limitada capacidade de percepção da temática, mas tal gênero fictício, seja na literatura ou no cinema, dificilmente consegue gerar em mim algo mais que tédio e um contínuo revirar de olhos. Com isso em mente, vocês devem imaginar a carga de preconceito que levei comigo ao entrar em contato com esse livro, mas resolvi mesmo assim dar o que chamei de "minha última chance à Ficção Científica".
Não vou iludi-los de que este livro está entre minhas leituras favoritas da vida, mas ele tem aspectos bastante interessantes que gostaria de trazer à tona.

O livro, publicado no ano de 1897, tornou-se um marco por tratar de um dos maiores desejos humanos, a capacidade de se tornar invisível. Mas o que diferiu ele de outras obras é que essa invisibilidade não vei por meios fantásticos, como criaturas mágicas e encantamentos. Muito pelo contrário, temos aqui um cientista que, após anos em sua busca e estudos incessantes, conseguiu desenvolver uma forma de transformar, graças a ciência, a matéria em algo completamente não visível! Não o bastante, a obra ainda trás uma boa carga de mistério e elementos de horror que tornam toda essa descoberta e narrativa algo único e inusitado.

O livro contempla 28 capítulos, extremamente curtos e bastante rápidos de serem lidos, dando uma boa dinâmica à história. O enredo não é algo extenso e com muita profundidade, sendo bem preciso e sem muitas delongas. A escrita do autor tem um tom que vai do simples, não se estendendo demasiadamente em explicações teóricas e científicas, apesar de, obviamente, ter sim sua parcela de explanações.

Mas o grande foco da história, obviamente, será nosso protagonista. Griffin (Nome que só descobrimos muito a frente na história) é um jovem cientista apaixonado pela Óptica (Que todos nós que já tivemos física na escola sabemos que é o ramo que estuda a luz e a visão humana, bem como os fenômenos que ocorre entre ambos) e não mede esforços para fazer com que sua mais ambiciosa experiência dê sucesso. O grande problema é que estamos diante de um dos protagonistas mais falhos e errados da literatura mundial. Egoísta, presunçoso e mesquinho, Griffin não poupa nem o próprio pai para obter financiamento para seus estudos. E após ter sucesso, tais características apenas pioram.

É interessante percebermos como o psicológico do personagem é afetado após seu experimento. É como se a experiência não apenas tivesse deixado sua matéria transparente, mas também sua personalidade. O descaso total com as demais vidas humanas bem como um egocentrismo monstruoso tornam do ambicioso rapaz uma pessoa tão vilanesca que torna-se impossível sentir qualquer compaixão pelo mesmo.

Também é válido observar que o autor usa dessa habilidade, a invisibilidade, para nos mostrar sobre desejos e as consequências do mesmo. Mesmo tendo obtido sucesso, Griffin agora não consegue reverter seu processo, tendo que viver a margem da sociedade e a vagar pelo mundo sem vestimentas, tecnologias ou mesmo alimentos, tudo por causa de seu egoismo, por não querer dividir seu conhecimento com mais ninguém.

O livro, por ser tão conhecido e desencadear tantas outras histórias, seja para literatura, cinema ou televisão, pode acabar desapontando leitores muito eufóricos por grandes feitos, personagens complexos, ou aventuras de tirar o fôlego, mas é sim uma leitura muito válida, pois acaba sendo um ensaio sobre a vaidade humana, que te prende com diversos momentos tensos e uma boa fluidez na leitura.
Após causar diversos transtornos, seja para desconhecidos, seja para antigos colegas, Griffin tem um final trágico que me faz apenas lembrar de algo que minha mãe sempre me falou: "Tome muito cuidado com o que deseja, pois pode se realizar"

"Antes de fazer esse louco experimento, eu havia sonhado com milhares de vantagens. Nessa tarde, todas parecem pura decepção. Fui direto ao ápice das coisas que os homens consideram desejáveis. Sem dúvida a invisibilidade tornou possível obtê-las, mas tornou impossível desfrutá-las quando alcançadas. Ambição... de que vale o orgulho de ocupar uma alta posição se você não pode aparecer? De que vale o amor de uma mulher se seu nome é Dalila? [...] Acabei me tornando um mistério enfaixado, uma caricatura amortalhada de homem!" - Págs 157-158

--- Marcel Elias ---

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