19 de setembro de 2016

Confissões de Uma Blogueira em Crise: A Arte de Entender o Tempo


Enquanto escrevo esse texto, deixo que as palavras apenas fluam pelos meus dedos enquanto toco as teclas do notebook repetidamente. Há muito tempo não me permito simplesmente sentar e escrever sem ter em mente muita coisa.

A palavra-chave da minha vida parece ser mesmo "tempo". Perdi as contas de quantas vezes vim aqui e conversei com vocês a esse respeito. Temos escritos dos mais variados, eles vão desde um olhar desesperado a respeito de como sinto que não conseguirei fazer nada mais que não seja cumprir as minhas responsabilidades até um planejamento mental de como evitar o mal da procrastinação.

Acredito que, assim como, a grande protagonista do incrível Edgar Allan Poe foi a morte, quem protagoniza a minha vida é o tempo. Durante anos pensei que isso era apenas uma fase da qual eu poderia escapar em algum momento, mas quanto mais crio consciência de sua presença influindo e modificando cada coisa que me rege, me dou conta de que o seu avanço significa que menos chances eu tenho. 


Que chances seriam essas? A de viver com plenitude. Aproveitar o nascer do sol mesmo quando eu só queria estar na cama por mais alguns minutos. Curtir cada movimento do meu corpo  na academia mesmo quando eu só queria ficar quieta e ouvir "Le Vent Nous Portera" uma segunda e terceira vez. Desfrutar de uma leitura acadêmica difícil mesmo quando eu só queria reler Harry Potter pela milésima vez.

Sim, parece contraditório abrir mão de coisas que amo para experimentar aquelas que não me satisfazem tanto assim, entretanto, viver é isso. Até quando terei oportunidade de fazer tudo o que eu considero chato, mas que me dá o retorno mais gratificante de todos que é ter uma vida com finalidades outras que não a de apenas existir?

Você deve estar se indagando o porquê de eu vir aqui só para falar sobre isso e apesar da minha justificativa ser apenas a de que eu me senti inspirada após trabalhar duramente em um artigo em que tento demonstrar que apesar das convenções e regramentos o maior pacto jurídico deve ser a favor da garantia da vida com significado, tenho que ir além e dizer que eu também sentia falta de me conectar com vocês.


Há muito tempo o blog deixou de ser aquele lugar onde eu só venho com o compromisso de escrever uma resenha e esperar que alguém leia. Sinto que apesar de termos tantos leitores que passam por aqui sem deixar sua marca, de alguma forma todos os que vieram (e voltaram uma e outra vez) se importam com todos os que fazem o Mundo dos Livros. Afinal, se não o fosse você não teria chegado até este ponto do texto, não é verdade?

Acredito que a mensagem que quero deixar para quem está me lendo é a de que mesmo diante de uma montanha-russa louca que é viver, aquilo que conquistamos verdadeiramente nunca irá se perder. Por isso, mesmo que demore um dia, uma semana, um mês, um ano, eu sempre estarei deste lado pensando em uma forma de dominar o tempo e voltar para o meu lar que é as palavras. Um pedido? Não desista de mim. Não desista de nós. Volte sempre!

--- Isabelle Vitorino ---

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