15 de março de 2016

Resenha: Enquanto Bela Dormia por Elizabeth Blackwell

Queridos leitores, hoje vamos ao encontro de um dos livros mais emocionantes que eu já li em toda a minha vida! Nunca pensei que uma releitura de um clássico pudesse superar o mesmo. Esta é uma verdadeira obra prima. Vamos lá?

Título: Enquanto Bela Dormia
Autor (a): Elizabeth Blackwell
Editora: Arqueiro
Ano: 2016
Páginas: 368
Onde comprar: Saraiva | Submarino
Nos salões de um castelo, uma confidente leal guardou por muitos anos os segredos de uma rainha linda e melancólica, uma princesa que só queria ser livre e uma mulher que sonhava com a coroa. Esta é sua história. Ambientada em meio ao luxo e às agruras de um reino medieval, esta releitura de A Bela Adormecida consegue ser fiel ao clássico ao mesmo tempo que constrói uma narrativa recheada de elementos contemporâneos. Nessa mescla, os dramas de seus personagens – um casal infértil, uma jovem que não aceita viver em uma redoma e uma família despedaçada pela inveja – tornam-se atemporais. Quando a rainha Lenore não consegue engravidar, recorre aos supostos poderes mágicos da tia do rei, Millicent. Com sua ajuda, nasce Rosa, uma menina linda e saudável. No entanto, a alegria logo dá lugar às sombras: o rei expulsa de suas terras a tia arrogante, que então jura se vingar. Seu ódio se torna a maldição que ameaça a vida de Rosa. Assim, a menina cresce presa entre os muros do castelo, cercada dos cuidados dos pais e de Flora, a tia bondosa e dedicada do rei que encarna a fada boa do conto original. Mas quando todas as tentativas de proteger Rosa falham, é Elise, a dama de companhia e confidente da princesa, sua única chance de se manter viva. E é pelos olhos dessa narradora improvável que conhecemos todos os personagens, nos surpreendemos com o destino de cada um e descobrimos que, quando se guia pelo amor – a magia mais poderosa do mundo –, qualquer pessoa é capaz de criar o próprio final feliz.

Essa é uma história que vai além dos contos de fadas. Quando a rainha Lenore não consegue engravidar, sai em uma peregrinação com a tia do rei, Millicent, em busca de ajuda para finalmente dar um filho ao rei Ranolf. Depois de muita dificuldade, nasce Rosa, uma garotinha linda e saudável, mesmo tendo algo sombrio relacionado à sua concepção dentro do ventre de sua mãe. No entanto, a felicidade logo dá lugar a uma tristeza sombria: O Rei expulsa sua tia arrogante por querer ter autoridade sobre sua mulher e filha e esta jura se vingar. No dia do batismo da garotinha, Millicent aparece para jogar uma maldição em todos e se vai, deixando o medo tomando conta do rei e da rainha por sua amada filha. Rosa cresce aprisionada entre as paredes do castelo, sobre o intenso cuidado de seus pais e de Flora, que promete não deixar nada de mal acontecer a garota enquanto estiver ali.

Porém, quando tudo parece estar perdido, Elise, a dama de companhia e confidente da princesa se mostra a única chance de manter Rosa viva. E, pelos olhos dessa narradora que vamos embarcar nesse clássico de um ponto de vista totalmente diferente, que irá surpreender a todos.

E é por surpreendente que eu começo a falar de “Enquanto Bela Dormia”. De um ângulo totalmente diferente, damos de cara com um dos maiores clássicos totalmente repaginado. Começando com a personagem principal e narradora que não existia no original, uma moça de infância humilde, mas com um grande potencial para o topo, Elise. Ela sai do campo depois que sua mãe e boa parte de seus irmãos morrem e vai à St. Elsip, tentando um emprego no castelo. Depois de consegui-lo, consegue evoluir rapidamente de cargo, chegando a ser a empregada de maior confiança da rainha e da pequena Rosa, fazendo parte de toda a sua criação. Ela é uma personagem de personalidade forte, embora bastante ingênua. Consegue ser mais marcante do que aqueles que supostamente seriam os personagens principais da história.

Os demais personagens têm personalidades fortes também, mas com muitas variáveis que torna essa releitura bastante diferente da obra em que foi inspirada. Como as tias do rei, Millicent, que encarna a bruxa da maldição de Bela, porém é apenas uma senhora arrogante e ambiciosa que sonha com o trono sobre o seu domínio, embora dotada de forças desconhecidas por todos; e Flora, a encarnação da fada boa da história, sendo considerada de antemão como louca, se mostra muito mais lúcida do que se imaginava, dando uma esperança maior para Rosa e todos que a amam.

No entanto, uma das coisas mais impressionantes que este livro traz consigo é colocar realidade em um conto de fadas. Toda a história se passa “com os pés no chão”, onde as coisas não são por magia, mostrando uma realidade forte, onde as coisas são duras e, muitas vezes, irremediáveis. Desse modo, fazendo-se acreditar que tudo pode ter acontecido sim, em um tempo muito distante, onde o mal pode ser apenas uma doença sem cura, capaz de destruir tudo por onde passa. Essa característica chave foi um dos melhores pontos do livro.

Quando peguei este livro para ler, achei que estava saindo e muito da minha zona de conforto, com um romance em mãos. Mas como eu estava enganada! Há sim vários romances entre vários personagens, como não poderia faltar. Contudo, a história não está focada na história de amor e sim em todo o desenrolar da trama para trazer o que antes era magia para a realidade, com um foco no medo das palavras de Millicent e no que ela faria para que estas se tornassem verdadeiras perante todos. O romance está dosado em pitadas durante todo o livro, o que deu um charme maior ao que antes seria a base de toda a história.

Eu tenho que elogiar a autora por ter feito uma obra com tanta perfeição. Conseguir fazer de algo conhecido por todos uma história um tanto original não é algo fácil a se fazer e ela consegue isso com um domínio excepcional. E com uma escrita incrível, de fácil leitura e de modo impulsionador, fazendo com que o leitor não queira largar o livro nem por um minuto.

Em suma, é uma história extremamente emocionante, bastante envolvente e surpreendente ao extremo. Com um final totalmente inesperado, “Enquanto Bela Dormia” consegue arrancar parabenizações até dos mais críticos. Conseguiu me fazer gostar de uma história que antes, pra mim, era um dos contos de fadas mais caídos que eu tinha conhecimento. Claro que este não é um conto de fadas, deixando isso bem claro. Espero que vocês gostem tanto quanto eu gostei. Boa leitura!

[...] Como eu era ignorante, achando que a distância reduziria sua capacidade de nos fazer mal! O príncipe teria sua vingança. E eu viria a aprender que todo desejo concedido tem um preço, um preço que não temos como prever até ser tarde demais. - Pág. 92

--- Juliana Gueiros ---

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