25 de fevereiro de 2016

Comic Resenha: Saga por Brian K. Vaughan

Cuidado com as suas ex namoradas. Cuidado mesmo.

Título: Saga
Título Original: Saga
Roteiro: Brian K. Vaughan
Desenho: Fiona Staples
Editora: Image Comics
Ano: 2012
O primeiro arco de história da série apresenta os dois protagonistas, Alana e Marko, que tentam escapar do planeta Fenda com sua filha recém nascida, Hazel. Alana é nativa de Aterro, o maior planeta da galáxia e também o mais avançado tecnologicamente. Marko, por sua vez, vem de Grinalda, o único satélite de Aterro, onde os habitantes são acostumados a utilizar magia. Uma vez que a destruição de um arruinaria a órbita de outra, a guerra ocorre de forma terceirizada em outros planetas.

Esse é um daqueles momentos em que você fica sem palavras para descrever uma de suas HQs favoritas. O plot inicial é até bem clichê, dois mundos que são forçados a coexistir estão em guerra, o maior planeta da galáxia - Terra a Vista ou Aterro - e seu satélite natural - Grinalda - porém a aniquilação de um poderia desestabilizar a órbita de outro, então a única saída é terceirizar a guerra. No meio de todo o caos, dois soldados de lados opostos se apaixonam, no maior estilo Romeu e Julieta, E fazem de tudo para encontrar paz em meio a guerra com sua filha recém nascida.

Um dos fatos marcantes dessa HQ é que o narrador é a própria filha recém nascida contando a história, como se estivesse visitando sua própria linha do tempo, ou comentando sobre os acontecimento em um álbum de fotos de família. Brian nos apresenta um universo riquíssimo, cheio de raças das mais variadas características. Num primeiro impacto pode até parecer informação demais, mas a história vai se desenrolando de uma forma tão orgânica, tão natural, que logo você estará familiarizado aos termos, as relações e a cultura.

E por falar em cultura. A história traz todo um viés político, sobre escravidão, prostituição e trabalho infantil para quem possui um olhar mais atento. Não é atoa que foi vencedor do Eisner Awards, nas categorias melhor série, melhor nova série e melhor escritor. Também vencedor do Hugo Award for Best Graphic Story e foi nomeado em sete categorias e venceu seis no Harvey Awards. Isso só em 2013. Se ainda não tiver motivos para você ler ela eu lhe darei mais.


É uma HQ super divertida. A relação entre Alana e Marko é muito bem construída. Ambos com personalidade bem marcantes, Alana, bem explosiva e sincera e Marko, sereno e com um instinto de guerra soterrado por promessas. Ao longo da aventura vão aparecendo outros personagens incríveis. De um lado o caçador de recompensas O Querer e seu Gato da Mentira que estão atrás da cabeça do Marko. Do outro o Príncipe Robô IV, sendo enviado pelo seu Rei para pôr a soldado Alana em seu devido lugar.


Questões como representatividade, feminismo e homossexualidade são retratadas nessa graphic num tom bem despreocupado dando um caráter super maduro as personagens.

Falando nesse quesito, na minha opinião, essa obra é o no mínimo PG-16. Vaughan não se preocupa de forma alguma em censurar o conteúdo, tendo bem explícito no que diz respeito a cenas de sexo, órgãos genitais, consumo de drogas, cabeças decepadas, membros mutilados e muito sangue. Apesar disso, eu acredito que ajuda a criar uma atmosfera mais adulta para a história, conectando as frustrações e anseios dos personagens uma realidade dura e firme.

Outra grande lição de moral que vemos por aqui é o quanto é importante a união familiar, os laços afetivos que nós construímos durante nossas vidas, dar valor as amizades de longa data e aquelas espontâneas que o acaso lhe apresenta, pois são com elas que a vida vale a pena ser vivida. Assim, quando tudo ficar escuro e não houver saídas nem ninguém ao seu redor, serão elas que virão em seu auxílio.

Quanto as cores. Pessoas dessa galáxia, Fiona Staples fez um trabalho impressionante nessa HQ. Apesar de ter feito alguns trabalhos anteriores relevantes como 24 Horas, Done to Death e Trick 'r Treat que a ajudaram a fazer parte desse job. Mas em Saga a sua composição está impecável. Usando cores vibrantes, com uma textura de tinta óleo, ângulo agudos e uma lineart muito bem feita, essa ilustradora explode os quadrículos em core sensacionais!

Tanto que muito dos prêmios que Saga teve nomeação e venceu são voltado a ilustração.

Tente não devorar as páginas, eu prometo que não vai se arrepender!



--- Juão Lucas ---

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