22 de janeiro de 2016

Resenha: Desventuras em Série – O Espetáculo Carnívoro por Lemony Snicket

Respeitável público! É com imenso prazer e grande alegria que vos trago a nona aventura dos irmãos mais azarados da história da literatura! Sentem-se em seus lugares, fiquem bastante confortáveis e preparem-se para o show de aberrações e muitos disfarces nessa que é uma das aventuras mais divertidas e perigosas de nossos heróis!

Título: O Espetáculo Carnívoro
Autor: Lemony Snicket
Editora: Seguinte
Ano: 2014
Páginas: 240
No princípio de mais um episódio funesto de suas penosas existências, Violet, Klaus e Sunny Baudelaire se encontram no porta-malas de um carro preto. Qualquer pessoa que não seja um pacote ou uma mala preferiria viajar confortavelmente instalado no banco do passageiro, mas os órfãos Baudelaire não têm escolha. Quando refugiaram-se no bagageiro desse carro sinistro, eles escapavam de uma situação ainda pior. As três crianças encontram-se na "barriga da fera", o que vale dizer que estão numa enrascada. Ao volante do automóvel está o ganancioso Conde Olaf, um vilão traiçoeiro que, desde que os Baudelaire perderam os pais num incêndio, vem perseguindo os três com o objetivo de se apossar da fortuna herdada por eles. Até aqui, felizmente, ele foi mal-sucedido. Além de se safar dessa armadilha, em O espetáculo carnívoro Violet, Klaus e Sunny Baudelaire terão de escapar do Parque Caligari e enfrentar uma multidão indócil. Tudo isso para tentar localizar o dossiê Snicket e decifrar a sigla C.S.C., que pode confirmar se um dos pais das crianças realmente sobreviveu ao terrível incêndio. Pseudônimo do escritor Daniel Handler, Lemony Snicket se tornou um fenômeno editorial em todo o mundo. Snicket homenageia Edgar Allan Poe e Charles Baudelaire, pais da literatura de mistério e da poesia simbolista, subvertendo os padrões bem comportados da literatura infanto-juvenil para compor uma saga engraçada e arrepiante.

Após todo o drama sofrido no Hospital Heimlich, nos Baudelaire se escondem dentro do porta-malas do carro do Conde Olaf, pare descobrir os planos do maquiavélico vilão. Sem que ele ou seus capangas desconfiem de nada eles seguem rumo ao Parque Caligari onde, de acordo com o Conde, vive uma mulher chamada Madame Lulu, uma vidente que sempre informa ao nosso vilão a localização exata dos irmãos Baudelaire.

Chegando no parque, os irmão pegam diversos acessórios já usados pelo conde e seus capangas como disfarce, e decidem fingir ser aberrações, pedindo assim emprego no circo. O disfarce dá certo e agora eles estão infiltrados dentro do covil do vilão. Após um encontro com as outras “aberrações” e uma apresentação deveras humilhante ao público, os irmãos Baudelaire agora precisam descobrir quem é Madame Lulu e como ela sabe tanto sobre os irmãos enquanto tentam manter seu disfarce, fugindo das encrencas da trupe do Olaf.

O que falar dessa aventura? Muita informação acaba sendo spoiler, e não quero estragar a diversão de vocês com a leitura. A parte interessante nesse livro é que dessa vez são os órfãos a se disfarçar, não o conde e seus seguidores. Eles agora precisam sobrevive em meio aos vilões, enquanto fazem suas próprias investigações, o que é incrível (e eles se disfarçam melhor que o Olaf, vale a ressalva).

Os mistérios envolvendo C.S.C. persistem em todo o livro, tornando a trama cada vez mais curiosa. Seja o enigmático Olho, ou mesmo a sigla, ela está envolvida não apenas com Olaf, mas com os pais dos Baudelaire. Falando nos mesmos, as crianças ficam cada vez mais esperançosas a respeito de um certo sobrevivente de incêndio, acreditando piamente ser um de seus pais. E agora eles têm um lugar por onde procurar: Uma base de C.S.C.!

Não perdendo as críticas, o autor aqui explora o preconceito que se faz com pessoas diferentes, tornado-as aberrações. Hugo é um corcunda, Colette, uma contorcionista e Kevin é simplesmente ambidestro, mas todos são considerados aberrações horríveis, pois são diferentes de pessoas normais, e o pior é que todos se veem desse jeito, não importando o quanto os órfãos tentem convencê-los do contrário.

Já falamos do narrador, não é? Lemony Snicket é um de meus narradores favoritos e seus pitacos no meio da história são sempre muito bem vindos.

"O Espetáculo Carnívoro" é um belo de um “Payback”, onde os irmãos fazem o Olaf tomar de seu próprio remédio. Só que, como já sabemos, as coisas não vão terminar bem para os órfãos, tornando a próxima aventura um resgate no gelo!


“Milagres são como almôndegas, porque ninguém está exatamente de acordo sobre do que são feitos, de onde vêm ou com que frequência devem aparecer” – Pág. 63


--- Marcel Elias ---

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