14 de dezembro de 2015

Resenha: O Príncipe dos Canalhas por Loretta Chase

Já perdi a conta de todos os romances históricos que li durante minha vida de leitora, porém, é certo que consigo lembrar com perfeição cada um daqueles que me fizeram rir, chorar e aceleraram o meu coração. Depois de ter lido "O Príncipe dos Canalhas", é certo que terei mais uma história maravilhosa da qual recordar.

Título: O Príncipe dos Canalhas
Série: Canalhas #1
Autor (a): Loretta Chase
Editora: Arqueiro
Ano: 2015
Páginas: 288
Onde comprar: Saraiva | Submarino
Sebastian Ballister é o grande e perigoso marquês de Dain, conhecido como lorde Belzebu: um homem com quem nenhuma dama respeitável deseja qualquer tipo de compromisso. Rejeitado pelo pai e humilhado pelos colegas de escola, ele nunca fez sucesso com as mulheres. E, a bem da verdade, está determinado a continuar desfrutando de sua vida depravada e pecadora, livre dos olhares traiçoeiros da conservadora sociedade parisiense. Até que um dia ele conhece Jessica Trent... Acostumado à repulsa das pessoas, Dain fica confuso ao deparar com aquela mulher tão independente e segura de si. Recém-chegada a Paris, sua única intenção é resgatar o irmão Bertie da má influência do arrogante lorde Belzebu. Liberal para sua época, Jessica não se deixa abater por escândalos e pelos tabus impostos pela sociedade – muito menos pela ameaça do diabo em pessoa. O que nenhum dos dois poderia imaginar é que esse encontro seria capaz de despertar em Dain sentimentos há muito esquecidos. Tampouco que a inteligência e a virilidade dele pudessem desviar Jessica de seu caminho. Agora, com ambas as reputações na boca dos fofoqueiros e nas mãos dos apostadores, os dois começam um jogo de gato e rato recheado de intrigas, equívocos, armadilhas, paixões e desejos ardentes.


Deus sabe que Sebastian nunca foi amado. Ele também sabe que não havia nenhuma alma viva em um raios de mil quilômetros que ficaria ao seu lado por algum desejo que não fosse relativo a sua conta bancária. Abandonado pela mãe quando era apenas um garotinho de oito anos, o terrível Lorde Belzebu era o tipo de homem que havia aprendido que tudo na vida tinha um preço, principalmente se o que estivesse em jogo fosse o carinho de uma mulher por ele. Tido como um homem grotesco, sua falta de beleza enojará o seu próprio pai que preferiu lhe mandar para uma escola distante ao invés de cuidar dele. Pelo menos o abandono lhe serviu para aprender que não deveria esperar ser amado por ninguém, muito menos por uma mulher boa e respeitável. Entretanto, quando ele conhece Jessica os desejos pueris que ele teve um dia voltam com força total e ele tem que decidir se irá fugir daquilo que nunca conheceu ou se irá mergulhar nesse sentimento sem medo de se afogar.

Jessica perdeu os pais em um acidente quando era jovem e foi a ela que coube a tarefa de cuidar do seu irmão nenhum pouco inteligente. Quando um fiel funcionário da sua família lhe escreve contando as últimas aventuras de seu irmão na cidade de Paris, ela decide prontamente que irá ver de perto o que o tolo estava aprontando. Acompanhada de sua avó, ela chega à cidade Luz com a certeza que para tirar o seu irmão dos vícios teria que afastá-la do marquês Dain, ou como era melhor conhecido, do Lorde Belzebu. Ela já imaginava o que aconteceria quando encontrasse o patife, mas ao conhecê-lo na loja de penhores fica claro que não era ódio o que o seu coração sentia e sim uma poderosa atração. Sem saber o que fazer para que a sua mente voltasse a funcionar da maneira habitual, ela decide que não refrearia o que sentia e daria uma chance para que as coisas acontecessem entre ela e o odioso aristocrata. Ela só não contava com a resistência dele em ser seduzido por uma dama honrada.

Loretta Chase foi uma das melhores surpresas que eu poderia ter tido nesse ano. Com uma escrita leve, poderosa e extremamente divertida, ela conseguiu me arrebatar da primeira a última página. Em "O Príncipe dos Canalhas" consegui encontrar tudo o que eu admiro em um livro de romance histórico. Isso quer dizer que há uma mocinha determinada, um cavalheiro extremamente sedutor e muitos encontros e desencontros até que ambos alinhem as suas vontades. Escrito em terceira pessoa, o leitor passeia por entre a vida e os pensamentos de cada um deles de modo que o sofrimento é algo quase que certo durante a leitura. Nunca vi personagens tão cabeças duras! Se por um lado temos Jessica, uma garota forte e que não se abate diante de um desafio, do outro temos um homem com feridas profundas cujo desejo era uma piada não só para ele quanto para todos aqueles que o conheciam.

No meio dessa batalha de personalidades, nós temos um amor tão lindo que chega a doer quando lemos cada diálogo e pensamento de Sebastian e Jessica. Apesar de parecer ser o diabo em pessoa, o lorde é um homem de sentimentos tumutuados, complexos e inabaláveis. A partir do momento que ele coloca os olhos em Jessica, ele percebe que mesmo ela sendo tudo aquilo que ele evitou, ela correspondia em medidas exatas o que ele mais gostaria de ter. Ver o quanto ele luta para afastá-la é uma verdadeira tortura, ainda mais quando sabemos de tudo o que ele passou. Para torná-lo ainda mais irrestível, a autora explora a ascendência italiana dele com muitas frases de partir o coração em italiano qua fizeram não só a Jess, como eu também, ficar de pernas bambas. A bem da verdade, mesmo que o coração dele parecesse negro e peludo a maior parte do tempo ele era carente e pronto para fazer qualquer mulher sensata cair aos seus pés. Isso foi uma contradição e tanta do personagem! Ainda bem que Loretta explorou com perfeição esse aspecto do livro.

E o que falar de Jessica além de elogiá-la por ser uma mulher à frente do seu tempo em tudo, desde os seus pensamentos até os seus gostos? Certamente foi uma das personagens femininas que eu mais admirei. Confesso que o que contribuiu para isso foi o modo linear que ela apresentou durante todo o livro. Nem por um momento ela hesita diante do que quer, tampouco pensa duas vezes em tomar as medidas necessárias para obter o que deseja. Essa postura me deixou com um toque de orgulho, já que costumo sentir admiração por pessoas que fazem o mesmo. Afinal, se quem quer não batalha para conquistar, quem fará isso no seu lugar, não é mesmo? Fiquei muito feliz por a autora tê-la recompensando por sua ousadia em acreditar naquilo que todos imaginavam ser apenas um desastre prestes acontecer. Diante de tudo isso não tive muitas alternativas a não ser me apaixonar perdidamente por essa história e torcer para que assim como o marquês Dain, todos que já foram machucados possam se recuperar um dia e conhecer a felicidade.

[…] Mas você não me escuta! Porque, como todo homem, você só consegue pensar uma coisa de cada vez. E ainda pensa errado.

--- Isabelle Vitorino ---

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