9 de dezembro de 2015

Resenha: Alta Fidelidade por Nick Hornby

E quem foi que falou que não existe Chick Lit para homens?

Título: Alta Fidelidade
Autor: Nick Hornby
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2013
Páginas: 312
Onde comprar: Saraiva | Submarino
Rob é um sujeito perdido. Aos 35 anos, o rompimento com a namorada o leva a repensar todas as esferas da vida: relacionamento amoroso, profissão, amizades. Sua loja de discos está à beira da falência, seus únicos amigos são dois fanáticos por música que fogem de qualquer conversa adulta e, quanto ao amor, bem, Rob está no fundo do poço. Para encarar as dificuldades, ele vai se deixar guiar pelas músicas que deram sentido à sua vida e descobrir que a estagnação não o tornou um homem sem ambições. Seu interesse pela cultura pop é real, sua loja ainda é o trabalho dos sonhos e Laura talvez seja a única ex-namorada pela qual vale a pena lutar. Um romance sobre música e relacionamento, sobre as muitas caras que o sucesso pode ter e sobre o que é, afinal, viver nos anos 1990. Com rajadas de humor sardônico e escrita leve, a juventude marinada em cultura pop ganhou aqui seu espaço na literatura. Este é um retrato do homem contemporâneo sem ruídos, um retrato em alta fidelidade.


Robert Fleming está em crise. 35 anos completos e uma vida sem nenhum grande prodígio, o homem se vê no término de mais um relacionamento. Passamos então, já de inicio, a acompanhar ele em um mergulho a seu passado, nos relatando seu “Top 5” rompimentos traumáticos de sua vida, dando-nos base para conhecer esse solitário e amargurado sujeito e sua vida.

Narrado em primeira pessoa, acompanhamos esse homem, que é dono de uma loja de discos a beira da falência em meados dos anos 90, que nunca concluiu a faculdade e vive em um pequeno apartamento próximo de sua loja. Rob nos faz navegar com ele em seus pensamentos a respeito de sua vida, amizades, relacionamentos, carreira, entre diversos outros tópicos, enquanto narra sua vida cotidiana em sua loja, com seus dois funcionários e amigos que, como ele, não tem muita maturidade para assuntos que não são música.

De cara o livro tem uma premissa bem interessante, pois sim, meus caros, vocês não leram errado, esse romance entra fácil na categoria “Chick Lit”. Ele tem tudo àquilo que esse tipo de livro geralmente aborda, só que sob o prisma masculino! Então ele tem todas as diversas análises comportamentais e sentimentais do protagonista, mas com um tipo de humor mais sarcástico e, por que não, um tanto mais ácido em relação àqueles que nos trazem mulheres como protagonistas.

Dotado então desse humor mais peculiar para o gênero e com um núcleo também fora do usual, a narrativa é bem simples e cheia de citações bastante interessantes. Outro ponto que torna a leitura bem curiosa é o fato de ter dezenas de referências a músicas, filmes e livros que moldaram toda a cultura pop durante os anos 80 e 90. Para aqueles que viveram esse tempo, vão com certeza se deleitar em todas as listas que Rob e seus dois amigos, Barry e Dick, vivem fazendo. Para quem não, fica a dia para uma playlist do livro.

Mas, as coisas boas acabam aí pra mim...

Se o tema do livro me instigou a lê-lo, o material usado me fez querer atirar o mesmo pela janela. Rob Fleming pode até ter seus momentos profundos, mas ele é, totalmente, um babaca de marca maior. Chick Lit’s não são muito meu forte de leitura, pois eu dificilmente consigo me sintonizar com os personagens, mas esse em questão me criou total repulsa. A sua tal lista de rompimentos mais traumáticos é quase digna de pena, sem falar que ele adora transferir a culpa do fracasso de sua vida a eles. Ele usa sua ex-namorada da maneira que bem quer e seu “sofrimento” pós-término é muito mais orgulho ferido que qualquer outra coisa. Ele é egoísta, tosco, grosseiro, infantil e em alguns momentos beira a misoginia. Sempre que achamos que ele aprendeu a lição, ele comete uma nova babaquice. Claro, tudo isso é a minha análise pessoal em relação ao personagem.

Quanto aos demais, seus colegas de trabalho são totalmente secundários, mas se tem outro personagem que me fez revirar os olhos toda vez que aparecia era o Barry. Laura, a ex-namorada, é uma advogada bem sucedida com seus próprios problemas a resolver, mas fica presa a esse relacionamento durante todo o livro. Outros personagens que merecem destaque são os pais do Rob, que são um bom alívio durante alguns momentos da narrativa.

A narrativa não tem nada de extraordinário. É um romance que traz o ponto de vista de um homem que está numa fase da vida que quer descobrir a causa das escolhas erradas de sua vida. Para aqueles que gostam desse tipo de narrativa, encontrarão um livro bem rico tanto em referências, quanto na temática abordada.

[...] uma canção sentimental tem esse grande poder de levar a gente para o passado enquanto, ao mesmo tempo, carrega pro futuro, de modo que é alguma coisa simultaneamente nostálgica e esperançosa.

--- Marcel Elias ---

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