23 de novembro de 2015

Resenha: O Conde Enfeitiçado por Julia Quinn

Depois de ter me apaixonado profundamente pela história de Eloise, estava na hora de conhecer a história de uma Bridgerton que eu nunca soube o que pensar ao seu respeito: Francesca.

Título: O Conde Enfeitiçado
Série: Os Bridgertons #6
Autor (a): Julia Quinn
Páginas: 304
Ano: 2015
Onde comprar: Saraiva 
Toda vida tem um divisor de águas, um momento súbito, empolgante e extraordinário que muda a pessoa para sempre. Para Michael Stirling, esse instante ocorreu na primeira vez em que pôs os olhos em Francesca Bridgerton. Depois de anos colecionando conquistas amorosas sem nunca entregar seu coração, o libertino mais famoso de Londres enfim se apaixonou. Infelizmente, conheceu a mulher de seus sonhos no jantar de ensaio do casamento dela. Em 36 horas, Francesca se tornaria esposa do primo dele. Mas isso foi no passado. Quatro anos depois, Francesca está livre, embora só pense em Michael como amigo e confidente. E ele não ousa falar com ela sobre seus sentimentos – a culpa por amar a viúva de John, praticamente um irmão para ele, não permite. Em um encontro inesperado, porém, Francesca começa a ver Michael de outro modo. Quando ela cai nos braços dele, a paixão e o desejo provam ser mais fortes do que a culpa. Agora o ex-devasso precisa convencê-la de que nenhum homem além dele a fará mais feliz.

Michael é o um homem sensível e completamente apaixonado. No entanto, tinha um problema que ele nunca conseguiria solucionar: o amor que sentia pela esposa de seu querido primo e que jamais poderia ser revelado. Se esforçando para não demonstrar os seus sentimentos para ela e seu primo John, ele mergulhou em uma vida vazia que não o fazia feliz e que não diminuía em nada o amor que sentia por Francesca. Tampouco, diminuía a dor de ter a certeza que a única mulher que o faria deixar de lado toda a podridão que o circundava, era a única que ele jamais teria. O que ele não sabia, era a que a vida era algo veloz e que num momento tudo poderia mudar. E mudou...

Francesca sempre se sentiu estranha com relação a sua numerosa família. Não que ela não os amasse, porque todos sabiam que o sentimento era real. Ela só não era como os outros, tão propensa a falar e a encantar as pessoas à sua volta. Por isso quando conheceu John, teve a certeza de que o casamento seria perfeito para ela, já que poderia viver da maneira que desejava. Não foi amor ao primeiro olhar, mas sim aquele tipo duradouro de sentimento que vem com o tempo e que se solidifica de maneira irrevogável. Ela nunca pensou que tinha tomado a decisão errada ao se casar, ainda mais quando além de um marido devotado também tinha conquistado um amigo querido. Não, tudo estava perfeito. Mas do mesmo jeito que tudo se construiu, tudo ruiu, pois seu marido morreu repentinamente e ela se viu sozinha sem John e principalmente, sem Michael.

Sou suspeita para falar de Julia Quinn, pois minha relação com ela foi do tipo amor à primeira lida. Simples assim. Entretanto, desde que li "Para Sir Philip, Com Amor" fiquei com a mente repleta de pensamentos sobre como a autora iria me apresentar a história da irmã mais misteriosa da família Bridgerton. Sei que dizer que ela não aparece muito na série pode ser falar mais do mesmo para quem já acompanha os encontros e desencontros dessa família, mas realmente acredito que vale a pena enfatizar esse ponto porque entre todos os irmãos, ela sempre foi a que menos apareceu durante os cinco livros que antecederam esse. Por isso, quando comecei a mergulhar na vida de Francesca e Michael, mal pude conter minha empolgação diante do que li.

Michael é uma personagem sem igual. Me encantei com ele da primeira até a última página. Ele tem um jeito de ser tão doce que mesmo ansiando por conhecer mais de Francesca, a todo o momento eu queria saber mais sobre ele e seus sentimentos. Apesar de estar claro desde o início o amor que ele sente por ela, sua história é complexa porque ele se odeia por sentir o que sente pela esposa do seu primo. Isso não se modifica nem com a morte de John e todo o seu sofrimento me deixou com o coração inquieto por ele. Para mim, ele foi o grande destaque de "O Conde Enfeitiçado", principalmente porque seu autorepúdio não se restringe apenas a isso, não, ele vai além quando herda tudo aquilo que foi de seu primo e a sensação latente de não ter nada verdadeiramente seu o inuda. Ah gente, o Michael é apaixonante...

Por outro lado, quando o assunto é Francesca eu tenho algumas ressalvas. Acredito que as tenho porque simplesmente me apaixonei por Michael de tal maneira que não posso deixar de dizer o quanto ela o faz sofrer. Sim, eu sei que não foi intencional, afinal, ela estava casada e posteriormente de luto, mas como não enxergar um amor tão forte como aquele? Ainda não consigo situá-la muito bem na família, já que não pude presenciar muitas interações suas com os Bridgertons, mas tenho que admitir que mesmo sendo tão esquiva e misteriosa, ela é uma personagem capaz de conquistar o leitor no devido tempo. Sobretudo, porque ela é forte e está disposta a enfrentar algumas convenções da época em prol da realização de seus sonhos.

Diante disso, se eu pudesse definir "O Conde Enfeitiçado" com apenas uma frase, eu escolheria "o poder das segundas chances", pois mesmo as oportunidades não sendo bem vistas - principalmente aquelas dadas consecutivamente, elas ainda são capazes de mudar não só uma pessoa, como também, como uma vida. E foi exatamente isso que aconteceu com Michael e Francesca. A verdade é que depois de passar tanto tempo longe dessa família, voltar para o universo deles foi como me aconchegar em uma poltrana confortável com uma caneca enorme de café, ou seja, foi lindo, doce e reconfortante. É impressionante a capacidade que Julia Quinn tem de me colocar na palma de sua mão com as suas histórias, mesmo quando não acredito muito nelas. E agora, depois de ter lido o sexto livro da série, fico com o sentimento agridoce por saber que apesar de eu ansiar muito para conhecer as histórias de Hyacinth e Greggory, esses também serão os últimos livros dessa série que me emocionou e tocou a minha alma.

Em toda vida ocorre um momento decisivo. Um instante tão extraordinário, tão claro e tão nítido que temos a sensação de havermos sido golpeados no peito, deixados sem fôlego, sabendo, sabendo, sem a menor sombra de dúvida, que nossa vida jamais será a mesma. Pág. 9

--- Isabelle Vitorino ---

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