25 de junho de 2015

Comic Resenha: Capitão América – O Novo Pacto por John Ney Rieber e John Cassaday

Vamos pensar: Como escrever sobre o personagem que mais representa o nacionalismo americano no período de maior terror para os EUA? Essa é uma pergunta que para mim tem duas possíveis respostas: Um roteiro cheio de ação e explosões, onde no final mostramos a supremacia americana; ou algo mais introspectivo, onde tentamos lidar com a perda e a fragilidade do momento. Por sorte, pelo menos pra mim, John Ney Rieber ficou com a segunda opção.

Começo hoje a falar da coleção de quadrinhos da Marvel, lançada pela editora Salvat, pela edição de um de meus heróis menos favoritos da vida, mas que me trouxe reflexões incríveis através do arco em questão.


Título: Capitão América – O Novo Pacto
Roteiro: John Ney Rieber
Arte e Cores: John Cassaday
Editora: Salvat
Ano: 2015
Páginas: 198.

No rescaldo dos ataques de 11 de setembro, os Estados Unidos encontram uma forma de combater a insidiosa ameaça do terrorismo. O país precisa de um grande homem para se espelhar - alguém que lutará pela justiça e pelo melhor que os Estados Unidos têm para oferecer. Este homem é Steve Rogers, vulgo, Capitão América.Contudo, mesmo com seu corpo potencializado e espírito inquebrável, será que o grande herói encontrará uma forma de erradicar a sombra do terrorismo na terra da liberdade?


Considerado, por alguns, deveras ufanista, patriótico e até enfadonho, esse arco de certa forma polêmico foi criticado até mesmo pelo próprio roteirista que não achou que foi hábil o suficiente para expor todo o pensamento doloroso do período, mas que sentiu-se feliz por ter tentado. E de fato, há sim alguns elementos que deixaram a desejar, mas posso dizer que, de uma forma geral, considero que esse quadrinho conseguiu acertar naquilo que ele queria.


A história começa com reflexões internas do Capitão sobre o atentado e das consequências do terror e da paranoia que culminou em. digamos, uma perseguição aos descendentes muçulmanos que viviam na Big Apple. Depois de resolvida uma pequena crise, a história salta sete meses para frente, onde uma pequena cidade chamada Centerville é atacada por terroristas em um domingo de Páscoa, que infestam a cidade com bombas, sendo sua única exigência a presença do maior símbolo da nação: O Capitão América.


Após confrontos com alguns dos terroristas – alguns que não passavam de meros adolescentes – e numa desenfreada luta contra o tempo para salvar a cidade refém de bombardeio, o Capitão acaba por assassinar, na frente das câmeras, o chefe do bando terrorista.

Não sendo chocante o suficiente, Rogers nos brinda com um discurso sobre ódio e guerra, onde conclui nos falando que as ações de uma pessoa não podem espelhar o desejo de uma nação e fala que quem matou Faysal Altariq (o chefe terrorista) não foi o governo da América, mas ele, revelando pela primeira vez ao mundo sua identidade civil de Capitão América.



Como sabemos a história nunca seria assim tão fácil e Rogers decide ir atrás da pessoa que comandava Faysal e acaba entrando em conflito com o próprio exercito americano.

Nick Fury também está presente na história (O caucasiano, gente. Na época que o Samuel L. Jackson ainda não havia patenteado o personagem xD). Ele, na época ainda diretor da SHIELD, é a tentativa de ponte de ligação entre Rogers e o governo americano, uma relação agora ameaçada com a revelação de sua identidade civil.


Para que essa história traga um peso para o leitor, é vital nos utilizarmos aqui de nossa empatia para com os norte-americanos no período de 2001. A nação se encontrada arrasada e triste com o maior atentado terrorista realizado a uma nação que, até aquele instante, era considerada intocável.

Ela não é perfeita, e apresenta alguns textos às vezes maçantes, de reflexões e mais reflexões sobre o mesmo tema, mas eu os considero de extrema importância para a composição de toda a ideia do real significado da guerra que o roteirista queria trazer ao público.

A arte é do John Cassaday, que pra mim é sinônimo de qualidade. Sua sacada de deixar as memórias do atentado em tons de cinza, voltando a ter cor apenas quando os americanos passam a ver esperança, é algo extremamente belo de se ver. Cassaday pra mim é, assim como Alex Ross, um artista que tem sua arte muito mais voltada para cenas paradas e reflexivas, do que para ações agressivas ou lutas. Por isso, a meu ver, foi uma das melhores escolhas para o papel de desenhar esse título.


Meu grande descontentamento fica por parte do roteiro estar todo voltado a ideia de colocar tudo que se tem a revelar no capítulo final. Isso sobrecarrega o capítulo, pois acabamos tendo a revelação do vilão, suas ideologias e motivações, toda a discussão entre ele e o herói, a revelação do “plano mestre” e a então luta final. Isso estragou todo o contexto e, sendo bastante honesto, não nos deu o impacto que o roteirista provavelmente esperaria que sentíssemos com antagonista.

Em suma, Capitão América O Novo Pacto é uma história sobre uma nação que está sofrendo de stress pós-traumático e precisa buscar forças para se reerguer. Essa pode não ser a melhor história sobre o Capitão, no século XXI, mas serviu de base para que autores revolucionários, como Ed Brubaker, viessem a compor esse novo traço de personalidade dos Sentinelas da Liberdade.

-*-

E apenas a caráter de explicação, meu caros, vocês não entenderam errado: Eu não gosto do Capitão América. Mas deixo isso para discussões posteriores.

O bacana é que, mesmo sendo um personagem que não me traz nenhum desejo de leitura, ele é a escolha mais óbvia para escrever sobre momentos como esse e o roteirista consegue fazer com que o Capitão exerça um bom fascínio ao leitor.

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--- Marcel Elias ---



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