22 de junho de 2015

Resenha: O Planeta dos Macacos por Pierre Boulle

Ter altas expectativas com relação a um livro é um faca de dois gumes: ou você se surpreende positivamente, ou negativamente. Para minha sorte e deleite, "O Planeta dos Macacos" não só as alcançou, como também, as superou.

Título: O Planeta dos Macacos
Autor: Pierre Boulle
Editora: Aleph
Páginas: 216
Ano: 2015
Onde comprar: Saraiva | Submarino
Em pouco tempo, os desbravadores do espaço descobrem a terrível verdade: nesse mundo, seus pares humanos não passam de bestas selvagens a serviço da espécie dominante... os macacos. Desde as primeiras páginas até o surpreendente final – ainda mais impactante que a famosa cena final do filme de 1968 –, O planeta dos macacos é um romance de tirar o fôlego, temperado com boa dose de sátira. Nele, Boulle revisita algumas das questões mais antigas da humanidade: O que define o homem? O que nos diferencia dos animais? Quem são os verdadeiros inimigos de nossa espécie? Publicado pela primeira vez em 1963, O planeta dos macacos, de Pierre Boulle, inspirou uma das mais bem-sucedidas franquias da história do cinema, tendo início no clássico de 1968, estrelado por Charlton Heston, passando por diversas sequências e chegando às adaptações cinematográficas mais recentes. Com milhões de exemplares vendidos ao redor do mundo, O planeta dos macacos é um dos maiores clássicos da ficção científica, imprescindível aos fãs de cultura pop.


Ulysse Mérou é um jornalista francês que parte do planeta Terra na companhia de um renomado cientista e seu aprendiz com a intenção de explorar a galáxia a bordo de uma nave que os permitia não só cultivar alimentos variados, como também, alcançar planetas mais longínquos. Todos sabiam que ao sair nessa missão, quando retornassem para casa já teria se passado muitos anos e seus parentes e amigos já não existiriam mais, mas eles não se importavam com isso desde que conseguissem alcançar o seu objetivo.

Após dois anos de partida da Terra, Ulysse e seus companheiros chegam a Betelgeuse. A princípio, o lugar parece ter características semelhantes ao seu planeta de origem, há ar, água e alimentos, porém, o primeiro contato que eles têm com os habitantes locais revelam algo extraordinário e aterrador: os humanos que ali viviam não possuíam o intelecto desenvolvido. Vivendo precariamente e mantidos refém desses seres, eles logo são expostos a uma realidade ainda mais incrível: símios são os seres dominantes de Betelgeuse. São eles a elite da vida nessa planeta onde homens são dominados por macacos.

"O Planeta dos Macacos" é uma história imortalizada pelo cinema e que poucas pessoas que viram o filme puderam ter contato com o livro, ainda mais porque até o lançamento da nova edição publicada pela editora Aleph, era difícil encontrá-lo aqui no Brasil. Eu era uma dessas pessoas, mas a minha curiosidade a respeito do livro era tanta que logo me entreguei a narrativa do autor francês Pierre Boulle e a fantástica aventura proporcionada pelos seus personagens.

Narrado em forma de relato por Ulysse Mérou, pode-se dizer que a escrita dessa história é bastante simples e fluida, ficando por conta da mensagem contida no enredo toda a grandiosidade do livro. Boulle foi extremamente feliz ao inverter os papéis da caça e do caçador, pois impulsiona o leitor a refletir qual é o verdadeiro sentido existir do ser humano e se o fato de sermos os seres com inteligência mais desenvolvida nos dá o direito de explorar aqueles que são considerados inferiores ao seu bel prazer.

Isso se intensifica com as situações que Ulysse é obrigado a viver e a maneira como é possível perceber o quanto as coisas são vistas sob outro prisma quando se vive em condições de extrema de servidão. Acredito que por isso, mesmo o livro sendo de ficção científica consegui enxergar nele mais do que as características que definem o gênero e ver, mais do que tudo, que independente da situação em que você se encontra a empatia é necessária para que as coisas não fujam do controle e que uma relação de respeito seja estabelecida.

No entanto, foi Zira quem conseguiu me mostrar isso com mais clareza, já que além de possuir a sensibilidade necessária para observar certo grau de inteligência em alguém considerado de origem inferior a sua, fez todo o possível para ajudar Ulysse a escapar do seu cativeiro, bem como, lhe dar a chance de viver de uma forma digna. Fiquei extremamente encantada com esse chimpanzé, até porque ela deixa claro que não é o corpo que o espírito habita que lhe confere valor, mas sim o oposto disso.

Diante de tantas peculiaridade, só posso dizer que "O Planeta dos Macacos" é uma história surpreendente que trata de valores, inteligência e que confronta o leitor com questões difíceis de serem respondidas sem se deixar influenciar pelo sentimentalismo que possuímos acerca de nossa própria espécie. Certamente, um livro desafiador e atemporal, que merece ser lido não só pelos fãs de ficção científica, mas por todos que gostam de terminar uma leitura com a sensação de inquietude própria de quem foi tirado de sua zona de conforto.

[...] é possível perder o espírito, assim como adquiri-lo. Pág.167

--- Isabelle Vitorino ---

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