18 de março de 2015

Resenha: Eu Sou Malala por Malala Yousafzai e Patricia McCormick

Há uma coisa chamada força interior que para a maioria só vem à tona em tempos de crise e para alguns poucos estão presentes em toda a sua vida. Conhecer a história de Malala me fez perceber que se ela pode ser encaixada em um grupo, certamente é no último.

Título: Eu Sou Malala (Edição Juvenil)
Autoras: Malala Yousafzai e Patricia McCormick
Editora: Seguinte
Páginas: 200
Ano: 2015
Onde comprar: Saraiva
Eu sou Malala - Malala Yousafzai tinha apenas dez anos quando o Talibã tomou conta do vale do Swat, onde ela vivia com os pais e os irmãos. A partir desse dia, a música virou crime; as mulheres estavam proibidas de frequentar o mercado; as meninas não deveriam ir à escola. Criada em uma região pacífica do Paquistão totalmente transformada pelo terrorismo, Malala foi ensinada a defender aquilo em que acreditava. Assim, ela lutou com todas as forças por seu direito à educação. E, em 9 de outubro de 2012, quase perdeu a vida por isso: foi atingida por um tiro na cabeça quando voltava de ônibus da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria. Hoje Malala é um grande exemplo, no mundo todo, do poder do protesto pacífico, e é a pessoa mais jovem e a receber o Prêmio Nobel da Paz. Nesta versão juvenil da sua autobiografia, que virou um best-seller internacional, ouvimos da própria Malala a incrível história dessa garota que, desde muito cedo, decidiu mudar o mundo.

Mais do que a ganhadora do Nobel da Paz, Malala Yousafzai é uma garota de 17 anos com um forte desejo de fazer do seu país um lugar melhor. Mas sua história não começa quando seguidores do Talibã tentam assassiná-la na frente de suas amigas de escola em um ônibus na volta para casa, mas sim quando ela mostra aos seus pais o quão especial ela era. Já nos seus primeiros anos de vida, ela se esgueirava por entre os homens na sala e ficava escondidinha ouvindo-os falar sobre política o máximo que pudesse, para outras garotas poderia não ser algo divertido, mas para ela era. No entanto, não foi a política que mostrou a força de Malala, mas sim a sua vontade de aprender e ir além em um país com uma cultura muito restritiva para garotas. E quando o Talibã iniciou seus ataques no Paquistão fazendo uma série de proibições e exigências, incluindo a de que as meninas ficassem reclusas em casa, ela abriu a boca e o seu coração para garantir o direito de que todas tivessem acesso à educação.

Se abandonarmos todos aqueles preceitos discutidos por sociólogos a respeito do quão errado é julgar uma cultura e analisarmos a vida de Malala sob um prisma totalmente humano, é impossível não sentir revolta com todas as circunstâncias que a levaram até a sua fama no mundo. Porque sim, foi o extremo de uma cultura e de uma religião que fez com que a vida dessa garota mudasse de modo tão radical. Se ela chegaria aos holofotes sem os conflitos existentes no Paquistão e as imposições do Talibã? Não sei... Mesmo sendo uma garotinha especial e alguém que mostrava querer ser mais, talvez senão fossem todas as tensões que alimentavam uma parte da população a querer impor um modo de viver para o país em que ela nasceu, as coisas pudessem ser diferentes e ela teria se tornado a médica que queria ser e não a líder da causa da educação no Paquistão que ela se transformou no decorrer dos anos em que o Talibã lançou uma sombra negra pelo seu tão amado país.

Ler o seu relato me fez pensar em quão precoce ela foi. Claro que se comparado a outras características da cultura pregada no país ser uma garota com opinião tão duramente esculpida não parece algo que se deva olhar com certo receio, mas mesmo assim não consigo deixar de pensar que tudo aconteceu de modo muito rápido em sua vida, incluindo o atentado que quase a matou. Enquanto lia sobre o dia do ataque fiquei pensando como alguém foi capaz de machucar uma adolescente apenas por ela ter um desejo tão feroz de aprender que quis que sua mensagem chegasse tão longe o quanto pudesse. Esse ato desesperado do Talibã mostrou que não era apenas uma ideia que eles estavam querendo matar (até porque seu pai foi quem começou a luta pelo direito das meninas estudarem), mas sim a figura representativa que Malala havia se tornado. Isso me faz voltar a um ponto: tudo isso não seria responsabilidade demais para essa garota?

Eu sinceramente não me imagino na mesma posição que ela, mas depois de ler a sua autobiografia penso que desde pequena algo indicava que ela iria trilhar um caminho em que a levaria a algo maior. Ou isso, ou os fatos escolhidos para essa edição em especial ressalta o quão diferente de nós foi a criação da Malala mesmo quando tudo estava bem no Paquistão, já que com um foco na infância, esses fatos sempre mostram uma garota que adorava ouvir conversas sobre política, odiava ficar em segundo lugar em qualquer situação que fosse e que já na primeira infância rezava pedindo a paz mundial. Se esses detalhes foram algo tão marcante em sua vida quanto o livro faz parecer, realmente isso explica porque ela não se calou diante dos acontecimentos do seu país. A verdade é que independente de qualquer coisa, a coragem de Malala para enfrentar o Talibã a fez muito grande. No entanto, depois de ler “Eu Sou Malala” não espero que ela faça jus a essa grandeza, mas que ela tenha a oportunidade de viver uma vida plena independente do caminho que deseje seguir.

Não estava triste. Não estava assustada. Só pensava: Minha aparência não importa. Estou viva. Eu estava grata. Pág. 133

--- Isabelle Vitorino ---

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