5 de março de 2015

Resenha: Doctor Who – Mortalha da Lamentação por Tommy Donbavand

Eu sempre li comentários empolgadíssimos a respeito da série Doctor Who e de todo o universo fantástico criado especialmente para ela. No entanto, por causa do vasto número de versões, sempre acabei adiando meu contato com o Doutor. Mas foi ao ler a proposta de “Mortalha da Lamentação” que eu decidi que estava mais do que na hora de entrar nessa história e ver o que iria encontrar.

Título: Doctor Who – Mortalha da Lamentação
Série: Doctor Who #1
Autor: Tommy Donbavand
Editora: Suma de Letras
Páginas: 176
Ano: 2015
Onde comprar: Saraiva | Submarino
Em Doctor Who – Mortalha da lamentação, é o dia seguinte ao assassinato de John F. Kennedy — e o rosto de pessoas mortas começa a aparecer por toda parte. O guarda Reg Cranfield vê o pai na névoa densa ao longo da estrada Totter Lane. A repórter Mae Callon vê a avó em uma mancha de café na mesa de trabalho. O agente especial do FBI Warren Skeet se depara com seu parceiro falecido há muitos anos olhando para ele através das gotas de chuva no vidro da janela. Então os rostos começam a falar e gritar. São as Mortalhas, que se alimentam da tristeza alheia, atacando a Terra. Será que o Doutor conseguirá superar o próprio luto para salvar a humanidade?

O Doutor e Clara estão em uma grande enrascada! A TARDIS não quer mais funcionar após eles saírem de uma missão e eles não sabem nem em que época estão. É claro que o Doutor considera isso um problema temporária e encara as coisas com mais esperança que Clara, mas quando eles notam que estão no dia seguinte após o assassinato do presidente Kennedy e que rostos estranhos estão aparecendo do nada, assustando as pessoas e fazendo-as reféns de seus próprios medos, eles percebem que precisam entrar em ação para salvar a humanidade mais uma vez. Mas as coisas não vão ser nem um pouco fáceis, já que as mortalhas parecem ser fortes demais para serem derrotadas sem um plano estratégico e até o Doutor demonstra ter coisas pelas quais sente tristeza e remorso.

Eu não sei vocês, mas quando leio uma sinopse eu costumo pensar que o autor vai seguir aquele norte durante o seu livro e isso me deixa ansiosa na maior parte do tempo. Esse foi uma grande questão para mim durante “Doctor Who – Mortalha da Lamentação” porque eu realmente esperei algo mais obscuro na narrativa. Talvez isso tenha muito a ver com o fato de eu não conhecer o universo que o autor aborda em sua história, já que eu não assisti ao seriado televisivo, mas foi um tanto desconcertante quando ao invés de uma história densa encontrei algo que sim, é misterioso, mas tem um pé na comicidade que eu jamais imaginei.

Narrado em terceira pessoa, o livro acompanha os mais variados personagens em passagens importantes da trama. No entanto, é com o Doutor que passamos a maior parte do tempo e somos impelidos a aceitar o seu jeito peculiar de lidar com os problemas. Sua companheira de aventura é Clara, uma personagem que ainda é uma incógnita para mim, já que o autor pouco fala sobre a sua vida e suas emoções. Talvez por isso eu tenha gostado mais de Mae, uma jornalista vítima das mortalhas e que está lutando para não só livrar o mundo desse mal, como também, para ter mais uma chance de ver a sua avó e poder demonstrar toda a gratidão e amor que sente por ela. Warren também é um personagem interessante, mas suas motivações também ficaram um pouco subentendidas, gostaria de ter visto mais dele para poder entender suas decisões.

Infelizmente, falta é uma coisa que se nota muito durante a leitura. Falta mais aprofundamento na trama, falta maiores descrições, falta imersão nos sentimentos dos personagens. Ou seja, falta muito para dizer que o livro consegue saciar totalmente a curiosidade dos leitores dessa história. A verdade é que me senti lendo um roteiro televisivo, pois por mais que conseguisse visualizar bem tudo o que o autor narrava, faltaram alguns traços de emoções que só poderiam ser supridas em caso de adaptação do plote. Uma das coisas que fortalecem esse meu pensamento é a resolução que o autor planejou para a sua história. De verdade, em um episódio da série funcionaria perfeitamente, mas no livro soou esquisito demais para que eu pudesse comprar a ideia que Donbavand queria me vender.

Com isso não quero dizer que a história não é boa, apenas que na literatura ela não funciona tão bem. Pois superado esses pontos, posso dizer que consegue me divertir com os momentos que passei ao lado Doutor. Tanto que estou sentindo a maior vontade de começar a acompanhar a série para ver se esse quê a mais que o Doutor tem vai me impressionar nas telinhas. Dito isso, posso finalizar essa resenha dizendo que apesar de não ter encontrado aquilo que eu esperava em “Doctor Who – Mortalha da Lamentação”, a história serviu como um abrir de olhos para mim, já que foi a partir dela que eu me interessei por conhecer melhor a série. Pelo sim, pelo não, a leitura desse livro é uma experiência válida para aqueles que gostam de ficção.

– Ah, a raça humana! – gritou o Doutor. – Não importa em qual planeta evoluem, vocês todos querem a mesma coisa: ajudar seus semelhantes. Que coisa maravilhosa! Pág. 122

--- Isabelle Vitorino ---

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