6 de fevereiro de 2015

Resenha: Ligeiramente Casados por Mary Balogh

Acredito que vocês já devem ter notado que eu sou completamente apaixonada por livros de romance histórico. Isso explica porque sempre que a editora Arqueiro lança uma nova série, eu me jogo nas histórias sem medo de ser feliz. Foi por isso que quando soube de “Os Badwyns”, não tive dúvidas, resolvi apostar em mais uma história de amor. Eu só não esperava encontrar o que encontrei...

Título: Ligeiramente Casados
Série: Os Badwyns #1
Autor (a): Mary Balogh
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Ano: 2014
Onde comprar: Saraiva | Submarino
À beira da morte, o capitão Percival Morris fez um último pedido a seu oficial superior: que ele levasse a notícia de seu falecimento a sua irmã e que a protegesse Custe o que custar! Quando o honrado coronel lorde Aidan Bedwyn chega ao Solar Ringwood para cumprir sua promessa, encontra uma propriedade próspera, administrada por Eve, uma jovem generosa e independente que não quer a proteção de homem nenhum. Porém Aidan descobre que, por causa da morte prematura do irmão, Eve perderá sua fortuna e será despejada, junto com todas as pessoas que dependem dela... a menos que cumpra uma condição deixada no testamento do pai: casar-se antes do primeiro aniversário da morte dele o que acontecerá em quatro dias. Fiel à sua promessa, o lorde propõe um casamento de conveniência para que a jovem mantenha sua herança. Após a cerimônia, ela poderá voltar para sua vida no campo e ele, para sua carreira militar. Só que o duque de Bewcastle, irmão mais velho do coronel, descobre que Aidan se casou e exige que a nova Bedwyn seja devidamente apresentada à rainha. Então os poucos dias em que ficariam juntos se transformam em semanas, até que eles começam a imaginar como seria não estarem apenas ligeiramente casados...

Aidan Bedwyn é um coronel do exército que tem a honra como o seu norte. É por isso que quando o capitão Percival Morris está à beira da morte e cobra uma antiga dívida dele, ele se esforça o máximo para cumprir o último pedido do homem. Voltando para a Inglaterra após anos combatendo na guerra contra a tirania de Napoleão Bonaparte, Aidan procura por Eve Morris para lhe dar a notícia de que seu irmão faleceu nos campos de batalha e oferecer seus préstimos. Ele só não esperava ter que lidar com uma mulher impetuosa e que está determinada a não deixar que ele saiba que a morte do seu irmão não só lhe causou dor, como também, a colocou em maus lençóis.

Eve Morris não esperava receber a notícia da morte do seu irmão, ainda mais por um militar de alta patente como o lorde Aidan Bedwyn. Mas toda a dor que ela sentia pela perca de Percy se intensifica pelo risco de perder o Solar Ringwood e com isso não poder amparar mais todas as pessoas que dependiam dela e que jamais conseguiriam um lugar de uma sociedade tão preconceituosa. Ela só tinha um saída para escapar dessa situação: se casar. O problema é que faltava menos de quatro dias para o seu pavoroso primo se apossar de tudo e ela não tinha ninguém com quem contar, ninguém exceto Aidan... Dividida entre o risco de perder a sua liberdade e sua propriedade, Eve resolve se sacrificar e arriscar um casamento com o lorde. Mas será que tudo é um sacrifício mesmo?

Quando comecei a ler “Ligeiramente Casados”, era como se eu estivesse entrando em um universo desconhecido e em que nada lembrava os cenários aos quais eu estava acostumada a ver nas ambientações dos livros de romance histórico. O que era particularmente estranho, já que mesmo sendo retratado na Inglaterra logo após a derrota de Napoleão Bonaparte e em sua maior parte, nas áreas rurais, a autora nos mostra também os cenários londrinos, só que através de uma perspectiva bem diferente.  Acrescentando detalhes como a exigência da apresentação das damas da nobreza à rainha, Mary Balogh se revelou uma autora que não tem medo de inserir detalhes diferenciados para dar um toque a mais a sua narrativa a fim de não permitir que sua história caia nos clichês que geralmente encontramos nos livros do gênero.

Só esse toque a mais, já me deixou entusiasmada com a narrativa, mas foi ao conhecer melhor o enredo da história que comecei ficar em dúvida com relação à proposta da autora. Narrado em terceira pessoa e alternando os pontos de vistas entre Aidan e Eve, as coisas acontecem de modo lento e sem pressa alguma. Se por um lado isso é bom, já que vemos a construção do relacionamento do casal protagonista pouco a pouco, por outro torna a história um tanto morosa, pois por falta de uma fagulha de desejo ou qualquer sentimento que seja, a autora dedica muitas páginas a nos dizer apenas o quanto ambos são diferentes e nada mais. Isso prejudicou o desenvolvimento da trama a ponto de eu começar a questionar as decisões da autora, mas foi justamente aí que ela me surpreendeu.

Apresentando a família Badwyn e todos os seus estoicos componentes, a autora começa a mostrar a razão de Aidan ser tão esquivo, duro, inflexível e ter a honra como a sua principal característica. Isso explica muito sobre as ações desse protagonista que não é apaixonante em um primeiro olhar, mas que se torna admirável com o decorrer da história. E é através desse contato com a família Badwyn que Eve também se revela alguém mais interessante do que a moça do interior que é apaixonada por alguém que está longe e que se vê presa em um casamento de conveniências. Tanto que o tempo que a história é narrada em Londres foi capaz de mudar a minha concepção acerca de determinadas partes do livro e eu acabei minha leitura com uma sensação gostosa.

Dito isso, gostaria de frisar apenas, que mesmo o livro não sendo aquilo que eu esperava, ainda assim, passei um bom tempo com os personagens. Só acho que a autora se esqueceu de colocar uma centelha de fogo para que a sua história não fosse tão passiva e que seus protagonistas fossem mais memoráveis. De verdade, espero que nos próximos livros da série essas questões sejam contornadas e que os Badwyns mostrem a que veio, pois tenho toda a intenção de ver o que esses irmãos são capazes de fazer em nome do amor.

[...] Talvez o presente fosse tudo o que importava. Talvez fosse tudo o que qualquer um pudesse esperar. Talvez o amanhã fosse uma ilusão que nunca chegasse. Pág. 242

--- Isabelle Vitorino ---

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