17 de janeiro de 2014

Resenha: Destino por Ally Condie

Depois de muito tempo intercalando ‘Destino’ entre uma leitura e outra, eu pude em fim concluir a leitura e ver o porquê de tantas pessoas se emocionarem e se apaixonarem por essa história. E se vocês também querem conhecer um pouco do que Cassia tem para contar, não deixem de ler essa resenha até o final!

Título: Destino
Série: Matched #1
Autor: Ally Condie
Editora: Suma de Letras
Páginas: 240
Ano: 2011
Onde comprar: Saraiva | Submarino
Cassia tem absoluta confiança nas escolhas da Sociedade. Ter o destino definido pelo sistema é um preço pequeno a se pagar por uma vida tranquila e saudável, um emprego seguro e a certeza da escolha do companheiro perfeito para se formar uma família. Ela acaba de completar 17 anos e seu grande dia chegou: o Banquete do Par, o jantar oficial no qual será anunciado o nome de seu companheiro. Quando surge numa tela o rosto de seu amigo mais querido, Xander - bonito, inteligente, atencioso, íntimo dela há tantos anos -, tudo parece bom demais para ser verdade.Quando a tela se apaga, volta a se acender por um instante, revelando um outro rosto, e se apaga de novo, o mundo de certezas absolutas que ela conhecia parece se desfazer debaixo de seus pés. Agora, Cassia vê a Sociedade com novos olhos e é tomada por um inédito desejo de escolher. Escolher entre Xander e o sensível Ky, entre a segurança e o risco, entre a perfeição e a paixão. Entre a ordem estabelecida e a promessa de um novo mundo.

A sociedade vive um momento de paz e plenitude. E isso foi a Sociedade quem garantiu quando concentrou todas as suas forças em destruir todas as características que fizeram dos humanos, seres com alto potencial destrutivo. Para isso, histórias, canções e escolhas perigosas foram dizimadas, e os Funcionários decidem tudo, desde o que o cidadão vai vestir até o Par perfeito para ele se casar. Cassia não tinha problemas com a vida que conheceu, afinal, seus pais se amavam, trabalhavam no que gostavam e ela tinha um grande futuro pela frente com a garantia de que ele seria tranquilo e seguro. Pelo menos era o que ela acreditava até que uma falha no seu microcartão a faz vislumbrar um novo mundo de possibilidades divergentes do que a Sociedade sempre pregou. E é dividida entre Xander – o seu amigo de toda a vida e companheiro perfeito – e Ky – o garoto incrível e que guarda histórias dentro de si –, que ela começa a notar que o desejo de escolher ascende uma chama dentro dela que não poderá ser apegada até que ela enxergue as coisas como elas realmente são e lute por aquilo que ela quer.

É inegável que a distopia tem certos padrões que acabam transformando os livros que se submetem a ela em obras um tanto quanto semelhantes. E sendo esse um dos meus gêneros prediletos, a tarefa do autor me surpreender se torna um pouco mais complicada também. Contudo, foi ao me entregar a narrativa de Ally Condie sem muitas expectativas, que eu consegui desfrutar de uma história que cativa por sua simplicidade e leveza de ser contada. Boa parte disso se deve aos personagens dessa história, já que por mais que todos tenham fortes ideais, eles transparecem certa tranquilidade na maneira de agir e de pensar, que faz com que o leitor se envolva mais e mais na vida de Cassia e daqueles que a rodeiam. Sendo desenvolvido de forma gradual, não são raras às vezes em que todo o futuro da história parece estar às claras para quem está lendo, principalmente, porque as pistas estão espalhadas por toda parte e só basta ter um pouco de atenção para perceber quais são as intenções da autora.

Isso poderia ser considerado facilmente um ponto negativo do livro, porém, não o considero assim porque isso facilitou um lado do enredo que me deixava receosa: o triângulo amoroso. Sendo bem sincera, eu não vi nenhuma característica que possa aborrecer quem não é fã desse artifício utilizado na construção das tramas, já que desde o início sabemos por quem a Cassia está apaixonada de verdade e a autora consegue esclarecer de forma muito delicada quais são os sentimentos que ela nutre tanto por Xander quanto por Ky sem deixar dúvidas sobre o porquê das escolhas da protagonista.

Particularmente, eu achei a Cassia uma das personagens mais tranquilas que já acompanhei. Ela não possui arroubos de coragem que não condizem com a sua personalidade e tudo nela vai se modificando aos poucos – o que a deixa muito mais crível. Além disso, a maneira com que ela se permite questionar, torna o desenrolar dos fatos ainda mais encantador, já que o Ky está sempre a disposição dela para revelar um pouco mais sobre a sua verdadeira história e sobre as mentiras contadas pela Sociedade – que pode ser tudo menos perfeita. O entrosamento entre os dois é tão bonito de se ver que o Xander quase cai em esquecimento, pois por mais que ele seja simpático, inteligente e carismático, a presença do Ky diminui consideravelmente as suas qualidades aos olhos do leitor, já que não há maneira de não se apaixonar por todas as coisas que transformam o Ky em um típico herói.

Dessa forma, não há como dizer outra coisa se não: a história envolve o leitor do início ao fim. Entretanto, isso não faz de ‘Destino’ um livro isento de defeitos, já que há um excesso de serenidade na forma com que o enredo é conduzido que por vezes torna as coisas um tanto monótonas. Não sei se isso aconteceu por causa da personalidade da Cassia, que é a narradora da história, ou se foi porque a autora esqueceu que previsibilidade só é bom até certo ponto e que o clímax jamais pode ser deixado de fora da construção de um livro. Mas afora esse ponto não tenho do que me queixar, pois o primeiro livro da trilogia ‘Matched’ não só se mostrou um ótimo entretenimento, como também, me deixou com vontade de saber qual o futuro dos personagens que habitaram essas páginas, bem como, quais são os segredos que a Sociedade deseja esconder dos seus habitantes de modo tão desesperador.


[...] Quero estender a mão, segurar a dele, prendê-la bem no meu coração, bem no lugar onde dói mais. Não sei se me curaria ou se partiria completamente meu coração, mas pelo menos essa espera faminta e constante terminaria. Pág. 151

Playlist:


--- Isabelle Vitorino ---

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