21 de janeiro de 2014

É Filme: O Corvo


Nos últimos meses Edgar Allan Poe tem se tornado uma figura constante em minha vida. Seus textos me envolvem de uma maneira quase hipnótica, que me fez pedir por mais sempre. Contudo, eu sentia falta de uma produção que trouxesse mais da biografia do próprio autor e menos de suas obras. Para minha surpresa, foi em ‘O Corvo’ que eu encontrei o equilíbrio perfeito entre os dois.

Título: O Corvo
Título original: The Raven
Lançamento: 2012 (EUA)
Direção: James McTeigue
Elenco: John Cusack, Luke Evans, Alice Eve, Brendan Gleeson, Oliver Jackson-Cohen, Kevin McNally, Sam Hazeldine, Pam Ferris, John Warnaby.
Duração: 111 min.
Gênero: Suspense
Durante o século XIX em Baltimore, Maryland, a polícia descobre o cadáver de uma mulher morta por estrangulamento dentro de um apartamento trancado e com as janelas pregadas. O detetive Emmett Fields percebe similaridades com o conto policial "The Murders in the Rue Morgue" e resolve investigar o autor, Edgar Allan Poe. O escritor está com bloqueio criativo e entregue ao alcoolismo. Mantém um romance com Emily Hamilton, filha de um rico militar que o detesta. Enquanto Fields confronta Poe, outros crimes e assassinatos inspirados nas histórias do escritor continuam a acontecer e a polícia percebe que enfrenta um sanguinário serial killer.


Edgar Allan Poe não é um homem comum nos mais variados sentidos, dotado de uma criatividade mórbida e de uma propensão a tomar mais doses de bebidas do que o recomendado, ele se vê mais uma vez apanhado pelos encantos femininos e se apaixona por Emily, uma donzela da alta sociedade, cujo pai abomina Poe com todas as suas forças. Contudo, as expectativas da concretização desse romance se veem nubladas, quando uma série de assassinatos começa a aterrorizar os habitantes de Baltimore por sua natureza cruel e por se assemelhar de vários modos a crimes descritos nas histórias escritas por Edgar. Submetido a uma investigação pelo detetive Emmett Fields, o escritor tenta encontrar uma forma de entrar na cabeça do serial killer e descobrir qual será o seu próximo passo e sua próxima inspiração.

John Cusack trouxe para as telonas um Poe dotado de tudo aquilo que eu imaginava ser feito o próprio autor. Alguns podem dizer que nele havia um toque exacerbado de excentricidade, mas eu prefiro enxergar nele uma característica mais cômica trazida para completar todos os outros pontos que foram conferidos a sua personalidade que trouxe para os espectadores um Edgar alcoólatra, vaidoso e esbanjador. Contudo, é certo que o escritor só ganha mais ares de realismo quando John coloca em prática todo o brilhantismo do Poe para descobrir as origens dos mistérios que passa a rondar a cidade desde a descoberta dos primeiros corpos e que acaba se mostrando um grande enigma onde as suas histórias são a parte mais importante de todo o enredo.

Por isso, menções as obras do autor são constantes e uma leitura prévia desses textos ajuda a compreender os pormenores da trama – que é riquíssima de conteúdo. Entretanto, entendam que com isso eu não quero dizer que seja impossível compreender algumas sutilizas do longa, pois o roteiro foi escrito de maneira tão bem amarrada que até a pessoa mais leiga no que tange as obras de Edgar Allan Poe, conseguirá compreendê-lo. Porém, acredito que o desenrolar da história visto sob o ponto de vista de um leitor de suas histórias, promove certa interação entre o filme e o espectador, já que a trama está repleta de charadas cuja solução está diretamente ligada ao conhecimento das particularidades contidas na obra do autor. Outra faceta interessante do filme é a maneira que eles abordaram a morte do autor, pois cercada de mistério e de perguntas em aberto, o roteirista fez um trabalho excelente ao traçar um paralelo entre realidade e ficção, tornando a história ainda mais crível.

Por focar no suspense e na investigação policial, não são raras as cenas em que o espectador vê imagens repulsivas de crimes orquestrados com um toque de crueldade digno dos contos de Poe. Contudo, posso dizer que o que tornou as cenas ainda mais repugnantes foi a fotografia do filme, pois essa não só se utilizou de um jogo de luz e sombras, como também, de uma ambientação de época que foi precisa ao transmitir  as sensações que a trama necessitava. Além disso, o romance entre Edgar e Emily é explorado de uma forma diferenciada, pois ao contrário do que a sinopse transparece as dificuldades do casal vão muito além de um pai ciumento e de diferenças sociais, ela está concentrada nas loucuras de um homem que possui uma relação ambígua com o Poe. Diante disso, posso dizer que mesmo flertando com vários gêneros, ‘O Corvo’ se torna conquistador ao não cair na mesmice no desenrolar da sua trama por se renovar a cada cena ao explorar a vida e obra desse autor que se tornou um clássico ao marcar várias gerações com o seu talento indescritível de tornar mais “palpável” os horrores contidos na mente humana. Com certeza, um filme mais do que recomendado!



Playlist:

--- Isabelle Vitorino ---

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