18 de dezembro de 2016

Resenha: Uma Curva no Tempo por Dani Atkins

"A noite do acidente mudou tudo..." ou 
"A noite do acidente foi uma grande sorte..." ?

Autora: Dani Atkins
Tradução: Raquel Zampil
Editora: Arqueiro
Ano: 2015
Páginas: 240
Onde comprar: Amazon | Saraiva | Submarino
A vida de Rachel está desmoronando. Ela mora sozinha em Londres, num apartamento minúsculo, tem um emprego sem nenhuma perspectiva e vive culpada pela morte de seu melhor amigo. Ela daria tudo para voltar no tempo. Mas a vida não funciona assim... Ou funciona?

Confesso que romances do tipo "Uma Curva no Tempo" nunca me atraem nas prateleiras físicas e virtuais da vida... Mas esse, ganhei de uma pessoa muito querida, então comecei a ler com entusiasmo e agora trago minha opinião para vocês.

O livro inicia em setembro de 2008, com Rachel e seus melhores amigos do ensino médio reunidos em um jantar comemorativo do fim desse ciclo em suas vidas. O clima é de diversão, saudade e nostalgia, até o momento em que um carro desgovernado invade o restaurante em que todos estão confraternizando... Nesse acidente, o melhor amigo de Rachel, Jimmy, morre tentando salvar sua vida.

Ela sobrevive, mas com sequelas. Físicas e emocionais. Uma grande cicatriz que desfigurou seu rosto e uma dor incurável pela perda do amigo. Dor tão profunda, que a faz terminar o namoro de anos com Matt, se afastar dos amigos e praticamente obrigar o pai  levá-la embora de Great Bishopsford,  cidade em que viviam.

Cinco anos depois, encontramos uma Rachel completamente diferente. Aos 23 anos, mora em Londres, sozinha num apartamento minúsculo e desleixado, trabalhando como secretária, sem vida social - uma Rachel que abandonou até o sonho mais querido (ir para a universidade e tornar-se uma grande jornalista). Até com a melhor amiga, Sarah, mantém contato breve e espaçado e sua única preocupação, além de continuar tentando viver dia após dia, é o cuidado com o pai, que desenvolveu câncer ao retomar o hábito de fumar durante a convalescença da filha no acidente de 2008.

Rachel começa a sentir umas dores de cabeça estranhas... Na época do acidente, os médicos avisaram que esse seria um dos sinais de algo sério, um dos sinais que ela não poderia ignorar quando acontecesse. Ela decide postergar os exames que sabe que precisa realizar, para não preocupar o pai, que já está debilitado pela quimioterapia.

Apesar de evitar há muito tempo fazê-lo, Rachel tem que voltar a Great Bishopsford e encarar as pessoas e os acontecimentos que em vão tenta esquecer. Sarah vai se casar, e Rachel sabe que não pode magoar a amiga de infância tão profundamente, faltando ao seu casamento, já tendo declinado o convite para ser uma das madrinhas. E então, ela volta à cidade do acontecimento mais traumático da sua vida.
Eu havia acreditado que, com o passar dos anos, alcançara um ponto de aceitação, mas percebia agora que tudo o que fizera fora passar uma fina camada de fingimento sobre a ferida.

Antes do jantar de despedida de solteira de Sarah, Rachel decide visitar os lugares marcantes de seu passado, na tentativa de finalmente seguir em frente. Visita a antiga casa em que morou, lugar que lhe traz boas lembranças e segue para a casa de Jimmy. Conversa com a mãe do seu melhor amigo e fica bastante perturbada, pois ela também lhe fala o que tantas pessoas já insinuaram - que Jimmy gostava dela além da amizade.

Rachel afasta esse pensamento e segue para o jantar. Ela imaginava que seria um pouco desconfortável encontrar os amigos depois de tanto tempo afastados... e acerta. Além do desconcertante encontro com ex-namorado, Matt, e sua atual namorada, Cath (que desde os tempos do ensino médio tentava conquistá-lo, e a trata agora de forma no mínimo indelicada), a interação é um pouco forçada. Todos aparentam estar felizes e entusiasmados, mas falta alguém àquela reunião, uma pessoa que nunca mais poderão encontrar.

Pretextando uma dor de cabeça que realmente sente, Rachel decide voltar para o hotel e Matt acaba lhe dando uma carona. Mais uma vez, fica evidente que ele permanece inconformado com o término do relacionamento entre os dois. Ela decide então seguir para a visita mais dolorosa dessa volta à Great Bishopsford - o cemitério onde Jimmy está enterrado. A emoção é forte demais para suportar e Rachel acaba perdendo a consciência... e despertando numa realidade totalmente diferente da qual vivia.

Primeiro choque: seu pai está saudável! Nunca teve câncer. Segundo: está noiva, de Matt! E terceiro, e mais impressionante: Jimmy está vivo!

As surpresas não param por aí: Rachel descobre que é jornalista e tem o emprego do sonhos numa grande revista. Mora num apartamento lindo, tem um guarda roupa invejável e já realizou seu sonho de visitar Paris. O problema é que ela não lembra de nada disso...
Quando é que um sonho se torna pesadelo? Sempre achei que fosse no momento em que o que é familiar de súbito se torna estranho e ameaçador; ou quando você se perde em algum lugar que pensou conhecer bem; ou ao ser invadido por um sentimento de impotência – quando sabe que está falando com clareza, mas ninguém parece ouvir. Mas meu verdadeiro pesadelo começou com o entendimento de que eu não ia acordar: que, de alguma forma, impossível e inacreditavelmente, aquilo estava mesmo acontecendo.

Enquanto os pais, amigos e médicos tentam convencê-la de que está sofrendo de um tipo bastante raro de amnésia, Rachel começa a visitar todos os lugares e pessoas de sua antiga vida para se convencer de que realmente não está sonhando e que, na realidade, a noite do acidente foi uma grande sorte - não a tragédia que ainda está vívida em sua memória. Mas será que essa nova vida é real? Será que a antiga vida é apenas fruto de uma amnésia?
De repente, a jornada para procurar as respostas não parecia tão assustadora, agora que eu sabia que não estava sozinha.

Se você, assim como eu enquanto lia (e a Rachel), não tem ideia de qual possa ser a realidade, não vou frustrar sua leitura. "Uma Curva no Tempo" é um livro leve, bonito, sem desfecho óbvio (mas bem clichê no quesito romance), e o melhor: a leitura flui tão facilmente e é tão viciante que ele pode ser lido tranquilamente em um dia. Foi um presente lindo, recomendo a leitura!


Comentários acerca da edição:

Essa edição é brochura, com capa soft touch. O design é lindo e reflete perfeitamente a história. A diagramação e o papel são ok. Não percebi erros de revisão. Recomendo a compra.

--- Mariane Brandão ---

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