28 de novembro de 2016

Resenha Especial: A Letra Escarlate por Nathaniel Hawthorne

A cada dia eu só tenho uma certeza: Estamos cada vez mais regredindo para a América Puritana...

Título: A Letra Escarlate
Autor (a): Nathaniel Hawthorne
Editora: Penguin Companhia
Ano: 2012
Páginas: 336
Onde comprar: Saraiva | Submarino
Na rígida comunidade puritana de Boston do século XVII, a jovem Hester Prynne tem uma relação adúltera que termina com o nascimento de uma criança ilegítima. Desonrada e renegada publicamente, ela é obrigada a levar sempre a letra A de adúltera bordada em seu peito. Hester, primeira autêntica heroína da literatura norte-americana, se vale de sua força interior e de sua convicção de espírito para criar a filha sozinha, lidar com a volta do marido e proteger o segredo acerca da identidade de seu amante. Aclamado desde seu lançamento como um clássico, A letra escarlate é um retrato dramático e comovente da submissão e da resistência às normas sociais, da paixão e da fragilidade humanas, e uma das obras-primas da literatura mundial.


Ambientado em Boston, em meados do século XVII, quando os puritanos chegaram ao Novo Mundo, o primeiro e mais conhecido romance de Nathaniel Hawthorne nos apresenta ao pior tipo de sociedade do mundo, na opinião desse que vos escreve: os puritanos.

Para os menos cientes da história, o Puritanismo foi uma corrente da fé cristã extremamente radical, que surgiu como resposta a sua insatisfação com o ritualismo da Igreja Anglicana, o meio que Henrique VIII arranjou de conseguir seu divórcio de Catarina de Aragão. Essa "Doutrina Religiosa" prega a predestinação, bem como a rigorosa política da boa moral cristão, seja no âmbito social ou privado. E ai de quem fosse aquele que desrespeitasse os "bons costumes"...

Hester Pryne é uma jovem casada que, junto com o marido, decidem por fazer sua vida nessa nova sociedade do Novo Mundo. Ela parte na frente e passado dois anos, o marido é dado como morto, vítima da viagem. Porém, eis que dois anos depois de fixar residência na Nova Inglaterra, Esther aparece grávida.

Tal crime contra os bons costumes jamais ficaria impune. Eis então que Esther é presa e, onde se inicia a história, após ter seu bebê, uma menina que chamou de Pearl, Esther é posta no cadafalso, local de execução de criminosos, onde. após se negar com veemência a revelar a identidade do pai da criança, mesmo com o apelo de seu antigo guia espiritual, o reverendo Dimmesdale, é sentenciada a ter bordado para sempre em seu busto a Letra "A" para comprovar que é uma adúltera, e passar a ser uma pária na sociedade.

Após tal episódio, ela retorna à prisão, onde reencontra seu marido desaparecido, que acaba de chegar a cidade e exige da esposa que jamais revele a ninguém sua verdadeira identidade, e passa a se chamar Dr. Roger Chillingworth, pois passa a tuar como médico na cidade. Esther aceita tal condição e o restante do livro então é o passar de 07 anos, onde vemos como essa pecadora passou a viver na hipócrita cidade.

Um dos pontos mais relevantes da Letra Escarlate com certeza é a crítica á "religiosidade" e "moral", que norteia toda a trama. Esther é um dos personagens femininos mais fortes que já encontrei nessa minha rala experiência literária. Apesar das intempéries que a famigerada condenação da moça tenha gerado, ela se torna de uma pária à um símbolo de esperança, pois, além de sustentar sua filha com sua habilidade caprichosa no bordado, parrou a cuidar cada vez mais dos pobres, doentes e moribundos da cidade, nunca abaixando a cabeça ou se revoltando contra a cidade. Seu espírito forte fez com que, do seu "pecado" a envolvesse numa redoma de mácula, onde a mesma acabou por se tornar um mártir da cidade. É interessante notar também como a personagem vai mudando ao longos dos tempos. Antes uma bela e jovial moça, nossa protagonista vai se tornando um simbolo de austeridade, o que faz com que a mesma acabe por perder qualquer chance de futuros relacionamentos.

Sua filha, Pearl, também é um personagem deveras intrigante. Apesar de, durante toda a história, ter apenas 07 anos, sempre foi uma criança arteira e solitária, pois sempre foi considerada como "filha do diabo". É ela que dá vida ao livro, com suas falas bem posicionadas e incômodas aos que a escutam.

A sociedade em si é bastante interessante de se observar. pois Hawthorne tenta expor todo o preconceito dessa sociedade tão correta, que, ao encontrar uma vítima que publicamente foi imoral, desconta na mesma todo seu horror ao julgamento divino e atiram todos os seus receios e angústias.

Porém, apesar de tal premissa, o livro em si deixa a desejar.

A começar pelos dois personagens masculinos de destaque da história.

O Reverendo Arthur Dimmesdale é considerado um santo. Jovem para o cargo que ocupa, suas missas são um perfeito deslumbre a seus seguidores, que o tem na mais alta conta, considerando-o um anjo puro que desceu dos céus. O mesmo acaba por intensificar tal imagem ao falar, em alto e bom som para quem quiser ouvir, que é um pecador e que jamais será digno dos portões celestiais, dando ao mesmo um ar de humildade que faz todas as senhoritas suspirarem. Acaba que o reverendo Dimmesdale não é nada modesto, mas sim uma pessoa torturada por um pecado antigo, ao qual se penaliza tanto mental quanto fisicamente.

Dimmesdale acaba por construir uma amizade deveras conturbada com o Dr. Chillingworth, que é o mais próximo de um vilão nessa história. Chillingworth é um homem amargurado que sempre entra em confronto com o reverendo, fazendo os dois uma representação da antiga luta da ciência contra a fé.

Mas os dois são chatos.

Tanto o reverendo Dimmesdale quanto o Dr. Chillingworth são homens, a sua maneira, amargurados e muito enfadonhos. Os capítulos que retratam ambos são maçantes e tão demorados, que acabei levando menes pra acabar um livro tão curto.

Mas a culpa não é apenas dos personagens, mas também da narrativa.

Hawthorne é ótimo pra criar profundidade a seus personagens, isso é atestado na leitura, mas o problema é que ela se preocupa tanto em dar essa profundidade e no pensamento crítico, que a narrativa em si acaba se tornando um segundo plano. É um livro em que as ações são deveras escassas, e a falta de dinamismo acaba por tornar a leitura muito enfadonha.

O livro é muito interessante e atemporal. Hawthorne sabe como nor forçar a um pensamento crítico e a elucidar diversos pontos numa trama bem bolada. Afinal, quem é que pode dizer o que é certo e o que é errado?



"É mérito da natureza humana o fato de que, se o egoismo não entrar na equação, amamos com muito mais facilidade do que odiamos" - Pág. 178

--- Marcel Elias ---

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