24 de outubro de 2016

Resenha: A Noite dos Mortos-Vivos e A Volta dos Mortos-Vivos por John Russo

Uma coisa é certa: Os mortos nunca mais fôramos mesmos depois de John Russo e George Romero.

Título: A Noite dos Mortos-Vivos e A Volta dos Mortos-Vivos
Autor: John Russo
Editora: Darkside
Páginas: 320
Ano: 2014
Onde comprar: Amazon | Saraiva |  Submarino
A DarkSide® desenterra mais um clássico do terror e vai direto na fonte: A Noite dos Mortos-Vivos, considerado uma das maiores obras-primas do gênero e um livro obrigatório para os fãs de The Walking Dead, Resident Evil, Orgulho e Preconceito Zumbi e tudo aquilo que englobe os carismáticos comedores de cérebros. Se hoje os zumbis estão em alta é porque, em 1968, George Romero e John Russo se reuniram para escrever o roteiro de A Noite dos Mortos-Vivos e mudar a história do cinema. O filme revolucionou o mito sobre as criaturas que voltavam do além: as superstições vodus das velhas produções B deram lugar à epidemia de fome canibal nas ruas norte-americanas. Criaturas similares já haviam aparecido antes nas telonas, mas foi em A Noite dos Mortos-Vivos a primeira vez em que foram retratados como uma praga devoradora de carne humana. O próprio John Russo (que também atua no clássico de 1968 como um zumbi) adaptou a história do filme neste romance que a DarkSide® traz para o Brasil. A Noite dos Mortos-Vivos inclui ainda uma surpresa para os leitores: o texto integral da sequência do clássico, que nunca chegou a ser filmada, chamada de A Volta dos Mortos-Vivos (não vai confundir com a comédia trash de 1985, que também contou com Russo no time de roteiristas). Depois de 45 anos, finalmente é publicado no Brasil o romance do filme que marcou gerações.


Um casal de irmão viaja por quase duas horas rumo a uma igreja. Seu objetivo era mais especificadamente o cemitério atrás da mesma, onde os pais estavam enterrados. Johnny, o mais velho, está extremamente mal humorado por ter perdido seu tempo com isso, mas Bárbara está resoluta quanto a prestar essa homenagem aos pais. O que os dois jovens não sabiam era que, durante sua viagem, por motivos não explicados totalmente, os mortos retornaram a vida, só que em forma de seres irracionais, que querem carne humana. Após descobrirem isso da forma mais trágica possível, Barbara acaba por se juntar a um homem chamado Ben e, juntos com o grupo mais instável e improvável da literatura, irão tentar sobreviver a essa praga que só tem um objetivo: Consumir seus corpos.

Em A Volta dos Mortos-Vivos, que se passa alguns anos após o primeiro levantar dos mortos, a sociedade, que em sua maioria já se esqueceu dos acontecimentos relacionados aos defuntos, vive sua via normalmente, até que, novamente, os mortos se erguem. Dessa vez, acompanharemos uma família que foi rendida por assaltantes nesse tempo caótico e a luta dos policiais Dave e Carl para ajudarem as 3 irmãs a se libertarem dos marginais, que só pensam em lucrar em meio a todo o caos com os mortos.

Nunca fui nem um pouco fascinado por zumbis. Além de sempre achá-los criaturas de mórbido mal gosto, nunca me senti muito confortável com a ideia de profanarem a sacralidade que do “descanso eterno”, que tenho na minha mente. Mas, desde essa leva de apocalipse zumbis desencadeada por The Walking Dead, percebi que a graça dessas histórias não são os zumbis, mas sim a luta pela sobrevivência, que é o que temos em ambas as histórias.

Enquanto na primeira delas, o grande foco é a ideia de criar um abrigo seguro contra as criaturas, e sobreviverem enquanto esperam por ajuda, a segunda, guardadas as devidas proporções, é uma jornada pela terra apinhada de monstros, em busca de ajudar as cidadãs vítimas de pessoas ruins.

Os capítulos dinâmicos, recheados de ação e curtos fazem as histórias de rápida leitura. E o desfecho de ambas é bem similar.

Os cenários acabam diferindo bastante: Enquanto na primeira história temos apenas aquele cemitério e, pouco depois, a casa onde o grupo de sobreviventes vai ficar, dando u ar meio claustrofóbico na história, a segunda, por se tratar dessa “jornada heroica” acaba por explorar ambientes diversos, apesar da maior parte da história se passar dentro de uma residência também.

Meus dois pontos mais marcantes da história são, com certeza, a primeira página, que é quase um prólogo de um ensaio sobre a vida, muito bem bolado, e as aparições dos zumbis. John Russo sabe apresentar o terror muito bem, e eu tremi de medo em ambos os “despertares” dos mortos. Vale a pena pontuar uma cena bem doentia e macabra na segunda história, que é quando um zumbi passa a devorar uma moça. Até aí seria apenas mais uma descrição de morte por zumbis, se Russo não tivesse optado por dar uma conotação sexual à cena, deixando-a deveras intrigante, apesar de extremamente mórbida e nojenta.

Porém, apesar de saber bolar a introdução do seu terror e conseguir dinamizar bem ambas as tramas, a história é extremamente superficial e vazia. Não temos nenhum personagem muito marcante, e profundo. A história literalmente nos apresenta os personagens que a compõem, nos mostra a trama e segue, retilineamente, até o seu final. Ele não tem tramas complementares e mesmo os personagens mais interessantes são bem vazios e sem muito peso narrativo.

A Noite dos Mortos-Vivos e a Volta dos Mortos-Vivos acabam por ser dois contos mais longos, sem uma trama muito bolada, mas merece seu mérito, pois foi o precursor de ótimas histórias sobre a sobrevivência em meio a adversidades macabras.

“Viver é se remexer constantemente em um túmulo. As coisas vivem e morrem. Às vezes vivem bem e às vezes vivem mal, mas sempre morrem, e a morte é aquilo que reduz todas as coisas ao menor denominador comum” – Pág 17

--- Marcel Elias ---

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