8 de agosto de 2016

Resenha: O Menino do Pijama Listrado por John Boyne

Na resenha de hoje, falaremos sobre um livro bastante aclamado pelas críticas e leitores ao redor do mundo. Traduzido para mais de 30 idiomas e ganhador de alguns prêmios, temo usar termos não tão atrativos sobre a sua história.

Título: O Menino do Pijama Listrado
Autor: John Boyne
Editora: Seguinte
Ano: 2007
Páginas: 190
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Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus. Também não faz idéia que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e a mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e para além dela centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com frio na barriga. Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. O menino do pijama listrado é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra, e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável.

Bruno é um garoto de nove anos que não faz ideia do que esteja acontecendo ao seu redor. Filho de um comandante nazista, o garoto se vê obrigado a deixar sua casa grande e agradável em Berlin para ir morar numa casa não tão confortável em um lugar onde não tem nenhuma companhia. Muito triste e entediado com a mudança, ele procura algo que o entretenha e acaba encontrando Shmuel, um garotinho que vive com mais centenas de pessoas do outro lado da cerca que tem próximo a sua casa. 

Essas pessoas de pijamas listrados são uma dúvida para o curioso garoto que tenta entender quem são e o que fazem ali, descobrindo também um pouco sobre o trabalho do pai. Aos poucos, o rumo dessa amizade levará a caminhos desconhecidos e a inocência dessas crianças custará muito caro.

Não tenho adjetivo mais apropriado para “O Menino do Pijama Listrado” se não decepcionante. Um livro tão aclamado pela grande maioria e, ao meu ver, pura enganação. Claro que, a história em si é boa e tem lá seus atrativos, mas não é tudo o que opinaram sobre.

Pra começar, discordo da tradução de como o Hitler era chamado pelos demais. Há muitos outros livros que falam da época e não se fizeram necessário traduzir o termo. Chamá-lo de “O Fúria” minimizou um pouco a ferocidade que ele exercia no idioma original, embora tenha que se levar em consideração que a narração é feita por um garoto de nove anos extremamente ingênuo e que provavelmente pronuncia algumas coisas de forma errônea por não compreender exatamente o que significa.

É essa falta de compreensão e inocência do garoto que leva a história ao seu ápice tão conhecido, porém há fatores em sua personalidade que o autor conseguiu tornar extremamente cansativo. Como o fato das definições do garoto sobre as coisas ao seu redor ser repetido sempre que mencionado o que ele definiu. Ele acha que sua irmã é um “caso perdido” e sempre que fala sobre sua irmã, enfatiza o fato de achá-la um “caso perdido”. Com o passar da história, isso fica muito irritante e pode cansar a leitura.

Por ser um livro pequeno, poderia ser melhor elaborado sem esses fatores. É mencionado que o autor o escreveu em apenas dois dias e meio, porém acredito que ele poderia ter gastado mais tempo construindo algo que desse maior valor a uma história tão bonita. É dito também que a história é narrada por um garoto de nove anos, embora não deva ser lida por um garoto de nove anos, o que eu discordo parcialmente. Só se tem noção do que acontece com a criança se o leitor tiver conhecimento prévio de um pouco da história da Segunda Guerra Mundial, bem como o holocausto judeu e o que havia nos campos de concentração.

Nunca imaginei que diria isso, mas o filme é melhor que o livro. Nele, é passado um misto de emoções muito forte e impactante e o livro, mesmo tendo o mesmo conteúdo, não me passou nem metade de tudo isso. A escrita de John Boyne me decepcionou bastante e o seu conteúdo deixou muito a desejar. Poderia ter sido melhor, mas a experiência é de longe frustrante.

[...] Então Shmuel fez algo que nunca havia feito antes: ele ergueu a parte de baixo da cerca como sempre fazia quando o amigo lhe trazia comida, mas desta vez ele estendeu a mão por baixo e a manteve lá, esperando até que Bruno fizesse o mesmo. Os dois meninos apertaram as mãos e sorriram um para o outro.
Foi a primeira vez que eles se tocaram. Pág. 152 a 153


--- Juliana Gueiros ---

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