6 de julho de 2016

Resenha: Era Uma Vez No Outono por Lisa Kleypas

Não é segredo para ninguém que romances de época são o meu ponto fraco da literatura. Amo mergulhar nesse mundo fantástico, onde todas as regras e valores que conhecemos hoje são totalmente distintos dos requeridos para os personagens. Entretanto, não é porque se trata de um livro com todos esses requisitos que isso é um indicativo de que eu vá me apaixonar pelo que eu vi. E exatamente disso que se trata esta resenha.

Título: Era Uma Vez No Outono
Autor (a): Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Ano: 2016
Onde comprar: Amazon | Saraiva | Submarino
A jovem e obstinada Lillian Bowman sai dos Estados Unidos em busca de um marido da aristocracia londrina. Contudo nenhum homem parece capaz de fazê-la perder a cabeça. Exceto, talvez, Marcus Marsden, o arrogante lorde Westcliff, que ela despreza mais do que a qualquer outra pessoa. Marcus é o típico britânico reservado e controlado. Mas algo na audaciosa Lillian faz com que ele saia de si. Os dois simplesmente não conseguem parar de brigar. Então, numa tarde de outono, um encontro inesperado faz Lillian perceber que, sob a fachada de austeridade, há o homem apaixonado com que sempre sonhou. Mas será que um conde vai desafiar as convenções sociais a ponto de propor casamento a uma moça tão inapropriada?


Lillian Bowman saiu dos Estados Unidos com uma única tarefa imposta pelos seus pais: casar com um aristocrata britânico. Sendo uma das herdeiras de um empresário da indústria do sabão, ela e sua irmã são perseguidas pela alta sociedade da Inglaterra por não possuírem sangue azul, muito menos conhecimento de todas as regras que existem para viver dentro daquele círculo social. Entretanto, por mais investimento que seus pais tenham feito para fazê-la chamar atenção dos solteiros do país, os esforços parecem terem sido pífios e ela sempre ficava relegada ao canto das solteironas nos bailes em que frequentava. Isso poderia ter sido uma tortura, se naquele local ela não tivesse encontrado um peculiar grupo de garotas que passaram a se autodenominar "Flores Secas". Se antes ela estava conformada com a sua condição, isso muda quando a sua amiga Annabelle encontra o verdadeiro amor. Apesar de não sonhar com esse tipo de romantismo, as coisas começam a mudar quando ela se aproxima do áustero lorde Westcliff.

Marcus Marsden é um homem extremamente poderoso e que cumpre perfeitamente a posição que lhe foi exigido quando ele não era mais que uma criança. Não cabia a ele questionar porque a sua infância havia sido solitária nem porque precisava atender as expectativas que todos tinham dele, ele apenas fazia o que era esperado. Em sua vida, não havia espaço para frivolidades, muito menos para amores verdadeiros. Pelo menos foi esse o discurso que ele se deu a partir do momento em que conheceu a mais velha das filhas do Sr. Bowman. Lillian possui tudo aquilo que foi ensinado a evitar: teimosia, determinação, coragem e uma língua ferina que a qualquer hora a colocaria em maus lençóis. Ele poderia ser seu inimigo, dificultar sua aceitação na sociedade em que pertencia, mas quando ela desperta nele algo que ele imaginou não ter dentro de si, dar uma chance para o seu coração e calar a voz da razão, parece ser a sua única saída.

Não posso dizer que a autora Lisa Kleypas seja uma das minhas autoras favoritas de romances de época, porém, lendo a segunda série escrita por ela já consigo visualizar melhor os contornos que permeiam todas as suas histórias. Em "Era Uma Vez no Outono" conheceremos um pouco mais da vida de Lillian Bowman e do misterioso lorde Westcliff, eles que foram importantes personagens de "Segredos de Uma Noite de Verão", possuem uma química inegável, principalmente se considerermos o quão diferente eles são. Todavia, essas divergências tão latentes no primeiro livro da série são acentuadas neste aqui, já que é notório desde o princípio que o sentimento que une Lillian e Marcus é uma atração avassaladora e não uma antipatia que aos poucos se transforma em algo mais como foi sugerido anteriormente. Particularmente, isso fez com que o livro perdesse um pouco do seu brilho, pois quando eu esperava tensão, respostas afiadas e porque não, uma boa dose de provocação, vi apenas uma tentativa falha de disfarçar o que realmente existia.

É claro que todos esses livros de romance possuem uma fórmula pré-definida cuja história segue apenas o curso programado, porém, enquanto leitora espero algumas coisas desses escritores para fazer com que eu me sinta espectadora de algo único e não foi o que aconteceu. Tudo foi tão previsível que passei todas as páginas tentando desfrutar sem me ater demais aos detalhes que pudessem me incomodar e diante dessa postura consegui visualizar aspectos positivos na história. O principal deles foi a amizade existente entre o grupo das Flores Secas, haja vista que mesmo diante das diferenças de suas personalidades elas conseguiram fazer um trabalho espetacular em manter-se unidas e oferecer proteção umas as outras. Isso se intensifica ainda mais entre Lillian e Daisy que além de irmãs são extremamente companheiras, sua cumplicidade me emocionou e me fez recordar da relação que tenho com as minhas irmãs - espero ter muito mais disso no último livro da série, no qual Daisy será protagonista.

Ademais, mesmo tendo todas as minhas ressalvas com relação ao romance, é certo que os apaixonados por romance de época encontrarão um prato cheio para se encantar, principalmente aqueles que não nutriam expectativas com relação ao casal. Podemos ver uma paixão se transformando em amor a medida em que cada um briga para não ceder, por terem personalidades fortes, o processo de aceitação do outro como de fato ele é, é lento e pincelado por ajudas externas. Apesar de toda a sua aparência de frieza, Marcus é um homem apaixonado e que encanta por lutar contra aquilo que sempre lhe ensinaram a ser, ao mesmo tempo que Lillian surpreende por assumir com tanta facilidade os sentimentos que sente por lorde Westcliff. Entretanto, quando as coisas se encaixam, infelizmente a sensação de medo de ler o próximo livro da série não me abandona, pois apesar de ter curiosidade de como a autora fará para o protagonista de "Pecados no Inverno" conquistar meu coração depois de tudo o que ele fez, toda a experiência que estou tendo com "As Quatro Estações do Amor" podem ser resumidas em uma única sensação: frustração.

[...] sempre dificuldade com as palavras quando os meus sentimentos são mais fortes. Pág. 204

--- Isabelle Vitorino ---

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