29 de junho de 2016

Resenha: Sedução da Seda por Loretta Chase

Na resenha de hoje trago para vocês um pouco mais da história de "Sedução da Seda". Pelos comentários que li após o término, essa foi um dos enredos mais controversos que se teve em um romance de época publicado pela editora Arqueiro. O porquê, você entenderão logo mais!


Título: Sedução da Seda
Série: As Modistas #1
Autor (a): Loretta Chase
Editora: Arqueiro
Páginas: 304
Ano: 2016
Onde comprar: Amazon | Saraiva | Submarino

Talentosa e ambiciosa, a modista Marcelline Noirot é a mais velha das três irmãs proprietárias de um refinado ateliê londrino. E só mesmo seu requinte impecável pode salvar a dama mais malvestida da cidade: lady Clara Fairfax, futura noiva do duque de Clevedon. Tornar-se a modista de lady Clara significa prestígio instantâneo. Mas, para alcançar esse objetivo, Marcelline primeiro deve convencer o próprio Clevedon, um homem cuja fama de imoralidade é quase tão grande quanto sua fortuna. O duque se considera um especialista na arte da sedução, mas madame Noirot também tem suas cartas na manga e não hesitará em usá-las. Contudo, o que se inicia como um flerte por interesse pode se tornar uma paixão ardente. E Londres talvez seja pequena demais para conter essas chamas. Primeiro livro da série As Modistas, Sedução da seda é como um vestido minuciosamente desenhado por Loretta Chase: de cores suaves e românticas em alguns trechos, mas adornado com os detalhes perfeitos para seduzir.




Marcelline Noirot é uma mulher decidida e que não acredita no poder da palavra impossível. Possuindo um talento nato para desenhar modelos de roupas inovadores, ela luta todos os dias para conseguir o seu lugar dentro da alta sociedade londrina. Entretanto, por mais que ofereça um trabalho exclusivo, nenhuma grande dama se tornou sua cliente e por isso as finanças da loja podem ficar ameaçadas. Desejando ganhar além de dinheiro, o devido reconhecimento, ela planeja dar um golpe infalível no duque de Clevedon: persuadi-lo a vestir a futura duquesa com os seus modelos. Sem nunca tê-lo visto, ela não estava preparada para o choque que seria encarar a sua beleza e enfrentar a sua obstinação diante do que deseja.

O duque de Clevedon passou um longo tempo fugindo das suas responsabilidades. Por ter herdado o título jovem demais, nunca se sentiu pronto para lidar com tudo o que viria junto com a sua denominação de duque. Por isso que mesmo tendo certeza do seu amor por lady Clara, ele não sentia que era o momento certo para se casar e pôr fim a toda diversão que estava tendo em Paris, ainda mais quando ele conheceu a bela Marcelline. Diferente das mulheres que ele estava acostumado a lidar, ela era extremamente direta com aquilo que queria e não segurava a sua língua afiada nem se sua vida dependesse disso. E quando ela revela as razões para estar diante dele, ele não pode fazer nada além desejá-la ainda mais.

Em "Sedução da Seda" nós temos personagens de personalidade e atitudes dúbias. Diferente do que costumamos ver nós livros de romance de época, esses desvios de caráter não estão presentes apenas nas figuras masculinas, pelo contrário, eles se estendem e alcançam as mulheres dessa história. E é a isso que eu atribuo a enorme quantidade de críticas que li a respeito do comportamento desses personagens. Verdade seja dita, independente de lermos esses livros com o pensamento de que eles se passam em outra época ou não, alguns leitores ainda não conseguem digerir com facilidade uma postura mais proativa das mocinhas - principalmente, se isso significa competir com os heróis na execução de canalhices de toda sorte.

Engraçado que o principal argumento das pessoas que não gostaram da história, foi justamente o que mais me atraiu nela. Além, é claro, da escrita impecável de Loretta Chase, temos personagens que são marcantes cada um a sua maneira. Marcelline é o tipo de pessoa que choca com a sua autencidade e sua falta de escrúpulos, ela possui uma determinação nata para perseguir aquilo deseja tal qual o duque, porém, enquanto ele leva isso para um âmbito pessoal, ela o utiliza para atingir o sucesso que deseja. Ela estaria errada por ser ambiciosa e não se importar com as consequências de suas ações? Sinceramente, essa é uma questão subjetiva e que adentra o campo da ética, da moral e da educação.

É por isso que aceito sim a desculpa dela de ser inescrupulosa por causa dos pais. Afinal, se o seu referencial lhe apresenta as falcatruas, as enganações e o mal caratismo como coisas que podem ser realizadas sem punição, como lutar contra isso por si só? Ainda mais em situações limítrofes? Pois bem, mesmo que essa resenha esteja parecendo uma tese de defesa, acredito que é importante analisar todas essas pontuações mesmo que o foco principal seja no romance. Penso que os livros são uma fonte riquíssima de conhecimento haja vista o seu poder de colocar o indivíduo em situações que talvez de outra maneira ele não tivesse contato, e a sua magia se torna ainda maior quando eles são capazes de mostrar que a vida e as pessoas não são perfeitas e não condizem com a nossa idealização, mas sim com a sua própria realidade de vida.

Tendo isso em mente, posso dizer sem sombra de dúvidas que "Sedução da Seda" foi uma história deliciosa de ser acompanhada. O gênio forte de Noirot fez um contraponto ideal para a maneira relapsa que Clevedon encara as suas responsabilidades. Gostei da abordagem de Chase nesse sentido, pois mostra de maneira muito palpável como a mulher também pode ser a figura racional de uma relação. A respeito do triângulo amoroso, ele funciona mais como um termômetro entre o casal do que como uma disputa de fato. É difícil saber a extensão dos danos disso em Clara nesse livro, porém, conseguiremos entender melhor as minúcias do que ocorreu no quarto volume da série que será dedicado a ela. 

Aliás, pela frente conheceremos um pouco mais das irmãs de Marcelline que são tão ardilosas quanto ela, por isso se você não gostou da premissa desse livro, é pouco provável que gostará dos demais volumes de "As Modistas". Entretanto, se depois de tudo o que disse lhe restou um desejo de conhecer esses personagens, indico a leitura veementemente. Você pode odiar? Com toda certeza. Mas você também poderá ver o mesmo que eu: personagens humanos e que dão vazão a essa humanidade através de suas gigantescas falhas e a vontade imensurável de acertar.


A vida não era uma roda que girava sem parar. Nunca voltava ao mesmo ponto. Não se limitava a um simples vermelho e preto e um leque de números. A vida ria da lógica. Sob o manto de ordem imposta pelo homem, a vida era uma total anarquia.


--- Isabelle Vitorino ---

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