14 de maio de 2016

Resenha: Magia do Sangue por Nora Roberts

Se tem uma autora que eu vivo me apaixonando (mas não completamente), é a Nora Roberts. Principalmente quando o assunto é a trilogia dos Primos O'Dwyer. Como vocês puderam ver nas minhas resenhas anteriores, "Magia do Sangue" era o livro que eu mais ansiava para ler. Primeiro, porque eu estava louca para saber como eles resolveriam uma intriga que já durava várias gerações. Segundo, porque eu não aguentava mais sofrer junto com o Fin e a Branna. E o que eu achei sobre esses e outros pontos? Vocês conferem na resenha de hoje!

Título: Magia do Sangue
Série: Trilogia dos Primos O'Dwyer #3
Autor (a): Nora Roberts
Editora: Arqueiro
Ano: 2015
Páginas: 288
Onde comprar: Saraiva | Submarino
Há muitos anos, Branna O’Dwyer entregou seu amor a Finbar Burke. No entanto, o romance durou pouco. Uma maldição ligada ao sangue de suas famílias os proibiu de ficar juntos.  Branna tentou preencher esse vazio com amigos e familiares, mas sabe que, sem Fin, sua vida nunca estará completa. Ele, por sua vez, passou os últimos doze anos viajando pelo mundo, focado exclusivamente no trabalho. Atormentados pela forte atração que nem a distância pôde aplacar, nenhum dos dois acha que um dia se entregará de novo ao amor. Entretanto, em meio às sombras que ameaçam destruir tudo o que eles consideram mais precioso, esse relacionamento sem futuro pode ser também a última esperança que lhes resta.

Branna sempre colocou as suas responsabilidades acima do amor. Principalmente, porque isso significava estabelecer uma distância entre ela e Fin. Como sua família bem desconfiava, ela nunca deixara de amar o primeiro homem de sua vida, mas estar com ele era o mesmo que trair seu sangue e esse peso para ela era insustentável. Durante anos eles permaneceram distantes um do outro, porém, era chegada a hora de ela deixar que ele entrasse na sua vida mais uma vez, senão como homem, pelo menos como o bruxo poderoso que ele era. Forçada a deixar seus medos de lado em detrimento da causa dos descendentes da Bruxa da Noite, ela se permite olhar para Fin como alguém leal mesmo quando a sua essência o impelia a trair. Com as suas defesas desarmadas, ela não consegue escapar do inegável amor que sente por ele e os seus desejos mais profundos passam a exercer poder sobre ela.

Fin fez de tudo para esquecer o amor que sentia por Branna, mas nunca foi capaz disso. Depois de ter viajado pelo mundo em busca de algo que pudesse dar sentido em sua vida, quando Iona chega a Irlanda e completa o círculo dos três necessário para destruir o bruxo Cabhan, ele percebe que não há mais como fugir e que deverá enfrentar a mulher da sua vida mais uma vez. Ele sabe que ela não confia nele para o trabalho que deveria ser feito por causa da marca do inimigo que ele carrega, porém, agora que está mais uma vez ao lado de Branna, a única coisa que ele quer é ter a chance de provar o seu valor não só como bruxo para sair vitorioso naquela guerra, como também, como homem para amá-la e honrá-la. Entretanto, quando as forças sobrenaturais passam a testá-lo, ele não sabe como dizer não a escuridão que possui dentro de si e pode colocar em risco todos aqueles que ele ama.

Em "Magia do Sangue" é chegada a hora de conhecermos o grande fechamento não só da série, como também, a solução para uma rixa que perdura várias gerações e que se mantém viva através do desejo de vingança que a família de Sorcha, a Bruxa da Noite, tem para com Cabhan. Sendo o livro de conclusão, desejei obter mais coisas do que tive. Principalmente no que se refere a quem de fato era Cabhan e porquê ele desejava tanto obter o poder de Sorcha. Procurei e esperei por isso até a última página, porém, ao fim não tive nada mais que uma explicação rasa demais para satisfazer a minha curiosidade. Não acho bacana quando o autor atropela tudo para amarrar as pontas soltas que ficaram na sua história, mas também ficar quietinho como se o que falou fosse suficiente para o leitor entender as coisas não é a melhor saída.

Todavia, mais do que querer conhecer as minúcias da vida medíocre desse bruxo das sombras, eu ansiava loucamente por entender melhor a relação da Branna e do Fin. Eles, que são os meus personagens favoritos da Trilogia dos Primos O'Dwyer desde o primeiro livro, me deram uma bela dor de cabeça com tantas desculpas para não sentarem e conversarem francamente sobre os seus sentimentos. Essa situação se perduraou tanto na narrativa que eu cheguei ao ponto de interromper a leitura por uns tempos por não aguentar mais aquele impasse. A verdade é que o problema que existe entre eles vai além do orgulho de voltarem atrás de uma decisão de afastamento que foi tomada há muito tempo e passa a permear o espírito de lealdade que cada um tem em relação ao seu destino.

No entanto, passada a fase de distanciamento, os personagens se reconciliam com um discurso pouco convincente de carpe diem. É notório que isso não é algo definitivo e que no final as coisas se encaixariam no famoso "felizes para sempre", mas quem é acostumado com a estrutura dos livros de romance certamente está habituado a ver isso. No que diz respeito a resolução do conflito que acompanhamos desde o primeiro livro, tenho que revelar mais uma vez a minha insatisfação com o modo como tudo foi descrito. Optando por investir massivamente em expor o planejamento da queda de Cabhan, a autora se descuidou da ação final, já que com cenas por vezes confusas, tudo é resolvido em no máximo dez páginas escritas apressadamente. Fiquei com a sensação incômoda de ter sido enganada pela Nora e definitivamente isso frustrou a minha experiência de leitura a ponto de eu não ansiar por ler outras obras dela em um futuro próximo.

Alguns laços não podem ser desfeitos, por mais que desejemos ou tentemos.

--- Isabelle Vitorino --- 

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