16 de maio de 2016

Resenha: Como Eu Era Antes De Você por Jojo Moyes

Romance está a anos luz de ser meu gênero favorito para ler, pois tornou-se um dos que mais se repete, e a gama de clichês é tão extensa que sempre me desmotivou sobre investir mais nesse tipo de literatura. Porém, ao assistir o trailer da adaptação que está às portas de seu lançamento, tive curiosidade de verificar essa história e, posso falar sem receios, que fiquei bastante satisfeito com o resultado. Todo mundo colocando suas meias listradas e trazendo os lencinhos, porque essa história vai quebrar muito seu coraçãozinho.

Título: Como Eu Era Antes De Você
Autor (a): Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Páginas: 320
Onde comprar: Saraiva | Submarino
Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Trabalha como garçonete num café, um emprego que não paga muito, mas ajuda nas despesas, e namora Patrick, um triatleta que não parece interessado nela. Não que ela se importe. Quando o café fecha as portas, Lou é obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor, de 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de um acidente de moto, o antes ativo e esportivo Will desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto. Tudo parece pequeno e sem graça para ele, que sabe exatamente como dar um fim a esse sentimento. O que Will não sabe é que Lou está prestes a trazer cor a sua vida. E nenhum dos dois desconfia de que irá mudar para sempre a história um do outro. Como eu era antes de você é uma história de amor e uma história de família, mas acima de tudo é uma história sobre a coragem e o esforço necessários para retomar a vida quando tudo parece acabado.

Louisa é uma jovem de vinte e poucos anos que mora com seus pais. Com seu emprego de garçonete a mais de seis anos e seu estável relacionamento com um namorado que não parece ligar muito pra ela, a garota vive sua vida pacata de maneira normal e sem nenhuma outra pretensão. Ela é a perfeita definição de “Status Quo”.

A vida de nossa protagonista vira de ponta cabeça quando seu chefe lhe dá a notícia: o café onde trabalha irá fechar. A garota, tão acostumada com sua vida simples, se vê desempregada e tendo que recorrer a agencia municipal de empregos, onde ela não consegue nada, pois, de acordo com a mesma, não tem experiência nem aptidão para coisa alguma (#SomosTodosLouisa).

Após algumas tentativas fracassadas em novos empregos, eis que surge uma nova oportunidade: Uma família rica está a procura de alguém que cuide de um rapaz tetraplégico. O contrato é de apenas 6 meses e o salário extremamente tentador. Lou receia um pouco, pois seu avô é um senhor que necessita de cuidados especiais, que ficam a cargo de sua mãe, e ela não se sente muito segura quanto a suas obrigações.

Após a entrevista com a mãe do rapaz, ela acaba por ser contratada, e descobre que essa é a parte fácil do emprego. O tetraplégico, chamado Will, é um rapaz brusco, grosseiro e antipático que deixa claro que a presença da garota é um estorvo. Obviamente (Como em qualquer clichê romântico), após algumas situações, ambos acabam por criar um relacionamento além do profissional, criando uma parceria e amizade bem interessantes. Porém, Louisa acabar descobrindo o porque do contrato ser apenas de 6 meses, e, nesse tempo,ela cria para si, talvez pela primeira vez na vida, um objetivo: Mostrar que a vida merece ser vivida.

Romance sempre foi um gênero muito capcioso para mim. Além dos clichês de “triangulo amoroso” e “Garoto encontra garota, garoto perde garota, garoto conquista garota”, que norteiam quase 100% dos livros do gênero, algo que sempre me incomodou foi o fato dos personagens, por falta de termo melhor, se “anularem” para o desenvolvimento do outro. Isso geralmente ocorre com romances do ponto de vista apenas feminino, apesar de ter uma parte da parcela masculina também apresentada dessa maneira. É sempre como se o narrador-personagem dessas estórias simplesmente estivesse ali só pra narrar sobre a pessoa amada. E, me perdoem os que gostam, mas eu prefiro estar morto a ler esse tipo de narrativa.

Logo, vocês conseguem imaginar todo o preconceito que fui ao ler esse livro, que inventei de dar uma chance pois assisti o trailer do filme e fiquei curioso. E, eis a surpresa: eu gostei!

Seria bem petulante de minha parte falar que a autora subverteu o gênero romântico, e eu sinceramente não tenho o menor cacife pra alegar isso, mas posso dizer que ela foi bem feliz em diversas decisões na história, as quais eu quero compartilhar com vocês.

O primeiro deles é justamente o fato que citei: a anulação de um para o desenvolvimento do outro. Aqui temos uma justificativa deveras plausível para uma atenção maior da Louisa para com o Will, sem ser o fator “paixonite”, que se resume a: É o trabalho dela. O ganha pão dela é cuidar dele, então, sim, ela precisa estar atenta a todas as necessidades e mudanças de humor do rapaz, e ele acaba por tmar conta do pensamento dela em alguns momentos.

Porém, de maneira alguma eu consegui sentir uma anulação ali. Louisa tem a própria vida, e seus problemas. Sabemos que ela se sente menosprezada em relação a irmã genial que tornou-se mãe e acabou tendo que trancar a faculdade por isso, sabemos que seu namorado tornou-se aficionado por atividades físicas e passou a ignorar a moça e que seu pai faz piadinhas pejorativas quanto a garota, sendo que é ela que sustenta a casa praticamente sozinha. Mas, para ela, estava tudo ótimo, levemos a vida assim que está tudo certo. Ao começar a trabalhar com Will, o rapaz, após começarem a criar um vínculo além do empregatício, a fez perceber que a Bela estava certa, e que “There’s must be more than this provincial life”¹. Após a descoberta do porque seu contrato ser tão limitado, ela começa a tentar mostrar a graça da vida a Will, e eu consegui perceber ali o senso de gratidão da moça, alem do seu senso altruísta.

Outra coisa bacana no livro é a mudança de foco em alguns capítulos. Em determinados capítulos da história, saímos do ponto de vista da Louisa e vamos parar em algum personagem secundário (os pais do Will, o enfermeiro, a irmã da Louisa) cada um tendo um capítulo de ponto de vista. Esses capítulos são bacanas para dar uma expansão maior sobre o que está em jogo na história e nos dar uma precisão maior sobre cada um dos personagens. Particularmente, o capítulo da mãe dele partiu meu coração em mil pedaços...

Will também é um personagem interessante. Preso à cadeira de rodas por causa de um acidente, o rapaz antes tão ativo e aventureiro teve que ver toda sua vida tomada de si por conta disso, o que criou um ar furioso no jovem. Quem o ensina que ainda pode haver vida, mesmo nesse estado quase vegetativo, é Louisa, e a relação deles é extremamente bonita e interessante.

Porém, aí vai minha crítica a obra: O romance era mesmo necessário?

Passamos mais da metade do livro vendo o desenvolvimento desses personagens, que saíram de suas zonas de conforto e tiveram que aprender a lidar com suas vidas de a partir de um novo ângulo, um apoiando o outro a sua maneira. As cenas mais bonitas do livro não tem qualquer conotação de um relacionamento romântico, e, caso continuasse assim, isso teria dado um senso de amizade tão bonito e incrível a história... Mas aí veio o romance...

A impressão que fiquei foi que a autora foi meio forçada a por um romance, talvez pela ideia de ser mais apetitoso ao consumidor final e assim mais vendido (O que deu certo, pois foi um dos livros mais vendidos na semana anterior e continua como mais vendido na categoria de ficção)². E, sinceramente, o romance não acrescentou em nada a história, pois tudo que foi conseguido ao longo da narrativa veio em decorrência de uma grande amizade entre sexos distintos, coisa que parece ser impossível nos livros...

O final do livro já era esperado por mim, mas não menos impactante. Assim como muitos eu chorei, não nego. Era difícil ser ago fora do que foi exposto, mas é bonito ver como foi o desenrolar da história.

Em suma, o livro é uma trama consistente e bastante envolvente. Ele nos faz refletir sobre como levamos nossa vida e nossas motivações sobre o amanhã. Por mais clichê que soe, a filosofia do “Carpe Diem” vai nortear esse livro e com certeza fará o leitor se emocionar.

Mas desconsiderem o romance, sério, não acrescenta nada...


O pior de se trabalhar como cuidadora não é o que as pessoas pensam. Não é carregar e limpar a pessoa, os remédios e os lenços de limpeza e o distante, mas de algum modo sempre perceptível, cheiro de desinfetante. Não é nem o fato de quase todo mundo acha que você faz isso porque não tem inteligência o suficiente para fazer qualquer outra coisa. O pior é o fato de que, quando se passa o dia inteiro num estado de real proximidade com outra pessoa, não há como escapar do estado de humor dela. E nem do seu próprio.


¹ “There’s must be more than this provincial life”- Música “Belle” da animação “A Bela e a Fera”, da Disney.
² Dado verificado no site Publishnews (http://www.publishnews.com.br/)

--- Marcel Elias ---

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