4 de fevereiro de 2016

Comic Resenha: Batman – Silêncio por Jeph Loeb

Título: Batman – Silêncio (Parte #1)
Título Original: Batman – Hush
Roteiro: Jeph Loeb
Desenho: Jim Lee
Arte-Final: Scott Williams
Cores: Alex Sinclair
Letrista: Tiago Sueyoshi
Editora: DC Comics
Ano: 2015
Páginas: 344
Onde comprar: Livraria Cultura

Gotham City está infectada por uma epidemia criminosa e os inimigos mais mortíferos do Batman surgem para lançar a vida do Homem-Morcego no mais completo caos. Contudo, ele mal pode imaginar que esses criminosos não passam de peões nas mãos do terrível Silêncio, que os está manipulando como parte de um elaborado plano de vingança. Levado ao ponto de ruptura, Batman precisará usar todas as suas habilidades para descobrir a verdadeira identidade dessa mente diabólica antes que seja tarde demais.

--- O Enredo ---

Juão:

É uma das sagas do Batman que enche seus olhos com toda a sorte de personagens, dando um certo dinamismo ao enredo, e colocando o nosso herói mascarado fronte a um corredor polonês de vilões de um lado - Coringa, Harley Quinn, Charada, Duas Caras, Ra's Al Ghul, Espantalho, Hera Venenosa, Killer Croc, Cara de Barro e Lady Shiva - e de outro uma tribuna de aliados - Mulher Gato, Superman, Caçadora, Asa Noturna, Talia Head e Jim Gordon - envolvendo uma figura mascarada que acaba por manipular ambos os lados.

Essa é o tipo de série que não importa se você já leu sobre o Batman antes, em outras sagas, você irá entender e apreciar a história da mesma forma. Tudo isso porque todos os personagens tem uma introdução considerável nas páginas iniciais facilitando os links entre as histórias e o passado, sem falar que a narrativa é repleta de retcons que acabam por dar uma carga emocional muito forte ao enredo, preenchendo as lacunas que vão surgindo. No começo auxilia muito na compreensão da trama, porém, todo novo capítulo esse recurso é utilizado, obrigando você a ler os acontecimentos dos episódios anteriores, impondo uma quebra no ritmo da leitura.

Durante o embate contra cada vilão, Loeb usa um recurso de análise investigativa em que o Batman traz o passado, acontecimentos recentes e estado psicológico de cada um, um recurso que pode agradar a uns por manter o Homem Morcego com O Detetive e desagradar aos outros pelo overpower que isso carrega.

Marcel:


Sendo um Marvelete de carteirinha, essa foi praticamente uma das primeiras sagas do Homem Morcego que me propus a ler, e fiquei totalmente apaixonado!

Eu sou daqueles paranoicos que tem tem a teoria de que Jeph Loeb é um espião da DC infiltrado na Marvel, porque as histórias do homem na casa das ideias beiram o patético, quando comparadas as que ele roteiriza na Distinta Concorrência.

Ele conseguiu trabalhar com uma gama grandiosa de vilões e heróis sem bagunçar as histórias e ainda criar um novo vilão icônico pra o herói sombrio. Silêncio (Hush, no original) é alguém misterioso e que arma um belo de um tabuleiro de xadrez onde não sabemos quem são as peças brancas e quem são as negras, muito menos o Batman, que, tão acostumado a manipular a situação, se vê como refém das casualidades.

Os flashbacks do passado do Bruce são um artifício ótimo e de vital importância para as investigações. É um recurso muito bem vindo pois, além da morte de seus pais e de seu incansável treinamento, as demais informações são uma página branca, sendo possível para qualquer roteirista utilizá-la a bel-prazer.


--- A Arte ---

Juão:

A arte está impecável! A anatomia, movimentação, expressões e perspectivas, unidas a um excelente roteiro, dão uma cadência digna do Homem Morcego. As cores em que a história é trabalhada mantém o clima noir. Em qualquer cena que esteja lendo, lá está Jim Lee fazendo seu queixo cair com as cenas perfeitamente enquadradas. A edição ainda conta com capa dura e a saturação das cores no tom certo em um formato grande, montando uma impressão de luxo para completar a sua coleção de graphic novels da DC Comics na sua estante.

Marcel:

Tem como um arco assinado pelo Jim Lee ter uma arte precária? Ele já tem seu posto no hall da fama dos desenhistas mais icônicos da história dos quadrinhos, e aqui ele não deixa a desejar. As cenas são verdadeiras obras de arte, seja a arte conceitual, capas, ou cenas rotineiras. Seguindo os padrões da Salvat, com suas duas coleções da Marvel, a DC agora ganha essa coleção de Graphic Novels aos fãs com um padrão semelhante de qualidade. Acho justo, pois a editora tem histórias excelentes e fãs saudosos, assim como outras editoras.

--- Conclusão ---

Juão:

A arte é incrível, porém, contudo, todavia... Nem só de arte vive uma graphic novel. Não nesse caso. Apesar das muitas aparições de vilões e heróis a todo o momento (dando um gás a obra), o mistério não sustenta a história e acaba tornando cansativa a leitura, onde o que lhe motiva a continuar é muito mais a superficialidade das cenas do que a intrincada ligação entre os personagens ou mesmo descobrir quem é o vilão. A saga acaba fracassando no que ela se propõe, em uma grande whodunit¹.

Ao terminar a saga, acaba gerando aquele sentimento de que todo o arco poderia ter sido resolvido em menos capítulos, de que poderia ter sido tudo mais direto do que a grande curva em que a história é montada.

Enfim, é uma história que lhe diverte e dar pra curtir tranquilamente. O feeling das cenas, os landscapes, as motivações e muita pancadaria. Não espere por um grande e intricado plot twist, pois não irá acontecer. Recomendo muito como uma leitura descompromissada e coesa.

¹: "Quem matou?, Whodunnit ou Who Done It é um recurso narrativa típico da ficção, em especial na literatura e na teledramaturgia. Consiste, inicialmente, no assassinato de um dos personagens pertecentes à trama, desencadeando um procedimento investigativo acerca da identidade do responsável pela morte."

Marcel:

Agreed in desagreed.

Concordo que essa não será uma obra inovadora e única, nem que o plot é algo revolucionário (Algo difícil de encontrar em um periódico semanal/mensal), mas a identidade do vilão é algo que pode sim intrigar o leitor, apesar de ser algo já usado de diversas maneiras na literatura.

Mas, como sempre digo, uma boa história de investigação não termina com a identidade do criminoso, e Jeph Loeb conseguiu fazer a história ir além. Muito além do “quem está por trás”, o “como ele age” é algo incrível, pois consegue manipular uma gama imensa de super seres, heróis ou vilões. Sem falar que, mesmo com a conclusão da história, a paranoia ainda ronda a mente do vigilante noturno, que acaba desconfiando até mesmo de seus próprios aliados.


 
Achei que teria dois minutos antes que ele voltasse e notasse o sumiço do menino... Errei por onze segundos.

--- Juão e Marcel ---

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