12 de outubro de 2015

Resenha: O Iluminado por Stephen King

Dica: Nunca se hospede no apartamento 217.

Título: O Iluminado
Autor (a): Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 464
Ano: 2012
Onde comprar: Saraiva | Submarino
Jack Torrence consegue um emprego de zelador em um velho hotel, e acha que será a solução dos problemas de sua família: não vão mais passar por dificuldades, sua esposa não vai mais sofrer e seu filho, Danny, vai poder ter ar puro para se livrar de estranhas convulsões. Mas as coisas não são tão perfeitas como parecem: existem forças malignas rondando os antigos corredores. O hotel é uma chaga aberta de ressentimento e desejo de vingança, e, inevitavelmente, um embate entre o bem e o mal terá de ser travado.

Jack Torrence é um ex-professor de literatura que foi demitido após um acesso de fúria que o fez agredir um aluno. É um homem com fortes problemas emocionas e com forte tendência à depressão, graças a sua criação. Após vários episódios decorrente de seu vício por bebidas e falta de controle próprio (um deles responsável por quebrar o braço de seu filho Danny, na época com 3 anos), ele resolve lutar para eliminar o álcool de sua vida. Jack também é um escritor, que teve 2 de seus trabalhos publicados em importantes revistas literárias, e até mesmo ganhou prêmios por uma delas.

Para conseguir retomar sua vida, e para tentar solucionar os problemas financeiros que a família enfrenta, Jack decide aceitar o emprego de zelador de inverno que lhe foi ofertada pelo seu antigo amigo de bebedeiras e sócio majoritário das ações do hotel, o Overlook. O emprego consiste em ficar no hotel, fazendo a manutenção do mesmo no período de inverno, onde a nevasca bloqueia todo o qualquer meio de acesso, deixando quem está lá dentro totalmente preso. Para evitar surtos psicóticos devido à solidão, é autorizado ao empregado que leve sua família para fazer companhia durante os meses de isolamento.

Em adição a esse cenário pouco agradável, Jack é alertado que, anos antes, outro homem que atuou como zelador de inverno, tomado pela loucura, assassinou sua esposa e suas duas filhas, se suicidando logo em seguida. Jack logo descartou essa ideia, alegando que esse tempo era o necessário para poder dar seguimento a seus projetos pessoais, como a finalização de sua peça.

O problema é que o Overlook não é um simples hotel de luxo. Ocorreram mortes, assassinatos, suicídios e uma série de coisas neste local. Ódios, espíritos e todo sentimento negativo criaram forças malignas que rondam os corredores e quartos deste lugar. Com a presença de Danny, um poderoso iluminado, o hotel utilizará de todo o poder acumulado ao longo das décadas para puxar o menino para si, que servirá de energia para atingir um novo patamar de terror. Lá dentro, Danny, sua mãe, Wendy, e Jack terão que enfrentar um jardim vivo, memórias angustiantes, festas macabras e quartos que escondem espíritos tenebrosos, enquanto lidam com seus próprios monstros internos e tentam não serem tragados pelas forças sinistras desse pavoroso local.

De longe, esse é o meu livro favorito do Rei do Terror. Esse foi meu primeiro contato com as obras do Stephen King, e total responsável pelo autor ter se tornado meu favorito.

Começando pelos personagens, Jack Torrance é um ser tão crível e real, que quase brota para fora do livro. Ao mesmo tempo em que sentimos pena dele, ficamos com raiva de suas ações e o tememos! Ele é aquele tipo de personagem que tenta de tudo para fazer o certo na vida, mas sempre acaba trocando os pés pelas mãos e fazendo burradas. Quem nessa vida nunca fez isso?

O Danny é outra preciosidade. A inocência e candura dele logo trazem o sentimento materno/paterno do leitor pra fora. Não o bastante ele tem um raciocínio incrível para sua pouca idade e o coitado é exposto a tanta coisa nesse hotel que esse que vos escreve tem a certeza que não conseguiria passar por metade dos desafios propostos ao garoto.

Outro personagem que demora um pouco mais para ter seu lugar ao sol, mas que quando teve sua oportunidade, não deixou nada a desejar, foi a Wendy. A esposa sofrida e submissa logo tomou lugar de uma mulher forte e decidida, pronta para enfrentar tudo e todos para proteger seu filho.

Fora estes de personagem relevante, teremos também o cozinheiro do hotel, o Dick Hallorann. Dick assim que pôs os olhos em Danny descobriu a condição especial do garoto, pois o próprio chef também é um iluminado. Ele é um personagem extremamente carismático que terá uma importância vital em determinada parte da história.

Como já enfatizei na resenha de ‘Salem, os personagens do King nos prendem por serem muito próximos da realidade. São pessoas como eu e você, que está lendo essa resenha. Nós acabamos criando um elo empático com os personagens, nos colocando diversas vezes no lugar deles nas mais inusitadas situações.

Outro aspecto que merece destaque é o cuidado quase cirúrgico com a ambientação do texto. Temos páginas e mais páginas onde King, além de traçar o perfil de cada personagem, nos mostra todo o backstage da história, como o funcionamento do Overlook e também nos mostra a história do hotel, que foi construído pela máfia, com dinheiro de crime, e que já teve sua cota de crimes hediondos. Tudo isso para preparar o leitor e prepará-lo para o que virá.

Além disso, ele nos dá momento alegre da família no hotel, nos dando uma impressão de que os momentos tristes passaram e que eles poderão encontrar a harmonia que procuram com essa nova etapa da vida.

Mas é só impressão.

A graça toda do livro é que não temos um monstro, um demônio, ou adversário físico. Todo o perigo e terror é fruto do próprio hotel, então temos como o grande mal da história não uma pessoa física, mas o ambiente!

A partir do momento em que as situações passam a acontecer, o livro toma proporções medonhas e inteiramente macabras. Eu tive duas noites de insônia por puro medo das situações, sem falar dos pesadelos absurdos por causa do livro. Mas a história é tão instigante, tão rica e detalhada, que se torna impossível o leitor deixar a leitura de lado, por mais macabra que seja a cena, tanto que as últimas 70 páginas do livro são quase viciantes, sendo um crime você abandoná-las sem concluir o livro.

O Iluminado, a meu ver, é uma obra-prima do terror. Seja você fã do gênero ou não, a história te prende de uma forma única e sublime, te levando a outro patamar da experiência com o terror. Aqui nós não temos apenas ameaças físicas, temos todo um terror psicológico mesclado com um ambiente consciente e que fará de tudo para conseguir o que quer, seja dando vida a arbustos, seja te oferecendo uma bebida.

Tudo que é grande hotel tem seus escândalos [...]. Assim como todo grande hotel tem um fantasma. Pág. 31


--- Marcel Elias ---

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