31 de outubro de 2015

Resenha: Joyland por Stephen King

E para fechar esse especial do Horror, trazemos para vocês mais um livro do Mestre King (que foi resenhado duplamente!), onde um Parques de Diversões mostrou que podia muito bem se tornar cenários de crimes!

Título: Joyland
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 240
Ano: 2015
Onde comprar: Saraiva | Submarino
Carolina do Norte (EUA), 1973. O universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, esperando esquecer a namorada que partiu seu coração. Mas é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre: a vítima de um serial killer.  Linda Grey foi morta no parque há anos, e diz a lenda que seu espírito ainda assombra o trem fantasma. Não demora para que Devin embarque em sua própria investigação, tentando juntar as pontas soltas do caso. O assassino ainda está à solta, mas o espírito de Linda precisa ser libertado - e para isso Dev conta com a ajuda de Mike, um menino com um dom especial e uma doença séria. O destino de uma criança e a realidade sombria da vida vêm à tona neste eletrizante mistério sobre amar e perder, sobre crescer e envelhecer e sobre aqueles que sequer tiveram a chance de passar por essas experiências porque a morte lhes chegou cedo demais. 


--- A História ---

Situados em Heaven’s Bay, na Carolina do Norte, no ano de 1973, partimos junto com o protagonista e narrador Devin Jones, um jovem universitário de 21 anos, que nos conta sua história naquele outono, onde, para conseguir alguns trocados durante seu período de recesso da faculdade, resolve ingressar como funcionário de um parque de diversões local, o Joyland. Naquele divertido e lúdico local, ele vai descobrir que um dos brinquedos carrega uma história trágica, sendo o local do assassinato de uma jovem há anos atrás, e, junto com um garoto bastante especial, descobrirá que esse local esconde muito mais que aventuras divertidas.

--- O Livro ---

Marcel:
Sendo minha primeira experiência com o autor em um livro narrado em primeira pessoa (Um tipo de narrador que dificilmente consegue me agradar), o livro se trata basicamente das experiências do Devin, enquanto este passa pelo seu primeiro relacionamento, que vai se esfriando até o fatídico final e como as coisas que aconteceram naquele local serviram para fazê-lo superar tal situação. Mas não se enganem! Não se trata de um livro de romance, mas de uma experiência atípica em um local que supostamente deveria trazer alegria ao público, mostrando de uma forma mais leve como crescer e envelhecer podem ser processos interessantes. Outra aspecto bem bacana da história são as referências. King enche essas duzentas e poucas páginas com diversas, tornando o livro bem divertido, pra quem consegue entender, mesmo que parte delas. Inclusive, é possível encontrar uma playlist só com as músicas e artistas mencionados pelo autor!

Mesmo assim, devo dizer que esse foi o livro do Mestre que eu menos consegui me identificar. Creio que minha estranheza com o livro foi o fato de eu não conseguir identificar exatamente o que eu estava lendo: Um romance sobrenatural com arco de identidade, uma história de terror, ou uma ficção policial...

Juliana:
O que me surpreendeu em Joyland não se encaixa exatamente no gênero terror, onde Stephen King é realmente um rei no assunto. E achei que ficou devendo na parte ficção policial, mesmo abordando o tema, já que a construção da história do mesmo está baseada nos acontecimentos pós-termino de Devin Jones com seu primeiro amor e em seu trabalho em Joyland. O mistério e o sobrenatural são apenas componentes do cenário. Trata-se mais de uma história de amadurecimento, passando da fase mais “inocente” de um jovem para entrar na vida adulta, em como lidar com situações complicadas, em como a amizade influencia os melhores momentos e em como nos achamos invencíveis aos vinte e poucos anos.

--- Personagens ---

Marcel:
Por ser um livro em primeira pessoa, o personagem mais bem desenvolvido é o protagonista. Devin é um rapaz gentil, trabalhador e sensível. Longe de uma ideia de herói clássico, que é seguro e confiante de si, ele nos conta sobre suas primeiras impressões e decepções sobre o amor, tornando bem rápido nossa identificação com o personagem, afinal, quem de nós nunca sofreu uma vez por um relacionamento que deu errado?

Os demais personagens são totalmente secundários, alguns com mais relevância que outros, mas que nós não nos aprofundamos mais do que o necessário, o que achei uma pena, pois alguns deles, em certos pontos da trama, pediam para que nós os conhecêssemos mais, até para podermos ilustrar com mais precisão todo o cenário mental. A meu ver, a escolha do narrador acabou por defasar esse ponto.

Juliana:
No começo, não estava conseguindo absorver a personalidade de Devin, pois não sabia se ele estava sendo irônico ou se ele realmente se empolgava com seu trabalho no parque de diversões. Acho que é porque eu não gosto de parques de diversões e não entendo muito como tantas pessoas acham o melhor lugar do mundo. Com o passar do livro, Devin se torna um personagem bem marcante.

Os demais personagens têm uma personalidade marcante, principalmente as pessoas que trabalham no parque há muito tempo. Podemos dizer que todos têm um lado bastante misterioso, de difícil acesso aos demais. E os personagens secundários, que acabam se tornando principais, como Mike e sua mãe. Mike tem um dom especial e, esse seu dom é que acaba por ajudar no desfecho da história.

--- A Reviravolta ---

Marcel:
Evitando spoilers, é claro, devo dizer que essa ideia me confundiu ainda mais sobre o que o autor quis passar com o livro. Ele parte de um arco de identidade, vai rumo a um conto sobrenatural, indo parar em uma descoberta de um assassino, que eu nem sabia que estávamos procurando. Talvez pela minha longa estrada com romances policiais, não foi difícil identificar logo o assassino. Entendi que serviu para movimentar a história, mas não me deixou plenamente satisfeito.

Juliana:
Nisso o Marcel e eu concordamos em discordar (risos). O assassino é realmente imprevisível, já que ele é apenas um figurante em toda a história e surge sem mais nem menos no enredo. Foi algo realmente inesperado, trazendo um novo gás para a tranquilidade dos acontecimentos.

--- Conclusão ---

Marcel:
O livro é muito mais uma lição de como crescer e de como coisas que consideramos tão importantes no começo de nossas vidas adultas pode acabar soando bobo, quando mais velhos. Mas também nos mostra que certas coisas, situações e amizades acabam fixando em nós, o que, por vezes nos define como humanos no futuro. O livro tem sua dose de terror, mas algo mais sutil e com uma abordagem que nunca tinha visto. Apesar de meus desgostos, foi sim uma experiência deveras instigante ler Joyland.

Juliana:
Este é o primeiro livro que leio de Stephen King e, mesmo não tendo lido nenhuma outra obra do autor, mas tendo conhecimento sobre tantas obras consagradas do mesmo, achei que não foi a melhor jogada do Rei do Terror. Porém, mesmo não sendo seu melhor livro, achei-o extremamente interessante, bastante intrigante. Tem uma escrita envolvente, simples e sutil, que faz com que o leitor sinta que faz parte da estória. É impressionante como King consegue transformar situações corriqueiras em acontecimentos fascinantes. Traz consigo uma dose de nostalgia realmente encantadora.

“As pessoas pensam que o primeiro amor é fofo e que fica ainda mais fofo depois que passa. [...] No entanto, essa primeira mágoa é sempre a mais dolorosa, a que demora mais para cicatrizar e a que deixa a cicatriz mais visível. O que há de fofo nisso?” - Pág. 7

--- Marcel Elias & Juliana Gueiros ---

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