16 de setembro de 2015

Resenha: O Dom por Robert Ovies

A resenha de hoje é de um livro inquietante e que faz com que o leitor pense muito antes de seguir uma linha de raciocínio. Ele trata de vida e de morte, mas principalmente, de como um desejo do nosso coração às vezes pode não gerar as consequências desejadas quando realizado.

Título: O Dom
Autor: Robert Ovies
Editora: Verus
Páginas: 336
Ano: 2015
Onde comprar: Saraiva | Submarino
Quando C. J. Walker, um garoto de nove anos, encosta no braço da amiga de sua mãe no velório e sussurra o desejo de que ela não estivesse morta, só está tentando fazer a coisa certa. Mas, no momento em que a mulher desperta, a tempestade que se segue não pode ser contida. Pessoas aterrorizadas, dentro e fora das fronteiras da cidade, exigem saber quantos de seus entes queridos podem ter sido enterrados vivos pelo mesmo agente funerário, ou por qualquer outro. Porém a prova de que C. J. Walker pode realmente despertar os mortos é filmada em segredo e então veiculada publicamente. Em uma única manhã, a mãe de C. J., Lynn, vê sua casa se tornar uma fortaleza e seu filho, um alvo. Indivíduos de luto, desesperados para que a morte abandone seus entes queridos; representantes da mídia e de organizações médicas e científicas; influentes líderes religiosos e poderosas agências governamentais, todos mexem seus pauzinhos para ganhar uma posição de vantagem e influência e obter o máximo controle sobre o dom mais poderoso de que já se teve notícia. Em meio à confusão, Lynn e seu ex-marido, Joe, lutam para encontrar uma maneira de escapar com C. J., para mantê-lo em segurança e de alguma forma tornar possível que ele tenha uma vida normal novamente. Mas para isso eles precisam agir rápido, antes que o garoto seja levado por algum dos vários interessados em seu poder. O DOM é um livro ágil e alucinante, que lida com questões sobre morte, vida, amor, ética e fé.

Aquele poderia ser um velório como outro qualquer, mas não era. Além da costumeira dor e saudade, um milagre pairava sob todos eles... essa benção se manifestaria através de um garotinho à beira do caixão sussurrando desejos de que Marion Klein, a defunta, ficasse bem. Isso poderia ser algo simples, no entanto, o menino chamado C. J. Walker tinha um dom que ninguém, nem mesmo ele, conhecia: ele podia ressuscitar os mortos. Então, quando naquela noite o padre local recebe uma ligação terrível após chegar em casa, ele jamais poderia desconfiar quem era o autor daquilo que lhe parecia uma piada de mal gosto, não, ele só sabia que era impossível ter conduzido o velório de uma pessoa que não estava morta de verdade. Ele amava Marion Klein, uma de suas fieis mais atuantes e fervorosas, mas ele não queria que ela ressuscitasse, não quando isso representava uma confusão maior do que aquilo que ele já vira em toda a sua vida.

Uma das coisas que mais me chamaram a atenção nesse livro foi o fato de um garotinho poder trazer alguém de volta à vida e todas as consequências que uma ressurreição traria para a vida, não só daqueles envolvidos diretamente com a pessoa, como também, com aqueles que tentariam descobrir mais sobre esse dom. Porque sim, se um fato curioso acontece, logo, um grande número de pessoas estará a postos para investigar o ocorrido. Em "O Dom", vemos o mais variado tipo de pessoas procurando entender tudo que envolve a volta do mundo dos mortos da Marion Klein. As perguntas são muitas, mas a principal delas é: "Estaria Marion morta no momento em que foi embalsamada e sua ressurreição foi um milagre? Ou a declaração de que ela estava morta feita pelo hospital foi errada e a Marion foi embalsamada viva?"

Com tantos sentimentos em jogo, o autor trabalhou de forma muito delicada cada personagem. Mudando sempre de ponto de vista, adentramos na mente de um garotinho que teme pelas consequências do seu desejo mesmo sem ter a dimensão exata do que o seu dom estava causando, de uma mãe que ainda não superou as dificuldades do relacionamento com o seu ex marido e que ainda reluta em acreditar que a confissão do seu filho não passa de um devaneio infantil, de um pai que mesmo com um vasto recurso financeiro não consegue salvar a vida do filho que se encontra em estado terminal. E como se essa profusão de vidas e pensamentos não bastasse, o autor ainda traz à baila a mídia sensacionalista, a igreja em choque, a comunidade científica em polvorosa e uma população inteira boquiaberta com o desenrolar dos fatos.

Diante disso, foi difícil me manter em uma única linha de raciocínio. Eu não sabia o que pensar a respeito de C.J. nem de seu dom. Me perguntei diversas vezes qual era à extensão daquilo tudo e porque ele era detentor dessa façanha. Mas não só isso, pensei em como um dom como esse salvaria a vida de tantas pessoas que morreram precocemente e aliviaria o coração daqueles que tiveram que se despedir dos seus entes queridos. Acredito que foi por isso que pude compreender outra coisa: o inferno que seria se algo como o que é proposto no livro realmente acontecesse – principalmente para o detentor do dom. 

Para mim, essa é a grande sacada da história, pois ao fazer o leitor se colocar no lugar tanto do C.J. quanto de pessoas que perderam esses entes, o autor proporciona uma reflexão que não é só pontual, como também, muito delicada. É por isso que esse livro vai além da ficção e se torna algo maior. Não sei se essa foi a intenção do de Robert Ovies, mas bem, foi o que ele conseguiu. A verdade é que apesar de o tema parecer batido se visto sob um ponto de vista sobrenatural, ele é extremamente inovador naquilo que se refere a contemplação do significado de vida e morte nas nossas vidas, principalmente, quando alguém que amamos é adicionado nessa equação. Sem sombra de dúvidas, "O Dom" é um livro raro e que vale muito a pena ser lido.

– E pode lembrar a Deus que C.J é apenas um garoto normal. Ele não vai ser transformado em algum tipo de aberração. Ele não é Jesus, e eu com certeza não sou a Virgem Maria!

--- Isabelle Vitorino ---

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