11 de agosto de 2015

Resenha: Real, Louco, Mortal por Hannah Jayne

Quando penso em thrillers alguns livros vem a minha mente, mas poucos são os que tem protagonistas e um cenário juvenil. E é despontando com essa aspecto inovador que "Real, Louco, Mortal" mostra que é sim possível criar uma história com elementos adolescentes, mas que consegue surpreender o leitor.

Título: Real, Louco, Mortal
Autor (a): Hannah Jayne
Editora: Companhia Editora Nacional
Páginas: 264
Ano: 2014
Onde comprar: Saraiva | Submarino
Sawyer Dodd sempre desperta inveja por onde passa: é uma excelente aluna, uma atleta dedicada e é a namorada de Kevin Anderson, o sonho de consumo de qualquer garota! Mas, quando Kevin morre num trágico acidente de carro, e ela encontra em seu armário um enigmático bilhete que contém apenas a inscrição "De nada", Sawyer vê seu mundo virar de cabeça para baixo. Alguém sabe o que Kevin fazia com ela. Alguém sabe que eles não eram o casal perfeito que pareciam ser. E esse alguém é um assassino que está no encalço de Sawyer, acompanhando todos os seus movimentos... Mortes, intrigas, perseguições, em uma narrativa alucinante onde ninguém é o que parece ser!


Sawyer Dodd poderia ser uma adolescente qualquer se a sua vida não estivesse no ápice da dor e desespero. Após ter que superar a separação dos pais e ter que se acostumar a uma nova vida ao lado de seu pai e da sua madrasta que está grávida de um irmão que ela não sabe se quer ter, ela precisa encarar uma dura perda: a morte do seu namorado Kevin. Há muito tempo as coisas já não eram boas com ele e se ela pudesse apenas sentir aquilo que deveria, o seu sentimento seria de alívio, já que não suportava mais as dificuldades e os abusos desse relacionamento. Mas quando um estranho bilhete é deixado em seu armário, a morte dele que antes parecia ser apenas um acidente de carro logo passa a ganhar ares de um homicídio. Com a polícia fazendo perguntas que ela não quer responder e mortes ocorrendo sem explicação alguma, ela sente o cerco se fechando à sua volta de tal forma que um assassino calculista pode estar mais perto dela do que ela mesma imagina.

Narrado em terceira pessoa por Sawyer e tendo como cenário principal a escola na qual ela estuda, vemos a sua vida já com o caos que se estabeleceu quando o seu namorado foi encontrado morto no carro. Tendo lidar com a pena de alguns e o desprezo de outros, sua mente parece estar em um turbilhão. Revelando aos poucos todas as nuances que permearam a sua relação com Kevin, vemos que muitas vezes a violência vem escondida em forma de máximas como "eu não vivo sem você" ou "sou loucamente apaixonado por você", bem como, de um desejo de dar segundas chances a fim de recuperar uma época em que tudo estava na mais completa normalidade. Confesso que fiquei sem entender os sentimentos dúbios que ela nutria por seu namorado, já que mesmo sentindo na pele tudo o que ele fez, ela continuava presa a uma resistência de viver a sua vida por achar que isso seria um desrespeito a memória dele.

Mas não foi só isso que me deixou estarrecida, fiquei completamente chocada com a maneira que os pais dela eram completamente ausentes. Para eles era mais fácil mandá-la para a terapia e culpar seu comportamento arredio pelo luto do que pelo total desleixo que eles tinham com ela. Essa nuance de realidade, deixou a personagem muito mais palpável e eu consegui sofrer e ansiar junto com ela. Eu passei todo o livro na torcida para que ela conseguisse descobrir quais circunstâncias terríveis estava se apoderando de sua vida. E quando os assassinatos começam a rodeá-la e todos passam a ser suspeitos, cada pista instiga o leitor a formar hipóteses de quem estaria por trás de tudo aquilo. Com a escrita fluída da autora, as páginas parecem passar em um piscar de olhos e a ansiedade vai se prolongando até o desfecho.

E foi justamente com relação ao final que senti um misto de admiração e decepção. Isso porque a autora segurou o suspense sobre quem era que queria exercer tanto poder na vida de Sawyer até os momentos finais da história. Fiquei tão ansiosa que sequer percebi que algumas das características que eu havia notado ao longo do enredo eram determinantes para revelar a identidade dessa pessoa tão doente. Mas passado o período de ficar boquiaberta quis saber o porquê dessas atitudes e olha, fiquei querendo mais, muito mais. Ainda não me contento com as explicações que foram dadas porque senti que tudo foi muito corrido, a autora poderia ter trabalhado muito melhor esse aspecto para que ela fechasse de forma triunfal essa trama que trata de sentimentos – principalmente daqueles que são levados ao extremo.

Vai se divorciar? Deixe seus filhos no terapeuta. O namorado da filha morreu? Terapeuta. Notas caindo, menina desorientada, matando aula? Terapeuta, terapeuta, terapeuta". Pág. 45

--- Isabelle Vitorino ---

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