17 de julho de 2015

Resenha: Um Amor Escandaloso por Patricia Cabot

Assim como a escritora Judith McNaught, a Patricia Cabot (pseudônimo de Meg Cabot) é uma das minhas autoras de romance favorita. Mas depois de um longo tempo sem ler uma história de amor sua, reler "Um Amor Escandaloso" me fez entender novamente porque eu sou apaixonada pelos seus livros.

Título: Um Amor Escandaloso
Autor (a): Patricia Cabot
Editora: Record
Páginas: 378
Ano: 2015
Onde comprar: Saraiva
Quando a bela Kate Mayhew é contratada como dama de companhia de Isabel, filha de Burke Traherne, o marquês de Wingate se vê numa situação complicada. Por um lado, tem consciência de que a Srta. Mayhew é exatamente o que a jovem precisa, mas, ao admiti-la em sua casa, o marquês é obrigado a controlar a atração que sente pela moça. O grande inconveniente é que o cargo que ela ocupa a impede de se tornar uma de suas amantes. E Burke vive sobre o juramento de nunca mais se casar, depois de ter flagrado a ex-esposa num ato de traição. Já a Srta. Mayhew não consegue parar de pensar em um homem pelo qual jurou nunca se apaixonar, e esconde um escândalo do passado. Ousará a bela moça lutar contra seus desejos e os fantasmas que parecem persegui-la? O homem que frequenta seus sonhos mais despudorados e o que habita seus piores pesadelos aproxima-se cada vez mais, e ela não sabe por quanto tempo mais conseguirá suportar.

Kate Mayhew já foi uma dama da alta sociedade londrina que agora precisa se esconder daqueles com quem compartilhava sua vida social após um escândalo envolvendo o nome de sua família. Trabalhando como governanta de famílias em ascensão, ela possui a firmeza necessária para educar até as crianças mais malcriadas e a delicadeza requerida para despertar o amor e respeito delas. Mas quando em uma noite de folga ela flagra um homem truculento carregando nos ombros uma jovem que tentava ao máximo se desvencilhar dele, ela não mede esforços para livrar a pobre garota das mãos do crápula. Ela só não sabia que estava interferindo em uma relação de pai e filha, muito menos tinha consciência de que essa interrupção mudaria para sempre a sua vida.

Burke Thaherne é ninguém menos que o marquês de Wingate, mas se o seu título inspira respeito, o mesmo não acontece com o seu nome, já que tendo protagonizado um vexame do qual a sociedade jamais esqueceu, ele é conhecido por ser um homem frio, sem coração e que repudia com todo o fervor a ideia do casamento. Para ele, o amor nada mais era do que uma ilusão, pois após ter sofrido uma decepção amorosa, ele só acreditava nas relações que ele pudesse controlar, ou seja, aqueles extremamente carnais. No entanto, ao conhecer a bela e jovem Kate Mayhew, ele sente que esses sentimentos começam a mudar e que se ele se permitir, pode chegar a amá-la. Essa descoberta o assusta de modo profundo, por isso, ele pensa uma maneira de desvirtuar Kate e torná-la a sua amante.

Meg Cabot é uma autora famosíssima entre os jovens leitores e conquistou muitos fãs através de séries como "O Diário da Princesa". E apesar de fazer parte do grupo de pessoas que já leu algum livro seu através dessa assinatura, confesso que são as histórias com o pseudônimo de Patricia Cabot que me deixam sem ar e que são sinônimos de plena satisfação. "Um Amor Escandaloso" não chega a ser o meu livro favorito da autora, mas há nele todos os elementos que me deixam rendida em um romance histórico: protagonista determinada e de caráter firme, mocinho capaz de rever seus conceitos em nome do amor e uma pitada de mistério. Sim, meus caros, tudo isso pode parecer clichê, mas mesmo assim eu adoro!

Escrito em terceira pessoa e com pontos de vista intercalados entre Kate e Burke, temos o vislumbre dessa relação de modo muito mais plural e encantador. Kate é uma jovem mulher que carrega muitos traumas em sua vida, ela é desconfiada com relação as pessoas da alta sociedade, mas é muito fiel aqueles que ela ama. Por causa do que sofreu no passado, ela possui uma resistência enorme em se deixar envolver com as pessoas, ela não quer perder mais ninguém, tão pouco constatar de novo que todos que ela confia a deixarão de lado por uma conveniência da sociedade ou pior, por uma mentira. Para ela é muito difícil ultrapassar o antagonismo que ela sente com relação ao Burke e se permitir se envolver pelo seu charme de homem maduro que sabe muito bem o que quer. Mas quando ela se deixa levar, ah... é lindo.

O Burke por outro lado é o típico personagem masculino que quando sente atração por uma mulher não sossega até conseguir tê-la em seus braços, mas apesar de estar em constante conflito com Kate, desde o princípio ele percebe que ela é diferente o bastante para fazê-lo mudar seus planos. Mas a sua vida não se resume a isso, já que ela também a difícil tarefa de cuidar da sua filha que no auge dos dezesseis anos de idade está preparadíssima para fazer com que ele perca toda a sua paciência enquanto ela apronta muito nos eventos da alta sociedade que ela frequenta em busca de um marido. Gostei muito de ver essa relação ser trabalhada e moldada até o ponto que ele consegue enxergar sua filha como alguém que merece muito mais do que o seu dinheiro.

E em meio a amostras da fugacidade da vida e da efemeridade dos sentimentos humanos, que Cabot mostra mais uma vez porque seus romances são tão palpáveis. Ela faz com que seus personagens cresçam, se redimam, descubram novos desejos dentro de si e uma capacidade de superar seus próprios limites sem igual. Espero muito que outros romances da Meg escrito sob o pseudônimo de Patricia sejam publicados no Brasil e que mais leitores possam ter a chance de ver essa outra vertente da autora. E se você ainda não leu, não perca tempo e leia "Um Amor Escandaloso".

[...] – Alguns livros são tão bons que merecem ser lidos muitas vezes. Cria-se um vínculo com eles. Eles passam a ser... Eles se tornam a sua família.
– Família? – repetiu Isabel.
– Sim. Quando os lê tantas vezes, começa a pensar neles como se fossem parentes confiáveis, amorosos, que jamais a desapontarão. Abri-los de novo é como fazer uma visita a uma tia querida, ou aninhar-se no colo de um avô amado. Pág. 92

--- Isabelle Vitorino ---

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