27 de outubro de 2014

Resenha Especial: A Volta do Parafuso por Henry James

A primeira vez que li algo a respeito de "A Volta do Parafuso" foi em um dos livros sobre teoria literária do autor (e também professor da Universidade de Michigan) Thomas C. Foster. Em seu texto, ele deixou claro que essa era uma das histórias indispensáveis para todo e qualquer apreciador da literatura. Na época eu não sabia o porquê, mas agora eu sei.

Título: A Volta do Parafuso
Autor: Henry James
Editora: L&PM
Páginas: 226 (7 a 146)
Ano: 2010
Onde comprar: Saraiva
Em uma mansão no interior da Inglaterra, uma governanta é encarregada de cuidar de duas crianças órfãs. Apesar de Miles e Flora se comportarem bem, serem inteligentes e afetuosos, há um desconforto crescente no ar, sobretudo depois que um misterioso e assustador estranho é visto nas redondezas, aparentemente procurando algo - ou alguém. A governanta terá então de lutar por seus pupilos, numa aterrorizante batalha contra o mal - uma batalha cujo desenlace será tanto mais terrível.


Numa mansão no interior da Inglaterra, uma governanta é encarregada de cuidar de duas crianças órfãs. O tutor das crianças, seu tio, deixa tudo sobre o controle da sua mais nova empregada, com uma única regra máxima: não o perturbar em hipótese alguma.

As crianças se comportam bem. Todavia, existe um desconforto crescente vindo da governanta em relação às crianças e à propriedade. Ainda mais depois que um homem misterioso aparece nos arredores procurando por algo desconhecido e que acaba deixando aflita a jovem moça. No desespero de cuidar e proteger as crianças, ela acaba descobrindo que as coisas são bem diferentes daquilo que imaginava até então e a partir disso precisa travar uma luta cercada pela tragédia e por um final imprevisível.

Apesar de ser uma história curta, em “A Volta do Parafuso” Henry James abrange todas as características linguísticas da época em que escreveu o conto através de uma escrita fluida e que certamente irá envolver até mesmo aqueles que sentem certo receio de ler algum clássico. Um dos motivos para a leitura ser tão fascinante, está centrado na maneira que ele transformou uma história com características de puro entretenimento em algo mais que até os dias de hoje desperta questionamentos entre os leitores comuns e estudiosos da literatura.

Muito disso se deve aos personagens marcantes e intuitivos de sua obra. Já que com uma das protagonistas mais dúbias que eu já acompanhei, James conseguiu não só tornar a governanta disposta a fazer tudo que fosse possível ser feito para proteger as crianças do mal que ela acredita assombrar a velha mansão, como também, fazer isso de uma maneira que deixa o leitor incerto no que concerne a sanidade da personagem.

Tanto que a dúvida de que ela está imaginando tudo e a crença na existência de fantasmas que representam um perigo real para as crianças, persegue o leitor implacavelmente. Principalmente, porque se torna evidente que a preocupação dela, está se transformando em uma obsessão (que pode ser ainda mais perigosa do que o dito mal que ela teme).  No entanto, esses são apenas alguns dos pontos fortes que posso dizer a respeito dessa história que, a bem da verdade, pode ser definida como um grande conto, com desdobramentos imprevisíveis e um final extremamente inquietante.


[...] Era como se, enquanto eu assimilava – o que pude assimilar –, a morte se tivesse precipitado por tudo ao seu redor. Ainda escuto, enquanto escrevo, o profundo silêncio que calou os sons noturnos. Pág. 35

Playlist:


--- Isabelle Vitorino ---

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