20 de agosto de 2014

Resenha: O Visconde Que Me Amava por Julia Quinn

Julia Quinn é uma romancista extremamente talentosa. Tanto, que mal posso dizer o quanto me ressinto por não ter começado a ler de pronto as suas histórias. Em especial, porque foi esse adiamento que me impediu de conhecer antes o incrível “O Visconde que me Amava” e de me apaixonar perdidamente pela história de Anthony e Kate.

Título: O Visconde Que Me Amava
Série: Os Bridgertons #2
Autor (a): Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Páginas: 304
Ano: 2013
Onde comprar: Saraiva | Submarino
A temporada de bailes e festas de 1814 acaba de começar em Londres. Como de costume, as mães ambiciosas já estão ávidas por encontrar um marido adequado para suas filhas. Ao que tudo indica, o solteiro mais cobiçado do ano será Anthony Bridgerton, um visconde charmoso, elegante e muito rico que, contrariando as probabilidades, resolve dar um basta na rotina de libertino e arranjar uma noiva. Logo ele decide que Edwina Sheffield, a debutante mais linda da estação, é a candidata ideal. Mas, para levá-la ao altar, primeiro terá que convencer Kate, a irmã mais velha da jovem, de que merece se casar com ela. Não será uma tarefa fácil, porque Kate não acredita que ex-libertinos possam se transformar em bons maridos e não deixará Edwina cair nas garras dele. Enquanto faz de tudo para afastá-lo da irmã, Kate descobre que o visconde devasso é também um homem honesto e gentil. Ao mesmo tempo, Anthony começa a sonhar com ela, apesar de achá-la a criatura mais intrometida e irritante que já pisou nos salões de Londres. Aos poucos, os dois percebem que essa centelha de desejo pode ser mais do que uma simples atração. Considerada a Jane Austen contemporânea, Julia Quinn mantém, neste segundo livro da série Os Bridgertons, o senso de humor e a capacidade de despertar emoções que lhe permitem construir personagens carismáticos e histórias inesquecíveis.

Não era segredo para a sociedade londrina que a família Bridgerton, além de numerosa, era muito rica. Mas diferente dos habituais modelos que era possível encontrar na cidade, eles eram pessoas que não temiam demonstrar o amor que sentiam uns pelos outros. A matriarca da família, por exemplo, era uma dama muitíssimo querida entre as mamães casamenteiras justamente pela maneira toda especial que ela tinha de induzir seus filhos a buscarem o amor dentro do casamento. No entanto, Anthony sempre foi o filho que ela se preocupou um pouco mais. Sendo herdeiro do título deixado pelo pai, ele sabia que tinha que se casar em algum momento e engendrar um sucessor que desse continuidade a sua linhagem. Mas a possibilidade de se apaixonar e a certeza da brevidade de sua vida, sempre fora uma empecilho. Pelo menos, até ele decidir ter um casamento de conveniência.

Kate perdeu sua mãe muito jovem e sequer lembra daquela que lhe deu a vida, mas criada com muito amor pela sua madrasta, ela sempre enxergou Mary como sua mãe e prometeu a si mesma proteger sua irmã Edwina da melhor forma que pudesse dos homens que a circundavam desde que ela debutou. Porém, ela jamais imaginou que teria tanta dificuldade de afastar alguém quanto ela passa a ter quando o charmoso, e libertino, Anthony Bridgerton começa a fazer à corte a sua bela irmã. Ele que tinha uma maneira toda especial de irritá-la, parecia ter tornado uma missão de vida fazer as coisas mais chocantes só para importuná-la. Mas por mais que ela tente se manter afastada, algo nele faz com que ela deseje conhecer a verdadeira personalidade do visconde que ele parece esconder tão bem. Ela só não imaginava que ao fazer isso, tivesse um vislumbre de alguém que ela poderia amar para sempre.

Sempre que leio um romance histórico, algo em mim se modifica e parece deixar de lado a minha habitual racionalidade para dar espaço a um sentimento que só posso nomear como sendo o desejo de ter um feliz para sempre semelhante aos das minhas heroínas favoritas. Em “O Visconde Que Me Amava” posso dizer que essa vontade se acentuou ainda mais, já que mergulhar no romance de Anthony e Kate foi uma experiência deliciosamente apaixonante, onde pude observar o maravilhoso talento que Julia Quinn tem de desfazer más impressões e provar que todos os membros da família Bridgerton merecem o carinho de seus leitores. Friso esse ponto porque a verdade é que eu tinha certo receio com relação ao visconde depois das suas atitudes em “O Duque e Eu”. O achei tão egocêntrico e tão cheio de si que imaginei que não fosse sentir muita empatia por ele, mas a verdade é que ele me conquistou de tal modo que sofri e me emocionei junto com Kate por causa desse Bridgerton.

Acredito que tenha sido essa surpresa na construção e desmistificação do personagem a principal razão para que eu ficasse rendida durante todo o livro. Tanto que a experiência maravilhosa que tive me fez prolongar o máximo que pude o término da história, mas não o suficiente para que eu deixasse de sentir saudades logo que li a última palavra escrita por Julia Quinn. Mas como não só de um bom cavalheiro se constrói uma boa história, tenho que dar os devidos créditos a Kate – uma heroína à altura de Anthony. Ela que decidida e muito consciente de quem é, possui uma devoção a família que a torna o par perfeito para o visconde de Bridgerton. E como se isso não fosse suficiente, ela ainda usa de toda a sua inteligência e rapidez de pensamento, para provocar os personagens com ótimas – e divertidas – sacadas. Sua atitude espontânea e a facilidade com a qual ela deixou todos boquiabertos também a transformaram em uma Bridgerton nata.

Mas não é só isso, nesse livro a autora dá mais atenção as relações familiares e dá ainda mais importância a figura do patriarca da família de modo que cenas hilárias, ternas e emocionantes se mesclam perfeitamente até que risos e lágrimas deixem o leitor com uma profusão de sentimentos no peito dignos de quem quer bem a personagens tão queridos quanto a esses que são apresentados na série. Além disso, como não poderia deixar de ser, a onipresença de Lady Whistledown torna a leitura mais divertida e porque não, mais misteriosa. Tenho sérias desconfianças de quem seja a pessoa responsável por colocar as principais damas e cavalheiros da sociedade londrina na roda da fofoca, mas esse é um segredo que eu não conto para ninguém  – vai que eu estou certa? Dito isso, só posso encerrar essa resenha afirmando uma e outra vez que Julia Quinn foi esplendorosa com esse livro e que me deixou ansiosíssima para ter em mãos as histórias de cada um dos seus pupilos. Em uma palavra? Adorável!

Um homem charmoso é muito agradável e um homem de boa aparência é, sem dúvida, uma visão que vale a pena, mas um homem honrado, ah, querida leitora, é para ele que as jovens deveriam correr. Pág. 151

--- Isabelle Vitorino ---

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