13 de junho de 2014

Resenha: Psicose por Robert Bloch

Desenterrando clássicos do terror, a editora DarkSide presenteou os leitores brasileiros com duas edições belíssimas de “Psicose”. Eu que sempre tive curiosidade de conhecer um pouco mais da história do famoso Norman Bates, não resisti e logo que pude adquiri um exemplar desse livro que há muito estava esgotado no país. E se vocês, assim como eu, não resistem a um bom suspense, não deixem de conferir a resenha que eu trouxe nessa sexta-feira 13.

Título: Psicose
Autor: Robert Bloch
Editora: DarkSide
Páginas: 256
Ano: 2013 (Limited Edition)
Onde comprar: Submarino
Livro que deu origem ao mais famoso filme de suspense de todos os tempos. Psicose conta a história de Marion Crane, que foge após roubar o dinheiro que foi confiado a ela depositar num banco. Ela então vai parar no Bates Motel, cujo proprietário é Norman Bates, um homem atormentado por sua mãe controladora. Belo suspense, de tirar o fôlego!

Norman Bates é um homem de meia idade cuja vida sempre esteve ligada a da sua Mãe. Solteiro e sem nunca ter tido um relacionamento, ele se dedica apenas a cuidar do motel da família que está sofrendo com a perda de clientes após uma estrada alternativa para a cidade ter sido criada. Tendo como única distração a embalsamação de animais, ele luta diariamente com as exigências e a super proteção de Norma. No entanto, a chegada de uma forasteira começa a mexer com a rotina do lugar, bem como, com a cabeça de Bates.

Essa mulher é Marion Crane, uma ex funcionária exemplar que decide roubar quarenta mil dólares do seu chefe para quitar as dívidas do seu noivo Sam e assim ter o casamento que tanto deseja. Não é que ela seja má pessoa, ela só quer ter a oportunidade de ter uma vida ao lado do homem que ama, mas que não pode assumi-la por estar enfrentando sérias dificuldades financeiras desde a morte do seu pai. Pelo menos é esse o discurso que ela tem em mente até o momento em que por um infortúnio do destino ela se desvia da estrada principal e se depara com as luzes da placa do isolado Motel Bates. Em decorrência da forte chuva daquela noite, ela nada pode fazer que não pernoitar no lugar e tentar descansar para enfrentar a viagem do dia seguinte. O que ela não imagina é que aquela noite irá mudar para sempre a sua vida.

Após alguns dias sem notícias de sua irmã Mary, Lily decide que vai dar um jeito de encontrá-la e fazê-la enxergar o erro que cometeu. É claro que ela tinha ido ao encontro de Sam, afinal, para que mais ela roubaria aquela quantia em dinheiro? Mas ao chegar lá, ela se choca com a dura realidade de que o homem não viu Mary. Desesperada para descobrir o que aconteceu, ela e Sam se unem a um detetive particular e tentam refazer os passos da sua irmã, mas para o desespero e horror de todos, a verdade é pior do que eles imaginavam.

“Psicose” é um clássico do terror que foi consagrado através da adaptação de Hitchcock para os cinemas. Inspirando até hoje novas produções, Robert Bloch é considerado um precursor do horror como conhecemos hoje. Admirador da obra de H. P. Lovecraft entre outros autores que tinham como característica colocar o sobrenatural como causa do medo sentido pelo ser humano, seus primeiros contos seguiram invariavelmente essa vertente. No entanto, com o decorrer dos anos ele foi aprimorando sua escrita até que um dia técnica e inspiração se encontraram no mesmo timing.

Era ano de 1957 e o lendário serial killer Ed Gain havia sido preso. Sendo responsável por orquestrar crimes estarrecedores e que chocaram a sociedade da época, ele parecia a inspiração necessária para que Bloch desse vida ao icônico Norman Bates. Quem já assistiu ao filme, já conhece muito da personalidade desse personagem. Entretanto, é apenas com a leitura do livro que temos a chance de conhecer boa parte das nuances psicológicas que permeiam a sua mente. Já que alternando pontos de vista no livro, o autor nos mostra não só os motivos de Norman para ter o comportamento psicótico que tem, como também, a maneira como a mente dele funciona.

Os pensamentos que ele tem são verdadeiramente chocantes e nos mostra que sim, muito do que ele é está ligado a relação estreita que ele mantém com a sua mãe – que parece ser a principal causadora dos seus sérios distúrbios. Isso é tão notório que é nessa relação doentia de Mãe/Filho que o leitor vislumbra o ponto mais alto da construção de Psicose. Pois não contente em ilustrar uma relação de total dependência, onde um homem de quarenta anos de idade não consegue se afastar nem ter vida longe da presença da mãe, Bloch vai além e nos deixa a pensar até que ponto Norman era produto do meio em que vivia e até que ponto ele era mau por natureza.

O teor dos livros encontrados na casa dele sugere que mesmo com os abusos psicológicos que ele sofria, há nele algo maligno e que está aquém de qualquer explicação. Acredito que é por essas e outras que mesmo o personagem parecendo tão comum à priori, ele rouba a cena tanto no livro quanto no filme. Fazendo um breve comentário sobre o que pode ser encontrado nas duas produções, eu aconselho a quem não viu o filme que leia o livro primeiro. Hitchcock não mentiu quando disse que o filme saiu todo do livro, pois com poucas alterações na maneira como os fatos ocorreram, restaria apenas o aspecto psicológico do Norman como fator surpresa no livro de Robert Bloch para aqueles que optarem ver o filme antes desse livro clássico (e surpreendente!).

Com relação aos demais personagens que aparecem na trama, cada um tem o seu papel, a sua importância e as suas motivações. Porém, ao final nota-se que tudo gira em torno do Norman e das ações dele. Ele ofusca tanto os demais personagens que apesar de querermos saber qual será o resultado da busca de Lily, Sam e do detetive Arbogast, queremos mais ainda saber como Bates reagirá diante das descobertas que mais cedo ou mais tarde acabam chegando. Ademais, como vocês puderam perceber, fui totalmente “atraída” para a complexidade da mente de Norman Bates. Tanto que não hesitaria em indicá-lo tanto para os amantes do terror, como também, para aqueles que assim como eu tem curiosidade de saber até que ponto a mente humana é capaz de ir quando empregada para o mal.


[...] Nós não somos tão lúcidos quanto fingimos ser. Pág. 231

Playlist:


--- Isabelle Vitorino ---

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