7 de junho de 2014

Resenha: Os Três por Sarah Lotz

Falar de “Os Três” não é uma tarefa fácil, pois além de trazer um número considerável de personagens, qualquer detalhe dito sem cuidado pode tirar uma surpresa do leitor. Dessa forma, na resenha de hoje tentei me ater as emoções que tive ao ler o livro e a estrutura da história como um todo. Espero que gostem!

Título: Os Três
Autor (a): Sarah Lotz
Editora: Arqueiro
Páginas: 400
Ano: 2014
Onde comprar: Saraiva | Submarino
Quinta-Feira Negra. O dia que nunca será esquecido. O dia em que quatro aviões caem, quase no mesmo instante, em quatro pontos diferentes do mundo. Há apenas quatro sobreviventes. Três são crianças. Elas emergem dos destroços aparentemente ilesas, mas sofreram uma transformação. A quarta pessoa é Pamela May Donald, que só vive tempo suficiente para deixar um alerta em seu celular: Eles estão aqui. O menino. O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu Deus, elas são tantas... Estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós. Pastor Len, avise a eles que o menino, não é para ele... Essa mensagem irá mudar completamente o mundo. 

No dia 12 de janeiro de 2012 centenas de pessoas em quatro continentes do mundo fizeram check-in e embarcaram em um voo no intuito de chegarem ao seu destino final. No entanto, eles jamais conseguiram chegar até onde desejavam, pois uma sucessão de fatos aterrorizantes culminou na queda dos aviões em que eles estavam, tornando a morte a única certeza para os passageiros que viveram verdadeiros momentos de terror a bordo das aeronaves. A humanidade estava em choque, pois além de nunca ter visto uma catástrofe de tamanha proporção, ninguém imaginava que fosse possível alguém sobreviver aquele tipo de acidente. Mas para a surpresa de todos, três crianças sobreviveram a queda.

Consideradas como um milagre pela maioria, a crença de que uma força maior estava agindo na terra começa a ser disseminada com fervor. Logo, teorias para explicar o que aconteceu na denominada “Quinta-feira Negra” passam a ganhar um tom mais sobrenatural e vários seguimentos religiosos e científicos iniciam uma busca para provar que estão corretos nas suas afirmações após as autoridades divulgarem a gravação que uma das passageiras fez antes de morrer pedindo para vigiassem um dos sobreviventes. As famílias das crianças que já não sabem o que fazer para lidar com a pressão da mídia e dos fanáticos que passam a persegui-los, ainda se deparam com a difícil tarefa de encarar os estranhos acontecimentos que passaram a rondar as suas vidas com a chegada dos três.

Até onde nossa mente é capaz de ir quando influenciada? Essa é a pergunta que nos é infligida do início ao fim durante a leitura de “Os Três”. Abordando a loucura, a superstição e o fanatismo, a autora Sarah Lotz trouxe para o seu livro uma história densa, onde cada detalhe brinca conosco sem permitir que enxerguemos a realidade dos fatos mesmo quando ela oferece uma gama enorme de informações para serem analisadas. Escrito de forma a imitar uma biografia, há no livro uma espécie de ghost writer conhecida como Elspeth Martins que além de responsável por fazer um apanhando do que há de mais importante a ser dito sobre o evento conhecido como a quinta-feira negra, também exerce um papel fundamental para nos direcionar a algo mais próximo do que seria a verdade por trás de todas as tragédias ocorridas após a queda dos aviões.

Dessa forma, além de termos acesso a entrevistas com aqueles que se envolveram de algum modo com os sobreviventes, podemos conferir gravações, trechos de jornais, e-mails, blogs, e tudo aquilo que é importante para entendermos a dimensão das consequências que essa catástrofe trouxe para a vida das pessoas. Por sua construção tão diferenciada, o livro não pede um ritmo de leitura rápido. Mas a maneira como a autora soube dar vida a cada um dos seus personagens e suas respectivas histórias, faz com que comecemos a ler e não tenhamos mais vontade de largar o livro antes de descobrir pelo menos um detalhe que indique que estamos seguindo a pista correta para desvendar o mistério como um todo.

E talvez seja nesse ponto que resida a grande sacada da autora: não há pistas reais para seguir. Já que de um modo ou de outro, tudo que está ali teve a influência seja das peripécias pregadas pela mente, seja da propensão a seguir alguma diretriz religiosa que cada um dos personagens nutria em seu interior. A maneira como ela fez isso foi o que mais me impressionou, pois ela utiliza um personagem de caráter fraco e de personalidade forte para ilustrar com perfeição o que pode acontecer quando a religião é vista de modo doentio. Mas não foi só nisso que ela me surpreendeu... Apesar do livro não entrar na categoria de terror, há uma personagem que me aterrorizou tanto que eu até tive pesadelos depois de ler as passagens que ela protagonizou. Pode parecer estanho, mas isso fez dela a minha personagem favorita em toda a história.

Outra pitada de horror que a autora inseriu e que me deixou com frio na barriga foi a utilização da floresta Aokigahara (conhecida como floresta do suicídio) como um dos cenários principais do livro, pois mesmo que o núcleo asiático da história não seja tão empolgante quanto os demais, o peso do que milhares de pessoas já fizeram nesse local no decorrer dos anos, o tornou ainda mais interessante sob a luz do que Lotz escreveu. Essa mescla bem equilibrada entre ficção e realidade que a autora transmitiu através do seu livro, me fez admirar ainda mais o trabalho dela como ficcionista, já que por um momento eu não só me coloquei no lugar dos seus personagens, como também, imaginei o que aconteceria na terra se algo tão estarrecedor acontecesse nos dias de hoje. Podem ter certeza, eu que já sou medrosa por natureza, nunca mais cruzarei o oceano sem pensar em “Os Três”.


[...] Parece amargo, eu sei, mas a gente descobre quem são os amigos de verdade quando a vida desmorona. Pág. 47

Playlist:


--- Isabelle Vitorino ---

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