21 de junho de 2014

Resenha: Destino Mortal por Suzanne Brockmann

“Destino Mortal” foi um dos livros com enredo mais surpreendente que eu li esse ano. Pois mesclando com perfeição ação, ciência e romance, a autora Suzanne Brockmann forneceu material suficiente para que vários tipos de leitores o apreciasse. Por isso se você gosta de um desses gêneros, não deixe de ler a resenha de hoje. Tenho certeza de que você não vai se arrepender.

Título: Destino Mortal
Série: Destiny #1
Autor (a): Suzanne Brockmann
Editora: Valentina
Páginas: 536
Ano: 2014
Onde comprar: Saraiva | Submarino
Expulso de um grupo de elite de forma desonrosa, o ex-Navy SEAL Shane Laughlin está com seus últimos 10 dólares no bolso quando, finalmente, consegue um emprego para participar de um programa de testes no Instituto Obermeyer (IO), uma fundação de pesquisas e desenvolvimento desconhecida do grande público e que trabalha com atividades secretas. Logo, Shane descobre que existem certos indivíduos que têm a habilidade única de conseguir acesso a regiões inexploradas do cérebro, com resultados extraordinários, incluindo telecinesia, força sobre-humana e reversão do processo de envelhecimento. Conhecidos como Maiorais, essas raras figuras são criadas ou recrutadas pelo IO, onde, rigorosamente treinadas com o auxílio de técnicas ancestrais, conseguem cultivar seus poderes e usá-los de forma responsável. No entanto, nas profundezas da segunda Grande Depressão dos Estados Unidos, onde o abismo social entre os que têm muito e os que não têm nada ameaça a ordem de forma definitiva, ricaços imprudentes descobriram uma alternativa sedutora na forma de um novo produto: Destiny. Trata-se de uma droga de fabricação quase artesanal, capaz de transformar qualquer pessoa num Maioral, além de oferecer a atração especial de garantir a juventude eterna para o usuário. O cartel sinistro conhecido como a Organização começou a produzir Destiny em larga escala, e a demanda pela droga se tornou epidêmica. Poucos, porém, sabem do verdadeiro perigo da nova droga, e são ainda em menor número os que detêm o segredo sujo do ingrediente crucial para a fabricação da substância. Michelle “Mac” Mackenzie é uma das poucas que conhecem toda a verdade.

Em uma sociedade em colapso e em recessão, o Instituto Obermeyer trabalha incansavelmente para encontrar uma forma de combater os terríveis efeitos de uma poderosa droga conhecida como Destiny. Comandado pelos doutores Bach, Mac e Diaz, o instituto se dedica também a encontrar pessoas com o potencial de desenvolver um alto índice neural e que por consequência, são capazes de executar coisas extraordinárias através do poder de suas mentes. Mas essa não era uma tarefa fácil, pois além de terem que enfrentar a descrença da população no trabalho que eles realizavam e os problemas causados por aqueles que “coringaram”*, um grupo de alto escalão conhecido como Organização estava raptando meninas especiais para utilizá-las como fonte de um ingrediente na fabricação de Destiny.

Tomando para si a responsabilidade de resgatá-las, os Maiorais – como são conhecidos aqueles que já completaram seu ciclo de aprendizagem dos poderes neurais – dão início a uma caçada que se torna cada vez mais difícil e complexa. Ainda mais porque cada um deles está tendo que enfrentar os seus próprios demônios que parecem cobrar vida. Mac que o diga, pois foi só conhecer o ex-Nave SEAL que os seus sentimentos cuidadosamente protegidos começam a sair do controle impedindo-a de pensar e agir com clareza. Mas para Shane as coisas também não estavam sendo fáceis, já que para tentar ter uma chance com a mulher que ele se encantou, ele precisa abrir mão de sua incredulidade e aceitar a existência desse universo oculto que por mais que parecesse ser formado por heróis, também era palco para a subexistência de pessoas cruéis e sem o menor escrúpulo.

Quando iniciei a leitura de “Destino Mortal” eu estava em um estado de distanciamento do livro que me é pouco característico. Acredito que o principal causador disso foi a consciência de que apesar do livro tratar de algo inteiramente novo para mim, entremeado a essa originalidade havia também as cenas sensuais que tanto me deixam insatisfeita atualmente. No entanto, por sorte tive uma agradável surpresa ao constatar que apesar da autora ter inserido cenas e diálogos de cunho mais sexual, ela fez isso de modo até discreto se equiparamos a sua história com a de outros autores do gênero. Isso por si só já a fez crescer em meu conceito, mas vê-la desenvolvido o romance e a sensualidade ao mesmo tempo em que trabalhava as emoções dos personagens e os expunha de modo puro, foi o que realmente me conquistou.

Ainda mais porque todos os seus personagens carregam consigo uma carga dramática que torna todos os sentimentos deles ainda mais reais em face as possibilidades aterrorizantes que rondam suas mentes quando novas informações a respeito do que pode estar acontecendo com as meninas raptadas são descobertas. O mais interessante é que apesar dos assuntos do coração sempre cobrarem uma solução mais rápida e efetiva, em nenhum momento eles deixam de focar no que é realmente importante e trabalham com afinco para encontrar uma forma de libertar as garotas. Sobre esse plote, posso dizer que é de embrulhar o estômago todas as situações que a autora expõe através dos olhos de Nika. Ela que é uma menina com imenso potencial, se ver forçada a viver coisas tão tenebrosas torna impossível a tarefa do leitor não se sentir aflito por ela.

Mas o melhor de tudo é que Brockmann trabalhou cada detalhe do seu enredo cheio de sutilezas de forma que ela nem posterga, nem se apressa. As coisas se desenrolam de maneira tão satisfatória com relação a esse timing que até me senti mal por não desenvolver empatia pela maioria dos seus personagens. Já que com exceção de Dr. Elliot e Nika, os demais sempre me deixavam chateada de alguma forma. No entanto, quero deixar claro que isso não afeta de maneira muito pronunciada a boa construção do livro como um todo, visto que nos demais aspectos a autora foi realmente maravilhosa e soube trabalhar de modo bastante claro uma teoria que a princípio pode parecer meio louca. Sinceramente? Mal posso esperar para ter o próximo livro da série em mãos!



[...] Mesmo que eu pare de sentir o que sinto, vou me lembrar de como é sentir, e vou querer essa emoção de volta. Pág. 394

Playlist:


* Na obra, a autora transforma o nome coringa (sim, ela faz referências ao Batman) em um verbo para se referir aos efeitos da droga Destiny.

--- Isabelle Vitorino ---

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