13 de maio de 2014

Resenha: Coração Envenenado por S. B. Hayes

Na resenha de hoje, trago para vocês um pouco mais do universo que a autora S. B. Hayes criou em seu livro “Coração Envenenado”. Desde já, garanto a vocês que a história é aterradoramente perturbadora!

Título: Coração Envenenado
Autor: S. B. Hayes
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 350
Ano: 2014
Onde comprar: Saraiva
Sem os pais desde a infância, Genevieve Paradis tem uma história de vida trágica. Já passou por abrigos infantis e, inclusive, precisou dormir na rua por um tempo. Suas origens aparentam ser indecifráveis, até que, em mais uma de suas idas e vindas, ela se muda para a mesma cidade de Katy Rivers. Quando a intrusa começa a transformar a vida de Katy num inferno, tentando roubar tudo o que lhe pertence, tal comportamento se torna mais do que suspeito, e ela decide, então, investigar o passado dessa misteriosa menina.

Katy sempre foi o tipo de garota que conseguia passar despercebido aonde quer que fosse. Com 16 anos de idade e dando o máximo para se sair bem no seu curso, ela se contenta em ter duas fiéis amigas e observar o garoto dos seus sonhos de longe. Mas um dia quando está voltando para casa após as aulas ela olha para trás e percebe que olhos verdes brilhantes a observavam com ódio. Surpresa por alguém que ela jamais viu lhe dirigir um olhar tão perturbador, ela passa a ser tomada por uma sensação de que algo muito ruim está prestes a acontecer. E não demora para que o seu receio se confirme, já que de repente em todos os lugares que ela olha, lá está ela, Genevieve, a garota de olhos verdes e que parece um reflexo dela própria lhe perseguindo e lhe assegurando que transformaria a sua vida em um inferno. E é sem entender as razões que a impulsionam, que Katy decide que não deixará que uma forasteira qualquer roube sua vida, por isso se une ao seu amigo Luke e parte em uma jornada que poderá mudar para sempre a forma como ela própria se vê.

Quando comecei a ler “Coração Envenenado” eu só contava com o meu desejo de que a autora abordasse a relação obsessiva contida na trama de forma diferente das que eu já tinha visto até então e nada mais. Eu estava tão livre de expectativas, que foi com admiração que eu observei o aparecimento das surpresas que a autora preparou para os seus leitores e me deliciei com cada detalhe chocante que ela acrescentou na história no transcorrer das páginas. No entanto, foi através da sua narrativa densa que ela me ganhou, pois ela não só despertou em mim uma sensação de embrulho no estômago com o desencadeamento da estranha simetria que parecia reger o relacionamento entre Katy e Genevieve, como também, me fez ficar conectada a sua trama até que eu entendesse o que de fato estava acontecendo (por mais ilusório que fosse esse entendimento).

Isso, somado ao curioso desenvolvimento que S. B. Hayes trabalhou no livro onde nada – literalmente – é o que parece ser, me deixou rendida a sua história. Ainda mais porque percorrendo vários gêneros literários, ela faz com que o leitor sinta que por mais que seus palpites estejam corretos, há tantas coisas por vir que você nunca vai conseguir alcançar completamente o raciocínio dela. Principalmente, porque acompanhando tudo através dos olhos de Katy nós somos induzidos a acreditar naquilo que ela acredita. Ou seja, por ela ser dona de uma imaginação bem fértil, as conjecturas mais loucas parecem ser possíveis e o leitor vai sendo jogado de um lado para o outro atrás de pistas que parecem sempre acabar em um beco sem saída. De verdade, foram tantos momentos de clímax que me senti em uma verdadeira maratona onde ao final, eu estava sem fôlego diante de todas as revelações feitas pela autora.

O único “porém” da história para mim, foram algumas inverossimilhanças que percebi no decorrer da leitura. A mais importante delas foi a autora colocar personagens de 16 anos na faculdade e depois citar em um diálogo entre Katy e sua mãe, a escolha universitária dela. Essa incongruência se tornou ainda mais nítida para mim porque a própria sinopse de capa do livro, cita uma escola e não uma universidade. E mesmo que esse ponto negativo não seja muito sério, foi algo que me incomodou sobremaneira, pois gosto de tramas coerentes como um todo e essas falhas acabam me deixando um pouco chateada. No entanto, como que para compensar esses erros, a autora foi extremamente feliz na construção dos seus personagens, pois além deles serem muito bem definidos, Hayes respeitou durante todo o texto as características de cada um deles sem direcioná-los a nenhum lugar que o leitor pudesse acreditar que fosse algo forçado.

Sobre os personagens, confesso que tive certa predileção pela Genevieve (mesmo ela sendo bem psicótica), já que mesmo criando um mundo de fantasias ao seu redor, ela era forte o suficiente para não se deixar abater pelos eventos inesperados que a tiravam do jogo por alguns momentos. O que não pude perceber em Katy, pois mesmo quando ela ia em busca de respostas, ela permanecia em um estado de cegueira autoinduzida onde ela só enxergava aquilo que queria e o quanto queria. Às vezes, estava tudo tão às claras que eu ficava boquiaberta como ela acabava indo a uma direção totalmente contrária. O único que me agradou em todas as suas atitudes foi o Luke. Além de um ótimo amigo, ele era um fofo sempre! Ademais, de modo geral posso dizer que “Coração Envenenado” vai atender aos gostos dos mais variados leitores, por isso se você gosta de romance, thriller e suspense, não deixe de ler essa história onde nem tudo o que parece é. Tenho certeza que você não vai se arrepender.

[...]Os mortos sempre estariam ali, próximos dos vivos, e eu começava a compreender que a divisão não era tão drástica quanto as pessoas achavam. Pág. 347

Playlist:


--- Isabelle Vitorino ---

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