29 de maio de 2014

Resenha: As Cavernas de Aço por Isaac Asimov

Sempre fui uma apaixonada por ficção científica, mas livros que abordassem a robótica eram uma verdadeira incógnita para mim. Até que decidi que já passava da hora de eu fazer o meu début na temática e iniciei a leitura desse livro incrível que foi saboreado paulatinamente. Em uma palavra? Fascinante!

Título: As Cavernas de Aço
Série: Robôs #1
Autor: Isaac Asimov
Editora: Aleph
Páginas: 304
Ano: 2013
Onde comprar: Saraiva
Este é a nova versão do livro antes lançado no Brasil como "Caça Aos Robôs" pela editora Hermus e em 2013, relançado pela editora Aleph com o nome de "As Cavernas de Aço", tradução mais correta do original Caves of Steel. Em Nova York, o investigador de polícia Elijah Baley é escalado para investigar o assassinato de um embaixador dos Mundos Siderais. A rede de intrigas envolve desde sociedades secretas até interesses interplanetários. Mas nada o preocupa tanto quanto o seu parceiro no caso, cuja eficiência pode tomar o seu emprego, como acontecera com seu pai no passado. Pois seu parceiro é um robô. Publicado no início da década de 1950, As Cavernas de Aço é o primeiro romance do consagrado Ciclo dos Robôs de Isaac Asimov, mesclando de forma magistral os gêneros de ficção científica e literatura policial.


O investigador de polícia Elijah Baley não pode acreditar no que o Comissário da Cidade de Nova York acaba de lhe designar: investigar um assassinato ocorrido na Vila Sideral em parceria com um robô. Apesar de não se enquadrar em um perfil extremista e de pensamento totalmente contrário à presença dos robôs na Terra, ele tão pouco poderia se considerar um simpatizante dos estranhos seres que passavam a ocupar cada vez mais espaço no planeta que já vivia em estado de recessão. No entanto, por infelicidade ele não podia se opor a isso. Ainda mais porque um escândalo muito maior poderia surgir se os humanos se recusassem a procurar o culpado pela morte do embaixador dos Mundos Siderais cujas suspeitas já recaíam sobre eles.

Porém, ele jamais imaginou se encontrar no meio de uma confusa rede de conspiração onde a verdade por mais óbvia que pudesse parecer ser, sempre o levava a um perigoso beco sem saída. Temendo cada vez mais pela segurança da sua família, ele se compromete com mais afinco ao caso e se surpreende ao encontrar no seu parceiro uma lealdade que superava até mesmo a lógica fria e imutável própria dos robôs. Mas o que ele não esperava é que quanto mais empenho ele mostrasse, mais lacunas que ele preferia não preencher fossem surgindo e que ao final, ele tivesse que decidir entre aquilo que era melhor para todos e aquilo que era melhor para aqueles que ele amava.

Em “As Cavernas de Aço”, a surpresa passa a ser uma companheira constante. Com uma narrativa acessível, apesar de tratar de temas científicos, Isaac Asimov trouxe para esse livro uma mescla perfeita de investigação, fanatismo e robótica. A princípio eu sequer imaginava que algo assim pudesse ser concebido de forma clara e objetiva, mas o autor não só me mostrou que eu estava errada, como também, me deixou boquiaberta diante do desenrolar dos fatos. Com personagens bem construídos e caracterizados, não é inesperado o fato desse livro ser tão aclamado entre os fãs de ficção científica, pois é utilizando uma parceria pouco convencional entre um investigador de polícia e um robô, que o autor explora e expõe todas as camadas do seu enredo que tem mais significado do que aquilo que se pode ver à priori.

Narrado em terceira pessoa, o livro acompanha essa jornada focando em Baley. Um personagem que apesar de parecer simples, vai se mostrando mais complexo no decorrer da narrativa e que desperta os mais variados sentimentos no leitor. Eu confesso que demorei bastante para me acostumar com ele. Suas acusações infundadas e sua maneira de não querer enxergar a verdade por medo de sofrer foram os grandes responsáveis por isso. No entanto, quando parei de julgá-lo no calor do momento e analisei mais friamente as suas ações, percebi que o seu jeito de ser era o que fazia dele um verdadeiro humano. Era isso que o distanciava mais e mais do pragmatismo e aparentemente perfeição dos robôs. 

Fato que apesar de admitido, não diminuiu em nada o carinho que passei a sentir pelo robô Daneel – verdade seja dita, eu pensava nele como alguém com sentimentos durante todo o tempo. Tanto que mesmo sem nunca ter pensando em robótica, eu acabei me identificando com as máquinas cada vez que o autor mostrava as razões reais para que não só o Daneel, mas como todos os que habitavam a Vila Sideral tivesse interesse na Terra. Essa nova perspectiva também me levou a questionar se o jeito deles não seria melhor do que o jeito humano de lidar com as coisas e por isso acabei desenvolvendo certo apreço pela causa que eles defendiam.

É certo que isso ocorreu com certa relutância. Afinal, em partes eu também apreciava as ideias dos Medievalistas que apesar de ser um grupo radical e que tentava expulsar os robôs da Terra por acharem que eles iriam tomar o lugar dos homens, também nutriam um desejo de ter mais do que aquilo que tinham em um sistema onde a humanidade não respirava ar puro, vivia – literalmente – em cavernas de aço e possuía uma dieta a base de leveduras. Ver o desejo deles de ter o velho sistema de volta, me fez refletir ainda mais sobre a sociedade em que vivo. E talvez esse tenha sido o grande truque de Asimov: preencher as lacunas do próprio leitor e convidá-lo a pensar sobre a realidade em que vive despido de preconceitos, focando apenas no bem comum. 

Em suma, um livro absolutamente fascinante que atende tanto as expectativas dos fãs da literatura policial através da investigação de um assassinato quanto dos fãs de ficção científica ao explorar o universo robótico. Com certeza uma leitura mais do que recomendada, principalmente para aqueles que carregam dentro de si o desejo de mudança e que estão dispostos a ler nas entrelinhas da mescla de gêneros que Asimov habilmente reproduz nas páginas de "As Cavernas de Aço".

[...] parece-me que a destruição do que não deveria haver, isto é, a destruição do que vocês chamam de mal, é menos justa e desejável do que a conversão desse mal naquilo que vocês chamam de bem. Pág. 300

Playlist:


--- Isabelle Vitorino ---

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