1 de abril de 2014

Resenha: O Canto das Sereias por Val McDermid

Sempre tive interesse em psicologia e a criação de perfis criminais. Acredito que isso é culpa do cenário inacreditável que monto em minha cabeça através da estranha combinação de ciência e intuição. No entanto, apesar de acompanhar religiosamente seriados que trazem essa perspectiva para a televisão eu nunca tinha lido um livro cujo enredo abordasse essa temática. Por isso não tive dúvidas ao iniciar a leitura de “O Canto das Sereias”: eu iria desfrutar muito de cada página. E olha, minha aposta não poderia ter sido mais certeira...

Título: O Canto das Sereias
Série: Tony Hill & Carol Jordan #1
Autor (a): Val McDermid
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 490
Ano: 2014
Inspirado pelo acervo de um museu dedicado a aparelhos de tortura, o Assassino de Bonecas – como é conhecido por abandonar suas “obras de arte” em locais de público gay – parece ter descoberto a grande vocação de sua vida. E suas mortes são planejadas com tamanha frieza e impiedade que não deixam nenhum rastro para trás. Por causa da ausência de pistas, o psicólogo Tony Hill é convocado para ajudar na investigação. Com a ajuda da detetive Carol Jordan, sua missão é entrar na mente do criminoso e estabelecer um perfil que possibilite desvendar sua identidade. No entanto, mesmo para um profissional experiente como ele, a série de mutilações sexuais seguidas de assassinato é diferente de tudo que já viu antes.


A população de uma cidade da Inglaterra está sendo submetida às práticas homicidas de um criminoso cuja identidade a polícia sequer desconfia. Deixando um rastro de corpos em um mal afamado bairro da cidade, o apelidado “Assassino de Bonecas” parece não temer as consequências de seus atos grotescos e se aprimora em seus assassinatos ao se inspirar em instrumentos de tortura vistos em tempos sombrios como a Santa Inquisição. A polícia local não tem ideia de por onde começar a procurá-lo, principalmente porque seu cuidado ao não deixar evidências para trás dificulta ainda mais essa tarefa. 

No entanto, Carol Jordan está disposta a trabalhar incansavelmente até pegar o assassino. O problema é que sendo uma das poucas mulheres da força policial, ela tem que lidar com a descrença constante dos seus companheiros sexistas que não a levam a sério e com a falta de recursos para iniciar uma investigação mais rigorosa. Contudo, a chegada do psicólogo Tony Hill promete mudanças bruscas na forma como as coisas estão sendo consideradas, pois com uma olhar diferente ao que se sabe sobre o serial killer, ele promete mergulhar profundamente na mente do criminoso até descobrir seus próximos passos e encurralá-lo antes do próximo corpo aparecer.

Em “O Canto das Sereias” a autora Val McDermid trabalha com a ideia de que diferente dos demais assassinos que agem movidos apenas pelo desespero criado através de uma situação limite, o serial killer emprega toda a sua paciência e inteligência para orquestrar os seus crimes de modo que mesmo quando as suas motivações são sentimentos controladores como a raiva e a obsessão, a sua mente trabalha incansavelmente para abstrair o máximo de prazer do seu jogo doentio. E é justamente nesse ponto em que ela aborda a real importância de um profiler e nos mostra que esse profissional não só está habilitado para reconhecer padrões psicológicos fornecidos através da cena do crime e da própria vítima, como também, para entrar na mente do criminoso e de encontrar uma saída em meio a um labirinto constituído de perversidade.

O profiler dessa história é Tony Hill, um homem inteligente e misterioso que passou anos trabalhando em hospitais psiquiátricos, mas que agora terá que enfrentar sua primeira investigação em tempo real. Por guardar muitos segredos e ser um homem charmoso, ele logo chama a atenção da detetive-inspetora Carol Jordan, porém nada que a distancie do seu foco principal que é encontrar o serial killer. Sendo uma mulher forte e determinada, em nenhum momento ela se deixa abater diante das opiniões e piadas machistas que a seguem por onde quer que ela vá e vai atrás daquilo que acha certo. 

No entanto, em alguns momentos me incomodei com a insistência dela em ter mais da relação que ela estabeleceu com o Hill, na mesma proporção em que ele me irritou com a falta de humildade para aceitar sugestões no seu trabalho. Mas não foi nada absurdo e que eu não pudesse relevar em detrimento ao modo magistral que a autora deu vida ao serial killer. De verdade, nunca imaginei que fosse gostar tanto de ler a narrativa de alguém tão perverso. Mas a maneira quase elegante que McDermid nos conta os pensamentos e feitos do “Assassino de Bonecas” me deixou verdadeiramente fascinada por esse complexo personagem que não se contenta com menos que a perfeição. 

E mesmo que o assassino em si tenha sido o ponto mais empolgante da trama para mim – dada a sua construção requintada –, também pude observar outros pontos fortes no transcorrer da história. Contudo, considero como sendo o principal deles, as mais variadas possibilidades que a autora criou para a identidade do assassino. Por causa das pistas fornecidas por ela – ora através da investigação, ora através da narrativa do assassino –, eu mudei tanto de opinião sobre quem estava por trás dos crimes que mesmo meu primeiro palpite estando certo, a genialidade da explicação dela sobre quem ele era e porque matava, me deixou boquiaberta. 

Ao final, eu não só estava desejando ter em mãos o próximo livro da série, como também, outros livros de Val McDermid para que eu pudesse desfrutar mais da sua mente sagaz. Certamente, uma autora que entrou para o rol dos favoritos e que eu não teria o menor receio em recomendar veementemente (como estou fazendo agora) para aqueles que procuram por histórias inteligentes, com personagens perspicazes e desenvolvimentos capazes de surpreender até o leitor mais atento. Sem sombra de dúvidas, ela é no mínimo genial!

Aprendemos com os nossos erros as imperfeições de nossas ações. E, felizmente, a prática leva à perfeição. Pág. 17

Playlist:


P.S. Agradeço a Mari do Blog S2 Ler por ter sido minha parceria no time de investigação que montamos durante a leitura de “O Canto das Sereias”. Foi simplesmente incrível ter alguém para tecer suposições sobre os mistérios do livro comigo. o/

--- Isabelle Vitorino ---

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