23 de outubro de 2013

Resenha: O Circo Mecânico Tresaulti por Genevieve Valentine

Após alguns dias sem resenha hoje eu voltei para trazer pra vocês um pouco do mundo circense criado por Genevive Valentine, uma autora que não só me surpreendeu, como também, conseguiu me deixar embasbacada diante da magnitude de sua criação. Curiosos? Então, meu respeitável público, pegue um lugar confortável na arquibancada e embarque comigo nessa jornada.

Título: O Circo Mecânico Tresaulti
Autor (a): Genevieve Valentine
Editora: DarkSide
Páginas: 320
Ano: 2013
Às vezes, o mundo pode parecer um lugar desolador e escuro, formado por vastas amplidões cheias de conflito, onde o que todos procuram é se agarrar a algo que os faça sobreviver ao dia seguinte. Pois em O Circo Mecânico Tresaulti esse deserto cheio de perigos é atravessado pela magia de uma potente força criadora, capaz de devolver a integridade emocional e física a quem se juntar à trupe. Em pleno cenário pós-apocalíptico, O Circo Mecânico Tresaulti ergue sua lona e dá início ao grande espetáculo.

O mundo ainda não se recuperou da última guerra e as pessoas vivem da maneira que podem com o que restou, mas em meio a toda destruição ainda há algo que traz um pouco de distração para as cidades de todo o país: O Circo Mecânico Tresaulti. Formado por pessoas cuja esperança se esvaiu, o circo itinerante segue pelas estradas sob o forte comando de Boss, a força motora não só do espetáculo, como também, dos artistas que foram transformados por ela ao longo dos anos. Essas transformações lhes conferiram mais do que uma aparência inusitada, elas fizeram deles seres humanos quase imortais, pois reconstruídos com peças de cobre e outros objetos que a qualquer outra pessoa pareceria inútil, eles são resistentes e possuem habilidades peculiares. Mas são as mesmas capacidades extraordinárias que os tornam especiais, que também os tornam vulneráveis diante da ambição de um homem que não medirá esforços para desvendar o segredo de Boss e do Circo Mecânico Tresaulti.

Livros desafiadores costumam despertar sentimentos ambíguos nos seus leitores. Eu posso afirmar isso com a certeza de alguém que se viu em uma batalha feroz de amor e ódio com uma história que carrega consigo um quê de algo raro que sobressalta o leitor ao mesmo tempo em que o tira da sua zona de conforto ao dar nada mais que incertezas do por vir. Muito disso se deve a narrativa peculiar de Genevieve Valentine, pois ela não só destrói todos os estereótipos de uma construção literária ao alternar tempos verbais e vozes sem qualquer aviso prévio, como também, trabalha com textos não lineares de modo que a página seguinte se torna uma surpresa que pode agradar ou não a quem está lendo o livro. Acredito que foi nesse ponto em que a autora me perdeu um pouco, já que por alguns momentos eu me desconectava da história porque ela terminava um capítulo com algo que me deixava boquiaberta para começar outro com algo que por vezes me parecia monótono demais diante das informações antecessoras.

É certo que os personagens são – em sua grande maioria – cativantes, porém eu queria mais linearidade em determinados momentos para que eu não sentisse essa mudança brusca tanto de ponto de vista quanto de história e também para que eu pudesse me apegar mais aos personagens. Não que isso me impediu de ter os meus favoritos, já que ainda assim eles conseguiram me conquistar com suas personalidades tão diferentes e tão parecidas ao mesmo tempo. A Elena, por exemplo, era uma trapezista extremamente talentosa que sofreu tantas decepções, medos e receios, que se tornou alguém a quem todos ou temem ou odeiam, contudo, o seu jeito arredio e nada gracioso de ser fora dos picadeiros me conquistou, pois além de tudo ela era solitária e extremamente sincera, ela poderia ser triste, mas ser uma pequena tirana fazia dela alguém forte demais para isso e essa força me encantou.

Assim como a dualidade de Stenos e Bird que mais pareciam Yin e Yang, dois lados de uma mesma moeda cujo amor e ódio eram fomentados pela ambição por um par de asas feitos para um antigo integrante da trupe que não suportou a pressão de fazer parte de um grupo como aquele e se foi deixando Boss para trás. Entretanto, é ao falar de Boss que uma tensão se apossa de mim, pois por mais que o livro trate de forma direta ou indireta dela, ela ainda permanece uma incógnita de forma que eu não sei se é bom ou não, pois se por um lado o mistério sobre ela soe crível, por outro eu ainda fiquei com muitas perguntas a respeito dos seus “poderes” e queria que a autora tivesse elucidado isso de modo que ao menos uma pista sobre o talento dela fosse dado.

Contudo, se ainda tenho minhas incertezas com relação a história que mistura o steampunk com a distopia, isso não acontece com a edição feita pela DarkSide que mais do que um livro trouxe para os leitores brasileiros uma obra de arte que foi coroada com as ilustrações de Wesley Rodrigues, um ilustrador extremamente talentoso que deu vida aos personagens inusitados de Genevieve e que me ajudaram a imaginar de forma mais precisa as criações de Boss. Mas fiquem tranquilos que não encerrarei esta resenha sem dizer exatamente o que achei sobre o livro porque jamais faria isso com vocês, por isso prestem atenção nas minhas palavras seguintes: ‘O Circo Mecânico Tresaulti’ traz para o leitor várias histórias que se unem em um só formando algo grandioso que tem pinceladas de vários gêneros literários, seus personagens são apaixonantes e sua narrativa é estarrecedora, por ser um tipo raro de romance vai fazer você perder noites pensando nele para que só então, depois de perceber tudo isso, você possa entender que – mais do qualquer outra coisa – este é um livro extremamente desafiador.


[...] É assim que as lembranças são – sempre verdadeiras, nunca a verdade. Pág. 94

Playlist:


--- Isabelle Vitorino ---

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