13 de junho de 2016

Resenha: Sejamos Todos Feministas por Chimamanda Ngozi Adichie

Enquanto estive longe do blog, tentei ao máximo realizar algumas leituras que me mantivessem conectada ao universo literário e uma leitura extremamente surpreendente que fiz foi "Sejamos Todos Feministas". Só posso adiantar uma coisa a respeito desse texto: ele é deveras necessário.

Título: Sejamos Todos Feministas
Autor (a): Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 64
Ano: 2015
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Chimamanda Ngozi Adichie ainda se lembra exatamente do dia em que a chamaram de feminista pela primeira vez. Foi durante uma discussão com seu amigo de infância Okoloma. “Não era um elogio. Percebi pelo tom da voz dele; era como se dissesse: ‘Você apoia o terrorismo!’”. Apesar do tom de desaprovação de Okoloma, Adichie abraçou o termo e começou a se intitular uma “feminista feliz e africana que não odeia homens, e que gosta de usar batom e salto alto para si mesma, e não para os homens”. Sejamos todos feministas é uma adaptação do discurso feito pela autora no TEDx Euston, que conta com mais de 1,5 milhão de visualizações e foi musicado por Beyoncé. 

A palavra “empoderamento” tem sido repetida com bastante frequência nos últimos tempos, principalmente, em discursos que visam divulgar o feminismo. Por si só, esse movimento vem sido perseguido e julgado por todos os lados. Uma grande parte das pessoas ainda enxergam aqueles que se intitulam feministas como espécies de terroristas, tanto o é, que em postagens no Facebook que tratam do assunto sempre tem alguém comentando com frases contendo o vocábulo “feminazis”.

Se buscarmos rapidamente a origem dessa palavra, perceberemos que o intuito da sua utilização seria para designar as feministas radicais ou as denominadas misândricas. Entretanto, ela acabou caindo no senso comum e se tornou mais uma maneira de atacar aqueles que acreditam na igualdade dos gêneros e não na superioridade de um em detrimento de outro. E é buscando trazer esse olhar igualitário, que Chimamanda surpreende com esse discurso adaptado.

Tratando do quanto é difícil ser mulher desde tempos imemorais, ela mostra o quanto há diferenças não só de tratamento, como também, de valores designados às mulheres. Escrevendo sobre a sua experiência pessoal acerca do assunto, vemos durante todo o texto o quanto é complicado convencer a sociedade de que o feminismo atua em prol da equiparação entre gêneros que permaneceu de modo dispar durante séculos.

Segundo dados do IBGE, as mulheres estiveram em maioria no Brasil no ano de 2015, somando um percentual de 50,62%, poderíamos pressupor que em uma sociedade iguilitária teríamos uma maior representatividade das mulheres não só na política, como também, em outras profissões que são predominantemente masculinas. Mas infelizmente não é isso que está acontecendo no nosso país. Um exemplo claro dessa desigualdade consiste no fato de não termos nenhuma mulher ministra no atual governo. Será que realmente não tínhamos mulheres capazes de assumir esses cargos que foram ocupados por homens?

É também a questões como essa que o texto de Chimamanda se reporta haja vista o seu claro descontentamento como a maneira em que coisas feitas por mulheres e que são consideradas obrigações inerentes ao seu gênero, são tidas como especiais quando feitas por homens. Posso citar um exemplo clássico disso que é o agradecimento e a sensação de êxtase que muitas mulheres sentem quando o pai do seu filho ajuda ela a cuidar do pequeno, quando essa deveria ser uma responsabilidade compartilhada e por isso vista sob um prisma de normalidade e não de um evento extraordinário.

E assim o seria, se não tivéssemos sido educados para designar funções específicas para cada gênero sem considerarmos qual afinidade com que cada um, enquanto ser individual, tem. Me incomoda o fato de em pleno século XXI ter que escutar e ler tantas coisas que só revelam o quanto vivemos em uma sociedade patriarcalista, onde as mulheres continuam sendo subjugadas e desrespeitadas sem que elas sequer notem por associar essas ofensas a uma característica da personalidade masculina que se incorporou, inclusive, a mentalidade feminina (não são poucas as mulheres que discursam de modo machista).

Diante de tudo isso, só posso recomendar fervorosamente que todo aquele que possui curiosidade para saber o olhar dessa escritora nigeriana acerca do assunto, que se permita ler “Sejamos Todos Feministas” sem rotular nem o texto, nem a pessoa da Chimamanda. Acredito que antes de atacarmos o feminismo devemos entender o que esse movimento prega e o porquê dele ter se formado. Ademais, tenho certeza que essa será uma ótima porta de entrada para conhecer um ideal que apesar de tão discriminado é tão pouco conhecido em sua essência.

O problema da questão de gênero é que ela prescreve como devemos ser em vez de reconhecer como somos. Seríamos bem mais felizes, mais livres para sermos quem realmente somos, se não tivéssemos o peso das expectativas de gênero. Págs. 36 a 37

--- Isabelle Vitorino ---

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