24 de fevereiro de 2015

Resenha: O Oceano no Fim do Caminho por Neil Gaiman

Sou apaixonada pela escrita do Neil Gaiman da mesma forma que alguns amam a J. K. Rowling. A verdade é que antes mesmo de eu ler a série Harry Potter, eu já lia há algum tempo o autor e me aterrorizava com suas histórias infantojuvenis que sempre tem ares de terror. No entanto, desde que reli “Coraline” eu não invadi mais o seu mundo infantil. Estava sentindo muita falta, tanto que tomei coragem e li “O Oceano no Fim do Caminho”.

Título: O Oceano no Fim do Caminho
Autor: Neil Gaiman
Editora: Intrínseca
Páginas: 208
Ano: 2013
Onde comprar: Saraiva | Submarino
O Oceano no Fim do Caminho - Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos. Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino. Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.


Um homem volta à sua cidade natal para um enterro. Por volta dos quarenta anos, a sua infância e a sua vida parecia estar caindo no esquecimento e as memórias não estavam mais ali como outrora esteve. Ele lembrava-se da casa na qual morou por muito tempo, mas não recordava totalmente do que aconteceu ali, ele só sabia que naquela época ele conheceu uma garota, a sua única amiga, aquela que o fez acreditar que naquela casa no fim do caminho, existia não um lago, mas sim um oceano. Tocado por aquela lembrança, ele resolveu ir até o lugar novamente e ver o que havia por lá. Encontrando uma das mulheres da família que pouco fala do que ocorreu com as demais, ele sente um impulso de ver o lago e senta-se em um banco para admirá-lo.

Durante o tempo que ele passa no lugar, logo as lembranças voltam a sua mente e os terríveis acontecimentos da sua infância vem à tona. Tudo começou com uma morte e um ser antigo sendo trazido de volta à ativa. Na verdade, o menino já desconfiava que algo estranho iria acontecer quando aquele estranho minerador alugou o seu quarto no sótão e passou a viver com a sua família. Ele só não sabia que as coisas iriam se transformar em algo que nem ele mesmo fosse capaz de acreditar. Entrando em uma jornada para garantir a sua sobrevivência e a do mundo como conhecemos, ele tem enfrentar problemas de adultos e a sua própria culpa.

Se tem uma coisa que eu admiro em Neil Gaiman é a sua capacidade de criar histórias autênticas e não copiar detalhes e mitologias de seus próprios livros em outros de lançamentos mais recentes. A exemplo disso, posso dizer que quando comecei a ler “O Oceano no Fim do Caminho” estava esperando algo parecido com “Caroline”. No entanto, logo percebi que as únicas características em comum que os dois livros tinham era uma criança tendo que enfrentar uma criatura vil e a maneira como os adultos tendem a não dar ouvidos ao que os mais pequenos falam. Sobre esse último ponto, imagino que para aqueles que se aventuram pela primeira vez nas páginas de um escrito do autor, é natural se sobressaltar com a maneira que ele aborda temas do universo adulto e insinua situações que uma criança não entende completamente.

Nesse livro em especial, mais do que tratar de uma negligência por parte dos pais ao protagonista, Gaiman fala sobre traição no casamento e predileção entre filhos. Mas não é uma abordagem sem razão de ser, ela está presente para explicar melhor as atitudes do personagem, bem como, os seus pensamentos. O interessante acerca desse protagonista é a falta de um nome. Não, você não leu errado. O Neil realmente não deu um nome ao personagem e os seus leitores passam a trama inteira sem saber como chamá-lo. Achei esse um recurso interessante, já que a maneira que ele narrou a história contribuiu para que não sentíssemos falta de uma denominação para o garoto.

O mais interessante nessa escolha, é que ela não afeta o modo como criamos laços com o menino. Eu, pelo menos, mergulhei nessa aventura e ao final não queria sair daquele universo. Principalmente porque é necessário voltar a ser criança por alguns momentos para perceber que tudo o que é contado só é fantástico para os adultos, mas para uma criança, não é.  Ainda mais se ela for tão esperta quanto as crianças criadas por Gaiman que sempre saem em busca de aventura e apesar do medo, também vão em busca de respostas aos mistérios que se interpõe em seu caminho. É fácil ver coragem nos seus personagens, mesmo quando eles são crianças que leem muito, falam pouco e vivem em seu próprio universo particular, como é o caso do nosso protagonista.

Entretanto, apesar de ter me envolvido tanto com a leitura, confesso que fiquei um pouco decepcionada com algumas nuances da história. Acredito que isso ocorreu também com outras pessoas que adquiriram o livro achando se tratar de uma história mais obscura e se deparou com um enredo fantástico e lúdico. Não posso dizer que isso me chateou a ponto de querer abandonar o livro, mas acho que a sinopse divulgada, no mínimo, induz o leitor a um julgamento errado a respeito de “O Oceano no Fim do Caminho” e a frustração acaba quase sendo uma certeza senão tivermos com a mente aberta para recebermos algo que não corresponde inteiramente ao que a editora passou para os seus leitores. Por isso, digo a todos aqueles que querem se aventurar nas páginas desse livro: estejam com a mente aberta para aceitar aquilo que é diferente e mergulhem em uma história repleta de aventura, amizade e livros.

[...] Livros eram mais confiáveis do que pessoas [...]. Pág. 18
--- Isabelle Vitorino ---

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