21 de abril de 2014

Resenha: O Livro dos Mil Dias por Shannon Hale

Contos de fadas sempre mexem com o nosso imaginário. Ainda mais quando são repletos de lendas, maldições e uma boa dose de romance. E é recheado dessas características tão conhecidas que a autora Shannon Hale nos conduz por uma bela história em “O Livro dos Mil Dias”.

Título: O Livro dos Mil Dias
Autor (a): Shannon Hale
Editora: Galera Record
Páginas: 288
Ano: 2014
Onde comprar: Saraiva
Lady Saren ficará sete anos trancada em uma torre. O castigo, imposto por seu pai, é uma resposta à sua recusa de casar-se com o noivo escolhido pela família. Mas seu isolamento não será total, uma vez que Dashti, sua fiel criada, voluntariamente se fará prisioneira para servi-la e fazer-lhe companhia. O silêncio voluntário e as lágrimas constantes de Lady Saren tornam-se parte da dinâmica monótona dos dias. As únicas companhias verdadeiras da miserável criada são o gatinho Meu Senhor e as páginas de um diário. Com a chegada de dois pretendentes da nobre, um deles muito bem-vindo enquanto o outro nem tanto, as garotas serão confrontadas com a esperança e o medo.

Lady Saren é uma nobre cujo odioso pai a sentenciou a ficar presa em uma torre durante sete anos por ela não ter cumprido com a sua obrigação de casar com o noivo que ele escolheu. Aterrorizada com a perspectiva de viver sem liberdade, sua criada mais antiga a abandona e a solidão seria sua única companhia se ela não tivesse recebido Dashti, uma criada miserável que se voluntaria a lhe acompanhar durante seu aprisionamento. Vivendo em uma profunda tristeza, Lady Saren não faz mais do que chorar e se lamentar de algo que ninguém sabe. Dashti já não sabe o que fazer para animar a sua senhora, por isso dedica o seu tempo a narrar todos os parcos acontecimentos ao seu diário e a tentar descobrir uma canção de cura forte o suficiente para tirar Saren do seu estado lastimável. Mas a chegada de dois homens que pertencem à nobreza promete ameaçar a rotina de ambas, fazendo-as confrontar os seus sentimentos mais profundos e os limites impostos por suas próprias crenças.

Narrado em forma de diário, Shannon Hale traz para “O Livro dos Mil Dias” um conto de fadas onde a criada é o destaque da trama mesmo existindo uma donzela em perigo pronta para ser salva. Repleto de tradições a serem seguidas e de deuses a serem adorados, a autora nos explica pouco a pouco a importância de cada um dos elementos que ela colocou em sua trama, de modo que ao final, nós também entendemos a divisão de reinos e castas que existe no lugar e o porquê de cada um desses pontos serem importantes para a história como um todo. Segundo as informações que a própria autora forneceu no livro, ela se inspirou no conto de fadas “A Donzela Malvina” – na versão narrada pelos Irmãos Grimm – e na estrutura da Mongólia medieval para a criação dos seus Oito Reinos e para a elaboração da trama. No entanto, o livro não é uma releitura do conto, mas sim uma forma livre de recontar essa história pouco conhecida entre os leitores.

A forma como autora conduz a história é muito peculiar, mas também muito encantadora. Acredito que isso esteja ligado intimamente a prosa poética que dá vida a personagem da Dashti, uma garota que o leitor ver crescer no decorrer de mais de mil dias e que conquista e confunde em igual proporção. Digo isso porque do mesmo modo que me senti envolvida com suas fortes crenças religiosas e culturais, não entendi porque ela agia de maneira tão passiva diante de algumas situações ligadas a Lady Susan. Ela deixa claro que o vínculo de senhor e servo deve ser preservado ao máximo, mas se tornou irritante ler e reler a descrição de que a sua senhora estava depressiva e chorando, e que ela tinha sido humilhada por esta de alguma forma. Ao final, as intenções da autora ficaram bem claras, mas enquanto estive lendo essas passagens fiquei realmente chateada com a passividade da personagem.

Além disso, como em um bom conto de fadas “O Livro dos Mil Dias” também possui o seu príncipe encantado. Esse por sua vez, é explorado em todos os seus aspectos. Pois ao invés da autora só mostrar toda a glória e pompa de um candidato a rei, nessa história também vemos todas as falhas que compõe sua trajetória de vida. Apesar de ser sutil, esse foi um diferencial que me deixou com os olhinhos brilhando diante do desenrolar dos fatos. Ainda mais porque o que eu suspeitei se confirmou mesmo quando tudo indicava que não iria acontecer. Outro ponto que vale a pena ser ressaltado é a riqueza cultural que a autora aborda tão bem na história, pois mesmo que seja visível algumas pinceladas de coisas já conhecidas, ela foi muito criativa ao abordar determinadas crenças religiosas e sociais sob uma nova perspectiva, tornando assim, o livro mais rico quando poderia ser apenas um romance com uma leve insinuação da cultura oriental. Em suma, um livro gostoso de ser lido, que traz em sua essência a origem dos contos de fadas: a de dar lições de vida através de uma história fantástica.

Quando estou no meio de uma jornada, o final é ainda desconhecido e possivelmente maravilhoso. Mas quando chego, é difícil continuar sonhando. Pág. 125

Playlist:


--- Isabelle Vitorino ---

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