22 de novembro de 2013

Resenha: Noah Foge de Casa por John Boyne

Sempre tive curiosidade de ler algo do John Boyne, autor que foi aclamado pelos leitores por livros como ‘O Menino do Pijama Listrado’. Contudo, a oportunidade de ter um livro dele em mãos parecia que não ia chegar nunca... até que eu adquiri ‘Noah Foge de Casa’ e pude ter uma breve noção do que porquê a escrita dele emocionou tantas pessoas.

Título: Noah Foge de Casa
Autor: John Boyne
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2011
Páginas: 200
Onde comprar: Submarino
Noah tem oito anos e acha que a maneira mais fácil de lidar com seus problemas é não pensar neles. Quando se vê cara a cara com uma situação muito maior do que ele próprio, o menino simplesmente foge de casa, aventurando-se sozinho pela floresta desconhecida. Logo, Noah chega a uma loja mágica de brinquedos, com um dono bastante peculiar. Ele tem uma história para contar, uma história cheia de aventuras que termina com uma promessa quebrada, uma história que vai levar o fabricante de brinquedos a pensar sobre o seu passado e Noah a pensar sobre aquilo que deixou para trás.


Noah quer esquecer os seus problemas e acredita que viver uma grande aventura é a melhor maneira de fazer isso.  Por isso, aos oitos anos de idade ele acorda bem cedinho e foge de casa. Sem ter um roteiro definido, ele passa por várias cidades na tentativa de encontrar uma que ele se sentisse acolhido para ficar lá um pouco mais. Porém, as coisas não saem como o planejado e é só após passar por alguns infortúnios que ele encontra uma pequena vila onde os moradores se mostram mais receptivos e onde ele conhece uma loja de brinquedos cujo dono apesar de misterioso, lhe conta histórias mágicas sobre as suas habilidades e a sua relação com o pai. Ouvir aquelas histórias mexe com Noah mais do que ele é capaz de dizer, por isso mesmo não querendo enfrentar a sua dura realidade, aos poucos ele se vê diante de um impasse entre aquilo que ele quer e aquilo que era possível ter.

Com uma história que mistura realidade e magia, John Boyne traz para os leitores uma história que mexe com o leitor de formas inesperadas. Narrado de forma intercalada entre a primeira e a terceira pessoa, o livro ainda traz imagens que ilustram de forma simples e precisa fatos importantes da história. Como é um livro voltado para as crianças o enredo é desenvolvido de forma mais simples e não traz grandes reviravoltas, porém não posso dizer o mesmo do vocabulário utilizado pelo autor, já que parece que ele esqueceu quem era seu público alvo e introduziu várias palavras que não são utilizadas por crianças. Isso me incomodou bastante porque destoou da proposta do livro e soou forçado, assim como, aconteceu com algumas resoluções que ele deu a trama que me pareceram mais um subterfúgio utilizado por ele para tentar explicar a magia presente na história do que algo que realmente tivesse relevância para a trama como um todo.


Entretanto, esses pontos não interferem a leitura de modo que ela se torne uma experiência frustrante, pois ainda que esses erros existam, o autor consegue envolver o leitor com o drama de um garotinho que vai se mostrando cada vez mais delicado com o transcorrer das páginas. E mesmo que a história não seja forte o suficiente para arrancar lágrimas, John Boyne consegue cativar ao inserir no seu texto algumas mensagens especiais sem que isso soe como uma lição de moral. Todavia, acredito que isso só foi possível porque a relação entre Noah e o dono da loja de brinquedos se torna tão encantadora que é como se tivéssemos acompanhando a jornada de um neto que não sabe o que fazer em meio aos seus problemas familiares e um avô que tenta se perdoar pelos erros do passado e que vê no menino uma forma de se redimir por suas promessas quebradas. Essa doçura retratada no enredo associado ao que é real e surreal é o ponto mais forte do livro e é pensando nele que hoje eu indico ‘Noah Foge de Casa’ para vocês.


[...] A vida é breve, Noah, e devíamos passar a maior parte do tempo que pudéssemos com as pessoas que amamos. Acho que levei a vida toda para entender isso, mas agora... agora, de repente ficou claro para mim. Pág. 124

Playlist:



--- Isabelle Vitorino ---

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