Resenha: Dois Pesos, Duas Medidas por Judith McNaught

Uma das autoras que deram início a minha vida como leitora foi Judith McNaught, por isso, sempre fiz questão de divulgar o seu trabalho, que, infelizmente ainda é pouco conhecido no país. Dentre os títulos que mais polêmicos da autora, mas que mesmo assim, me fazem suspirar está "Dois Pesos, Duas Medidas", o porquê disso, conto para vocês na resenha de hoje.

Título: Dois Pesos, Duas Medidas
Autora: Judith McNaught
Ano: 2010
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 294
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Nick, o bonito e inteligente presidente da Global Industries, conduz seus negócios do mesmo modo que trata suas mulheres: com charme, ousadia e pulso firme. Ao contratar Lauren Danner, ele, que sempre esteve no controle das situações e conseguiu todas as mulheres que desejou, vê-se perdidamente apaixonado por sua nova e difícil funcionária. O que Nick não imagina é que Lauren esconde um segredo, que, se vier à tona, transformará sua vida para sempre. Presa nessa teia de falsidades, Lauren luta para não perder Nick, homem por quem ela está apaixonada, e que lhe prometeu uma vida de amor e devoção.

Lauren Danner é uma jovem e bela pianista que encontra-se em um sério dilema: recorrer aos odiosos familiares de seu pai em busca de um emprego ou observar a vigorosa queda do homem que a mimou desde bebê. Apenas a possibilidade de não poder retribuir todos os esforços que seu pai sempre fez por ela, impulsiona Lauren deixar o orgulho de lado e seguir para Detroit a fim de realizar uma entrevista com um dos piores homens que teve contato durante sua vida. Ela não imagina como aquele encontro poderia ser pior, mas ao ser inserida em uma odiosa trama de espionagem industrual, ela tem que fazer a difícil escolha entre preservar o seu caráter e conseguir dinheiro para ajudar o pai. O que ela não imaginava era que dentre as escolhas que teria que fazer, estava o charmoso magnata Nick Sinclair.

Nick Sanclair nunca foi um homem devotado as mulheres, apesar de seu evidente prazer por estar na companhia de uma bela dama, com traumas demais do passado, cresceu sem a presença da mãe e tomou como propósito de vida ser cada vez mais bem sucedido em seus empreendimentos. Reconhecido pelo seu instinto feroz nos negócios, ele era figura conhecida nos círculos mais altos da sociedade, razão pela qual o seu passado fica subjugado ante a personalidade do intransigente playboy. Mas quando conhece a delicada Lauren Danner, ele não consegue refrear a curiosidade que sente com relação aquela mulher que mistura devoção com uma personalidade forte. Seria o amor capaz de curar as cicatrizes mais antigas do seu coração?

Judith McNaught é uma autora cuja presença constante em minha vida me faz me apaixonar pelos seus escritos a cada releitura que faço. E, confesso, todas as vezes em que sou colocada ante suas palavras aquele misto de paixão pelo que estou lendo e frustração por suas obras não serem acessíveis aos leitores de romances, toma conta de mim. Infelizmente, poucos são os livros que a autora escreveu lançados no Brasil, e quando isso ocorre, são publicados quase que na surdina, pois além da pouca divulgação dos lançamentos, não há nenhuma menção a maravilha que é a produção literária da autora. Neste ponto, já me indaguei alguma vezes e fico na dúvida se isso ocorre pelo teor da obra de McNaught, que em alguns momentos encontram-se no limiar entre o romance e o machismo, ou se realmente o estilo prolixo da autora não agradou ao público brasileiro.

Se estivermos diante da primeira opção, tenho que advogar em favor destas obras. Isso, porque, escritas entre as décadas de 80 e 90, muito do linguajar e da postura dos personagens em determinadas situações são próprios do pensamento da época. Você pode argumentar que se fosse assim, romances históricos esteriam repletos de cenas bárbaras, mas sabe porque isso não acontece? Porque os escritores da maioria destes livros, tais como, Julia Quinn e Lisa Kleypas, não nasceram e se desenvolveram neste período histórico (ainda que exista toda uma pesquisa por trás). No entanto, Judith McNaught viveu muito do que escreveu, inclusive, a realidade de conviver com o assédio moral no trabalho, a presença ínfima de mulheres independentes no mundo dos negócios, além de muitos outros pontos que, ao tempo, eram considerados completos tabus da sociedade e que atualmente estão sendo superados.

Imagino que se você chegou até aqui deve estar pensando se toda essa defesa é realmente necessária, e eu afirmo que, infelizmente, é sim. Para ler "Dois Pesos, Duas Medidas" há de se ter em mente todos esses pontos para não correr o risco de odiar o livro, pois no decorrer das páginas nos vemos diante de situações e emprego de expressões que colocam em cheque tudo o que pensamos como leitores cuja bagagem tende a inclinar-se a uma abordagem que traduza menos o conceito de "macho-alfa". Afirmo isso, porque torci uma ou duas vezes o nariz para o comportamento de Nick Sinclair. Há situações que ele tripudia tanto de Lauren Danner que cheguei a torcer por uma guinada radical no enredo - que, é claro, jamais ocorreria dada a estrutura da obra.

Ressalvados esses pontos, esta obra traz todos os elementos que alguém apaixonado por romances poderia querer. Temos uma mocinha forte, que além de extremamente inteligente, possui muito bem definido o seu caráter, um herói que mescla o charme, a inteligência, com um modo de agir taciturno, e toda uma trama envolta de espionagem industrial, corrida contra o tempo e o universo dos negócios de conglomerados, como só a Judith McNaught é capaz de fazer. E é justamente por isso que a amo tanto, apesar do contexto em que suas obras são narradas não favorecer o desenvolvimento feminino, sua voz salta ao levar as suas personagens para ambientes extremamente masculino e que exalam preconceito.

É claro que essas são meras divagações de alguém que tenta ir além do que está explicitado no texto, mas se você quer apenas sentar e ler uma bela história de amor, saiba que também encontrará isso nessas páginas. Outro aspecto que inicialmente não se espera e que acaba sendo revelado no desenrolar da trama são as situações cômicas vivenciadas pelas protagonistas, juro, o livro rende boas risadas e por isso é perfeito para aqueles dias em que se quer ler algo leve e divertido, sem maiores pretensões. Confesso que essa ainda não é a minha obra favorita da autora, mas indicaria sem dúvidas a sua leitura para aqueles que buscam essas características que indiquei e que possuem a mente aberta para passar por cima de algumas situações desconfortáveis. No mais, desejo que todos livros da autora sejam publicados aqui no Brasil, ela e o seu trabalho merecem estar na prateleira de qualquer apaixonado por romances.

- Na verdade - continuou sonhadoramente - não sou recatada nem inibida, mas o confuso produto de uma criação meio puritana com uma educação liberal. O que significa que julgo errado fazer qualquer coisa, mas acho muito certo outras pessoas fazerem o que querem. Vê algum sentido nisso? - Pág. 86

--- Isabelle Vitorino ---

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