Bate Papo com Andrés Carreiro


Oi pessoal, mais um post do quadro "Bate Papo com..." e hoje o convidado e ou autor do livro A Essência Do Dragão, Andrés Carreiro.

Andrés Carreiro

Gostaria de Agradecer imensamente por ceder esta entrevista para o blog, pra começar, fale um pouco sobre o início de sua carreira literária (caminhos, gostos, influências etc...)

Eu é que agradeço a oportunidade. Acho que minha jornada literária começou relativamente tarde. Sempre fui levado a acreditar que tinha vocação para a área de exatas. Realmente sempre tive alguma facilidade com números e os estímulos dados pelos professores de português da época de colégio, principalmente no ensino fundamental, não ajudaram a me descobrir enquanto escritor. Em 1999 resolvi cursar uma faculdade da área de humanas, e como toda a faculdade desta área, tive que fazer algo novo em minha vida: escrever muito. O argumento registrado em letra é um mecanismo fundamental para a construção destas disciplinas e seus alunos, desde cedo, são estimulados a argumentarem bastante. Se há uma prova em que, hipoteticamente, se pergunta “quem descobriu o Brasil?”, não basta responder “Pedro Alvarez Cabral”. Nisto, para se dar uma resposta convincente, temos que procurar os argumentos mais modernos sobre o assunto e fazer uma análise com este material. Com isso quero dizer que em vez de escrever três palavras para esta resposta, aprendi a dar uma resposta de 6 a 8 páginas. O problema é que os textos acadêmicos não têm os atrativos que a ficção, de um modo geral, possui. Para contrabalançar o peso de ler tanta coisa complicada, eu lia muitos romances, de todos os gêneros. Desde os clássicos aos de fantasia mais modernos. Depois destas experiências iniciais, em 2003 resolvi fazer um teste para se realmente conseguia reproduzir um texto aos moldes da ficção. Ele até foi publicado no meu blog com o nome de “O combate”. Na verdade aquilo era uma experiência, sem valor nenhum, mas foi o início de uma jornada que culminou na minha iniciação como escritor. Um livro acadêmico escrito por um brasileiro chamado Sidney Chalhoub, chamado Visões de Liberdade, literalmente me libertou do academicismo, este mesmo que não me deixava confortável para escrever. Juntando o estimulo do livro do Dr. Chalhoub com a vontade de escrever, resolvi, em 2005, me aventurar neste mundo. Como não conhecia ninguém desta área, iniciei meus passos do zero mesmo. Naquela época não sabia nem ao certo o que queria escrever. Depois cheguei à conclusão que a área de fantasia poderia ser um bom caminho para começar. Só que eu não queria escrever qualquer coisa nesta área. Puxei em minha memória as influências que adquiri durante meus anos de leitura e procurei elaborar algo “novo”, claro que respeitando toda esta carga de influências. Cinema, quadrinhos, livros, tudo isto me influenciou e me influência até hoje. Às vezes vejo alguns críticos desmerecendo estes vínculos, mas o que é um escritor? Em minha opinião, uma síntese de seu tempo. Caso Dostoiévski, um exemplo rápido, tivesse estas influências em sua época, certamente se refletiriam em sua obra.

De onde surgiu a idéia para escrever o livro A Essência do Dragão?

Estava eu um dia rabiscando em uma mesa de trabalho (era destas de fórmica, que é fácil de limpar, “risos”) e desenhei um dragão. Fiquei refletindo nisto por um tempo e tive a idéia inicial de escrever um livro sobre um jornalista que entrevistaria o último dragão existente no planeta terra. Eu sempre brinco que ficaria algo meio “Entrevista com o dragão” (risos). Contudo, esta idéia simples e ridícula produziu a saga A Essência do Dragão, que graças aos deuses da literatura, não tem nada mais a ver com a idéia original.

Qual a sensação de ter um livro publicado?

A sensação é muito boa. Damos um passo grande, e ver que seu objetivo se concretiza aos poucos é fantástico. Mas a felicidade se une a outro sentimento chamado preocupação. Um pergunta me veio à mente: e agora? Descobrimos que publicar é apenas o primeiro passo, e a jornada apenas começou. A responsabilidade aumenta, temos que vender, e isto é uma realidade bem concreta na área editorial. Quem não vende não tem vida longa. Uma assombração na cabeça de qualquer escritor que ainda deve manter o espírito para continuar a escrever o melhor possível. São situações que aprendemos a conviver, pois realmente quem ama o que faz, aprende a abrir mão de certas vaidades em função do objetivo principal. “Esta é a vida”, como dizem os franceses.

Qual foi à pessoa que mais lhe apoio quando você falou que estava escrevendo um livro?

Minha mãe, certamente. Parece meio clichê, pois as mães sempre apóiam os filhos.  Mas ela consegue se libertar dos instintos maternos e vê a situação de uma maneira diferente. Ela é uma pessoa que leu e lê muito, e sabia exatamente do potencial do meu trabalho. Quando eu pensava em desistir, ela me ajudou a continuar. Tenho uma dívida que vai muito além da dívida que tenho enquanto filho. Uma dívida de amizade.

Que conselhos você daria para um aspirante a escritor?

Primeiro: Humildade para que possa sempre se aprimorar. Digo isto, pois se o escritor achar que faz a literatura perfeita, que é o maioral, pode cair do cavalo. Afinal, se o livro perfeito existisse, a literatura já teria acabado. Segundo: Perseverança. A jornada não é fácil, mas é como qualquer carreira profissional. Quando há uma facilidade em algum momento, a dificuldade vem em dobro na próxima etapa. Terceiro: Ouvidos tampados. Por que digo isto? Há, na jornada do escritor, vários “guardiães de limiares”, que vão dizer mil coisas que irão te deixar para baixo. Não os ouçam. Outro dia ouvi alguém dizer que para vender livros no Brasil o escritor tem que ter carisma. Ora, se só o carisma vende livros no Brasil, isto por si só é uma derrota social. É claro que não é verdade, pois a maioria dos escritores estrangeiros nem colocam seus pés em terras tupiniquins e não deixam de vender só porque não fazem gracinhas em eventos. A qualidade é o pilar fundamental e o brasileiro é exigente neste quesito.

Você já tem novos planos literários?

Estou dando continuidade às continuações da Saga A Essência do Dragão. Terá mais dois livros que fecharão a trilogia. Trilogia também é uma forma clichê, mas gosto de brincar com isso. Afinal, hoje em dia, há mais sagas com 15, 20 ou 30 livros (risos) do que clássicas trilogias. Também estou participando de duas coletâneas de contos. Uma delas é o Volume 2 do Extraneus, organizado pelo M. D. Amado, intitulado “quase inocentes”, onde aparecerá meu conto “Reversões”,  e o Volume 2 da Coleção Histórias Fantásticas, organizado pela Georgette Silen,  onde tenho um conto chamado “Última Consciência”. Por sinal tenho uma paixão incontrolável por escrever contos, e descobri isto recentemente (risos).

  • Perguntas Rápidas:
Um Livro - Reparação (Ian McEwan)
Um Filme - Pulp Fiction (Tarantino)
Uma Musica - The Imperial March (Star Wars)
Um Grupo Musical - Darvin (do meu amigo Thiago)
Uma Comida - Empanada Galega
Um Sonho -Viver da escrita.
Um Dia - 06 de Junho de 1944.
Um Animal - Cão
Um País - Brasil (sempre)
Uma Pessoa - Stephen Hawking

Para terminar essa entrevista, mande uma mensagem para os seus fãs!

Agradeço a eles por tudo, pois sem os leitores, um escritor não é nada. O leitor tem o poder de dar ou tirar o sucesso de um escritor. Não adianta, quando o escritor faz sucesso , ser obra individual dele, e quando se torna um fracasso, culpar o leitor. Nada disso! É uma relação simbiótica, onde não se anda sozinho. Muitos dos meus leitores iniciais se tornaram meus amigos e acreditam no meu trabalho. Sem este apoio, talvez não tivesse energia para continuar. Só posso agradecer o apoio e ao carinho que tenho recebido de todos. O meus mais sinceros agradecimentos.

Obrigado Andrés por ceder está entrevista para o blog.

5 comments

Rayana Miccolis 6 de outubro de 2010 07:05

*---*
Eu quero tanto o Essência do Dragão! Quero muito! Adorei a entrevista! Beijoca

Italo _correa 6 de outubro de 2010 20:13

Super legal!!
Haha eu gostaria de ler um conto chamado "Entrevista com o dragão". É verdade não precisa ter apenas carisma pra ter sucesso em um livro aqui no Brasil,mas se precisar ou não eu sei que o Andrés tem.^_^
Eu necessito da continuação da saga,uai,não vou achar problema nehum se essa trilogia passar pra cinco, sete, dez livros!!
ótima entrevista.
o/

Guta Bauer 6 de outubro de 2010 20:15

Muito legal o bate papo. O Murphy's Library também está entrevistando o Andrés essa semana ;)

Jadi Soares 24 de julho de 2012 22:05

Não sou mt fã de livros de dragões e tals, mas ate que me interessei nesse livro dele.
Ele parece ser super educado e simpatico. E respondeu mt bem as perguntas feitas. mt legal!

Samira Chasez 25 de julho de 2012 14:36

Oi...
Acho esse escritor muito bom.. estou doida para ler o livro dele..

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