2 de dezembro de 2014

Resenha: As Artimanhas do Napoleão e Outras Batalhas Cotidianas por Antonio Cestaro

Sempre fui apaixonada por livros que tivessem o formato de romance. Tanto que contos e crônicas nunca marcaram muita presença na minha estante. Mas ao receber “As Artimanhas do Napoleão e Outras Batalhas Cotidianas” não consegui refrear o impulso e comecei a lê-lo logo em seguida. E olha, que aventura deliciosa encontrei nessas páginas!

Título: As Artimanhas do Napoleão e Outras Batalhas Cotidianas
Autor: Antonio Cestaro
Editora: Tordesilhas
Páginas: 100
Ano: 2013
Onde comprar: Saraiva | Submarino
Personagem de duas crônias de Uma porta para um quarto escuro, primeiro livro de Antonio Cestaro, Napoleão, um porquinho-da-índia traquinas e vivaz, grande apreciador da generosidade das pessoas, despertou tanto interesse nos leitores que acabou se tornando o protagonista involuntário da segunda obra do autor. Napoleão é vegetariano e está namorando. Inteligente, aprendeu a se comportar em salas de concerto e foi sondado para participar de um desenho animado com grande campanha de mídia. Vive com o dono e a família do dono numa casa frequentada todos os dias pela Vânia, que os ajuda nos serviços domésticos. Eventualmente, visita o doutor Gildo, médico especializado em animais de grande porte que o atende em nome de uma amizade antiga. E frequenta também a dona Yolanda, vizinha da família e proprietária do Arquibaldo, um felino não muito confiável. Com esses personagens, situações banais do cotidiano e um olhar subjetivo, Antonio Cestaro constrói um conjunto de crônicas que discorrem sobre a condição humana e a relação das pessoas entre si, com a natureza e com a metrópole. 


Em “As Artimanhas do Napoleão e Outras Batalhas Cotidianas” o autor Antonio Cestaro constrói um romance através da leitura ordenada de vinte e oito crônicas protagonizadas pelo autor e o seu porquinho-da-índia Napoleão. Com um quê biográfico, acompanhamos o dia-a-dia do autor e os seus pensamentos a respeito de temas atuais e que inquietam a nossa mente.

Com uma escrita leve, me peguei rindo das peripécias e dos trejeitos de Napoleão, bem como, me apegando a personagens como Yolanda, uma espanhola nascida na região de Andaluzia e que escolheu o Brasil para ser sua morada durante a sua velhice.


Com descrições de cenários nacionais, o autor conseguiu a proeza de em poucas páginas introduzir o leitor em sua vida através de textos que podem ser considerados simples em um primeiro momento, mas cheios de significado se refletidos de maneira mais atenciosa e dedicada.

Com ilustrações poéticas e que traduzem à perfeição o modo como o próprio leitor imagina as descrições, a ilustradora (e filha do autor) Amanda R. Cestaro demonstra todo o seu talento e potencial ao longo do livro. A combinação das ilustrações e das crônicas teve um efeito tão bom em mim que fiquei curiosa para ler “Uma Porta no Quarto Escuro” e conferir novamente a obra de pai e filha.


A passagem do tempo é coisa para lembrar e esquecer. E, se a lembrança e o esquecimento se derem na passagem certa de tempo, o relógio segue o seu trabalho metrônomo de máquina sem incomodar. É bom lembrar para seguir o caminho e esquecer para aproveitar a paisagem; tudo o mais se resume a um tique-taque opcional. Pág. 55

--- Isabelle Vitorino ---

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